Marina Silva evita temas polêmicos no lançamento de candidatura

Verde vai criticar alianças dos outros partidos, propor aliança com a sociedade e destacar temas como empreendedorismo e inovação

Raphael Gomide, enviado especial, e Severino Motta, iG Brasília |

No discurso que fará esta tarde na convenção nacional do Partido Verde, a candidata à Presidência da República, senadora Marina Silva (PV-AC), vai evitar temas polêmicos, como união civil entre pessoas do mesmo sexo, legalização do aborto e descriminalização do uso de drogas. Marina é evangélica e já afirmou ser uma “missionária” da Assembleia de Deus.

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Marina e Guilherme Leal, na convenção do PV, nesta quinta-feira
A candidata tem sido cobrada a respeito de sua posição sobre esses assuntos devido a sua religiosidade e por disputar a Presidência em um partido que historicamente defende essas bandeiras. De acordo com integrantes de sua equipe ouvidos pelo iG , os temas não são de maior urgência para o Brasil e este é o momento de Marina passar uma visão de “estadista”, e não tratar de questões pontuais.

Para que esses temas não passassem em branco na convenção, coube ao vereador Alfredo Sirkis (RJ), que até agora coordenava a pré-campanha, dizer que, apesar das convicções pessoais de Marina, esses assuntos devem ser tratados de forma laica. Ele destacou que a candidata defende a realização de um plebiscito sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Outro coordenador da campanha, Luciano Zica, responsável pela agenda da candidata, admite que é necessário que a candidata e o partido sejam mais claros para a sociedade quanto a tais assuntos, mas afirmou que esses “não entram” no discurso. Ele acredita que os adversários usam as convicções religiosas de Marina para dizer que, se eleita, seria contrária à diversidade.

“Precisamos explicitar melhor essas ideias porque senão usam isso para fazer proselitismo. Uma coisa é a visão pessoal e a religiosidade de cada um, outra é discutir isso com a sociedade de forma democrática”, disse.

Até aproximadamente 16h30, a plateia da convenção ainda aguardava o início do discurso de Marina. De acordo com sua assessoria de comunicação, ela ficou até as 4 horas de hoje dando os retoques finais em seu discurso. Antes de chegar ao Centro de Convenções Brasil 21, local da festa, a senadora descansou em um hotel em Brasília, acompanhada de uma filha.

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Entrada do local onde ocorre a convenção nacional do PV, em Brasília
Ao discursar, a candidata vai contrapor as alianças tradicionais dos rivais José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), formadas em torno de partidos políticos que criticam pelo fisiologismo. E defenderá uma parceria direta com a sociedade, por meio dos “organismos vivos sociais”.

O eixo de sua fala será educação, inovação e empreendedorismo. Para Marina, essa é a base que pode o País ao desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, os programas sociais de “terceira geração” também serão apresentados.

Ela vai destacar ainda a participação do empresário e vice Guilherme Leal, da Natura, como um exemplo de inovação, empreendedorismo em prol do desenvolvimento sustentável.

A proposta do Código Florestal, criticada nesta quarta-feira por ela em entrevista coletiva, também será abordado. Marina conclama a sociedade a se envolver mais com a questão para impedir a aprovação do projeto do deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Acompanhe a convenção do PV ao vivo no site do partido.

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