Mercadante critica desempenho das escolas públicas

Após analisar resultados do Enem em SP, candidato do PT promete distribuir laptops paras professores da rede pública paulista

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, criticou nesta segunda-feira o que chamou de "abismo" no desempenho entre as escolas públicas e particulares no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2009, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC).

Mercadante disse que o exame é resultado da mais cruel das privatizações do ensino público no Estado de São Paulo.

"As escolas particulares de São Paulo têm excelente posicionamento no ranking nacional, mas há um abismo entre a escola pública estadual, com cinco milhões de alunos, e as particulares. A classe média que paga seus impostos é obrigada a pagar boas escolas para que tenham oportunidade no futuro, e isso sobrecarrega o orçamento, e a maioria da população, que não tem essa possibilidade sabe que está comprometendo uma parte de oportunidade do futuro de seus filhos", disse o senador, após encontro com representantes de lan houses em um cybercafé em São Paulo.

Na ocasião, o candidato petista colocou entre as promessas de campanha distribuir laptops para cada professor da rede pública de ensino caso seja eleito. Prometeu também disponibilizar um portal do professor que permita a troca de experiências online. Ele não especificou, no entanto, de onde viriam os recursos para a implementação do projeto.

"Se estivermos crescendo no ritmo que estamos, o orçamento no ano que vem [em São Paulo] vai ser de R$ 140 bilhões. Não é questão de recursos, e sim de prioridade. E educação nunca foi prioridade no governo do PSDB. Tem Estados mais pobres que São Paulo que têm desempenho escolar melhor em sistemas de avaliações como o Pisa, em que São Paulo está abaixo da média nacional em matemática, ciência e leitura".

Mercadante voltou a criticar ainda o sistema de aprovação automática das escolas de São Paulo, prometeu implementar uma política de valorização do professor e introduzir progressivamente o ensino integral nas escolas da rede pública com a oferta de cursos técnicos profissionalizantes. Citou como exemplo o programa Mais Educação, do governo federal, em que há incentivo para que atividades extras, como educação física e artística, sejam realizadas em clubes das cidades onde a escola não tem capacidade física para abrigar turno extra. "Na capital [de SP] havia resistência em adotar [esse programa]", disse ele.

Lan Houses

No encontro com representantes de lan houses, o candidato petista, de olho nos votos dos usuários de internet, afirmou haver um "apartheid digital" ao abordar a questão do acesso à informação em São Paulo. "Existem 70 milhões de brasileiros que estão acessando a internet por meio de lan houses. Precisamos de política pública que ajude a regulamentar essa atividade e que possa ajudar, com condicionantes, a estimular o acesso a cultura (...) Queremos estabelecer formas de parceria e segurança de acesso a essa atividade".

Ele criticou restrições impostas pelo Estado como afastamento de lan houses das escolas. O candidato pediu aos representantes da atividade que elaborem propostas para que sejam idealizadas em seu programa de governo parcerias com o Estado para projetos de complementação educacional, ensino a distância e de acesso a serviço nas lan houses de São Paulo.

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