Mercadante critica mudança de planos para estádio da Copa em SP

Para o candidato do PT, houve lentidão por parte do governo tucano para definir onde serão realizadas as partidas do Mundial

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, criticou nesta segunda-feira, após almoço com empresários, a mudança de endereço do estádio que vai abrigar os jogos da Copa do Mundo em 2014 na capital paulista. O tema já havia sido colocado no palanque no início da campanha, quando o senador afirmou que havia lentidão por parte do Estado, governado há 16 anos pelo PSDB, para definir onde seriam realizadas as partidas do Mundial.

Agência Estado
Mercadante discursa em evento do Lide
Mercadante disse não ser contra a escolha de um novo estádio, que será construído pelo Corinthians, na Zona Leste, mas lembrou que a mudança exigirá novos estudos de infraestrutura logística na capital.

“O erro, na minha visão, é que foi definido, em uma carta compromisso, que a partir de 1º de março começariam as obras pra realizar a Copa do Mundo no estádio do Morumbi (...) Se for modificado o lugar, como está se dizendo, nada contra. Mas toda essa logística vai ter que ser repensada. Qual a minha preocupação? Por que perdemos seis meses de obras? São Paulo vai acabar repetindo Tóquio, que ficou fora de abertura ( da Copa de 2002 )”, disse.

O senador lembrou que o governo disponibilizou R$ 2,9 bilhões para custear obras de logística, como o monotrilho que ligaria o aeroporto de Congonhas ao estádio do Morumbi, até então a opção para sede dos jogos. Segundo ele, os projetos executivos foram elaborados a partir dessa possibilidade e previam a construção de uma nova avenida perimetral, que cortaria Paraisópolis, e da estação Vila Sônia de metrô, que levaria a uma praça subterrânea até o estádio do Morumbi. Parte das obras contaria com recursos do BNDES.

As afirmações de Mercadante aconteceram em entrevista após almoço-debate promovido em São Paulo pelo Lide, grupo de líderes de 652 empresas que representam 44% do PIB nacional. As críticas em relação ao que chamou de “lentidão” do governo estadual para ajudar a resolver a situação do Morumbi, que foi descartado pela CBF por não apresentar garantias de viabilidade do projeto, ocorrem num momento em que o senador cresce nas pesquisas e se tornou alvo de ataques do adversário Geraldo Alckmin (PSDB), ainda favorito para vencer as eleições logo no primeiro turno.

Um dia antes, Alckmin esteve na região onde será construído o novo estádio e prometeu melhorias para o transporte público na região. O tucano classificou a definição do novo estádio como “vitória” e ressaltou os trabalhos do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e do governador Alberto Goldman (PSDB).

A estratégia do tucano é colar em Mercadante a pecha de senador desatento aos problemas de São Paulo. Na semana passada, Alckmin levou à TV uma peça em que acusava o adversário de não participar de sessão no Senado que liberou verbas para o Estado. A ideia é mostrar que o petista “abandonou” o posto para se dedicar unicamente à eleição.

Nesta segunda-feira, ao fim do almoço, Mercadante afirmou que nenhum senador ou deputado se licencia do cargo para fazer campanha. “Nem mesmo o ( Mário ) Covas”, disse, em alusão à candidatura do tucano ao governo paulista, em 1994, quando era senador.

Segundo Mercadante, a opção por não se licenciar acontece porque os suplentes não querem assumir o posto em período de eleição. “Todos os Parlamentos do mundo funcionam assim”.

Mercadante pediu ainda que fosse feita uma comparação entre os candidatos na época em que eles eram deputados federais, no início dos anos 1990. Mercadante lembrou que, naquele período, atuou como membro da CPI do Orçamento e se tornou líder de bancada e presidente de comissão – numa tentativa de mostrar que Alckmin não teve mandato tão destacado quando era deputado em Brasília.

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