Mercadante abre campanha oficial amparado no governo Lula

Em discurso com referências aos programas sociais do governo federal, o candidato criticou a gestão tucana do transporte no Estado

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Em seu primeiro ato oficial de campanha, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, fez ao menos 20 referências ao governo do presidente Lula durante discurso de cerca de 25 minutos feito na manhã desta terça-feira em Osasco. Tendo como palco a estação de trem da cidade, o senador elegeu a situação do transporte público e das estradas paulistas como alguns dos pontos mais críticos da gestão tucana em São Paulo.

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O candidato petista, ao lado de Netinho de Paula e Marta Suplicy, durante primeiro ato oficial da campanha em Osasco
Mercadante discursou em cima de um caminhão de som ao lado de Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PC do B), candidatos ao Senado, e aliados como o deputado petista João Paulo Cunha e Emídio de Souza, prefeito de Osasco. Cerca de 3.000 militantes acompanharam os candidatos durante caminhada de cerca de dez minutos pelo centro comercial do município, reduto petista no Estado.

Em sua fala, o senador comparou o modelo chinês de ferrovias para tentar demonstrar a defasagem do transporte sobre trilhos em São Paulo. Citou que na China foram construídos, em quatro anos, 120 quilômetros de metrô, enquanto o sistema paulista tem apenas 75 quilômetros.

Além do transporte público, ele citou o “abuso” das tarifas e do número de praças de pedágio, e prometeu debater uma possível revisão nos contratos com as concessionárias.

“Vou acabar com o abuso dos pedágios. Nossa região começa a ficar cercada de pedágio. Precisamos ter bom senso. No meu governo não vamos mais ter o pedágio mais caro do mundo nem ter uma nova praça de pedágio a cada 40 dias. Vamos colocar aquele ‘Sem Parar’ em todo sistema. Cada um vai pagar pelo que andou. Se não as empresas acabam indo embora”, discursou.

Numa das poucas referências que fez ao principal adversário, Geraldo Alckmin, do PSDB, ele afirmou: “O pedágio é o Alckmin, e o Mercadante é o caminho.”

O alvo do senador são as cláusulas de equilíbrio econômico e financeiro dos contratos mais antigos com as concessionárias do Estado que, segundo ele, permitem uma taxa de retorno superior a 20% - enquanto nas estradas federais a taxa é de 8,5%. No modelo federal, os valores são corrigidos pelo IPCA e, nas estradas estaduais, pelo IGP-M – mais alto, portanto.

Em frente à estação de trem, Mercadante prometeu melhorar a qualidade dos vagões da CPTM e do Metrô, a exemplo, segundo ele, do que o presidente Lula está fazendo com as ferrovias. A ideia, disse, é contar com um sistema ferroviária que existia no Estado “um século atrás”.

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Os candidatos da chapa petista, durante caminhada no centro de Osasco
“Tem que ter competência pra fazer mais rápido. Como Lula faz com as ferrovias. A Norte-Sul tem 400 quilômetros, a Transnordestrina tem 10 mil homens trabalhando. Neste momento está sendo licitado o trecho Leste-Oeste, mais uma nova grande ferrovia do Brasil. Vamos retomar a ferrovia em São Paulo. Eles sucatearam, nós vamos recuperar”, disse Mercadante, que citou ainda o projeto do trem-bala que ligará São Paulo e o Rio de Janeiro, que até hoje não possui estimativa de custo, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU). “Não podemos mais ficar 35 dias parados no trânsito porque não temos transporte público”, disse.

O senador defendeu o diálogo com os professores da rede pública e disse que em seu governo eles terão audiência quando pedirem. Repetiu discursos anteriores ao afirmar que em seu governo o professor não vai ser tratado com “borrachadas e cassetetes”.

Ele prometeu acabar ainda com a aprovação automática e afirmou que vai reforçar o policiamento nas escolas. Por fim, criticou a demora do usuário do sistema público de Saúde no Estado para conseguir consultas para fazer hemodiálise e radioterapia.

Discurso federalizado

Para embasar as críticas localizadas à gestão tucana, que há 16 anos governa o Estado, Mercadante usou sempre o exemplo do governo federal - com números sobre criação de empregos e vagas em universidades, aumento do salário mínimo e alcance dos programas sociais - para repetir o slogan de que “se deu certo no Brasil, vai dar certo em São Paulo.”

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O candidato Aloizio Mercadante
“O povo demorou para acreditar que Lula seria um bom presidente. Lembram quando se dizia que o Lula não estava preparado e que se ele ganhasse as eleições a inflação ia voltar, que o Brasil não ia crescer e que o País ia ficar isolado? Hoje tem estabilidade, crédito, distribui renda e tem prestígio internacional. Por isso, peço que a mesma chance que o Brasil deu ao Lula seja dada ao Mercadante em São Paulo. Me ponham no segundo turno, e eu garanto para vocês que vamos apontar o caminhão e dar continuidade ao projeto do presidente Lula”.

Mercadante ainda afirmou que o presidente Lula vai aparecer em sua campanha de TV e, em breve, fará comício em Osasco para se despedir do povo. “Não teve outro presidente como Lula tão comprometido com os trabalhadores. Quando Lula deixar de ser presidente, quando tirar a faixa, temos que assistir a outro salto extraordinário na história desse País, que é uma mulher colocar a faixa”.

Mais tarde, durante entrevista, o candidato justificou as referências feitas ao governo Lula dizendo que é possível analisar as diferenças entre a gestão petista e a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas que, em São Paulo, não tem como ser feita essa comparação porque o PT nunca governou o Estado.

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