Às vésperas do início do horário eleitoral, petista espera receber votos dos apoiadores da presidenciável no Estado

O candidato do PT ao governo de São Paulo, senador Aloizio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira que espera crescer nas pesquisas de intenção de voto na esteira do desempenho da presidenciável Dilma Rousseff (PT) no Estado. Na mais recente pesquisa do Datafolha, Mercadante aparece com 16% das preferências dos eleitores, contra 54% do tucano Geraldo Alckmin, que se elegeria no primeiro turno.

Agência Estado
Mercadante e Marta fazem caminhada
O mesmo instituto mostra que Dilma tem 34% contra 41% de José Serra (PSDB) no Estado, distância menor do que os últimos levantamentos. Para crescer entre os eleitores da petista que afirmam votar em Alckmin, Mercadante aposta no horário de propaganda eleitoral gratuita, que, segundo ele, vai dar “clima de eleição em São Paulo”, e na presença do presidente e da ex-ministra da Casa Civil em seu palanque ainda nesta semana.

 “A Dilma está crescendo fortemente em São Paulo e esse eleitorado, tenho absoluta certeza, vai nos acompanhar, como sempre aconteceu nas eleições no Estado de São Paulo”, afirmou.
O senador participou de uma caminhada na manhã desta segunda-feira pelo centro de Mauá, reduto petista na região metropolitana de São Paulo. A cidade é administrada por Oswaldo Dias (PT), que estava com o candidato no palanque, e é um dos lugares em que Mercadante foi mais bem votado nas eleições para governador em 2006.

Segundo o candidato, Lula já participou de mais de uma gravação para o programa que levará à TV a partir de quarta-feira. “Eles vão estar mais presente em São Paulo, como pedi que fosse feito, e é o que eles querem fazer. São Paulo é o Estado mais importante do ponto de vista eleitoral e isso vai ajudar muito”.

O senador aposta também que a nova fase da campanha irá beneficiar outros candidatos que hoje estão atrás nas pesquisas, como Celso Russomano (PP) e Paulo Skaf (PSB). O desempenho deles é considerado fundamental para que a disputa seja decidida apenas no segundo turno.

“Aquilo que vale pra mim vale pra todos. Até agora, não teve debate, a não ser na Band. Não tivemos o espaço devido nos meios de comunicação. Agora, com horário gratuito, todos vão poder se apresentar. Eles vão ter crescimento, e é positivo que tenham”.

Mercadante aproveitou para ironizar os resultados das mais recentes pesquisas de intenção de voto. Após a caminhada, ele lembrou que nas últimas eleições recebeu mais votos do que apontavam os levantamentos.

“Tenho problema de viés de baixa em toda pesquisa. No Senado, nunca me colocaram com 10,5 milhões de votos (recebidos em 2002, quando se elegeu senador), e tive duas vezes mais votos do que teve o segundo colocado. No governo também (em 2006) nenhuma pesquisa me colocava com 32% (dos votos obtidos na disputa). Sempre me jogaram para baixo. Deve ser um viés recorrente. Não sei exatamente qual é a metodologia, mas em geral o erro está muito além da margem”, afirmou o candidato, que lembrou também das eleições de 2006 na Bahia, quando Jaques Wagner, do PT, foi eleito governador no primeiro turno quando as projeções o deixavam de fora até mesmo do segundo turno.

Críticas à saúde

Em discurso para cerca de 300 pessoas, o candidato disse contar com a militância para vencer a máquina do Estado que, segundo ele, favorece seus adversários. No mesmo discurso, Mercadante disse que seus adversários têm mais recursos e elevou o tom das críticas contra a administração tucana no Estado, sobretudo em relação à saúde.

Ele contou o caso de uma moradora da região que pediu ajuda a ele durante a caminhada dizendo que o filho dela havia sido internado no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, e saiu de lá sem mover as pernas, com dificuldade de locomoção e sequelas da cirurgia.

Foi a deixa para o senador usar o episódio para criticar a situação dos hospitais públicos da região. “Se for erro de pericia, e pode acontecer, o Estado é responsável e tem que indenizar o paciente. Falta mais humanização nos hospitais públicos, não é só problema de recursos. É um problema de atitude e de atenção. E isso tem que mudar.”

Mercadante disse ainda que a região tem déficit de 500 leitos hospitalares e prometeu ajudar a custear gastos para a área da saúde com os municípios. Hoje, afirmou, os custos recaem apenas “nas costas do governo federal” e dos municípios.

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