Marina se apresenta como sucessora de Lula e não ataca PT e Dilma

Para a candidata do PV à Presidência, na oposição, correria o risco de jogar no lixo os avanços obtidos pelo governo anterior

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Ex petista e ex-ministra do Meio Ambiente durante cinco anos, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, se apresentou nesta terça-feira como sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sabatina promovida pelo jornal "Folha de S.Paulo", Marina afirmou que não é candidata de oposição a Lula e se recusou em vários momentos a fazer críticas diretas ao presidente, ao PT e à sua adversária Dilma Rousseff.

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A senadora Marina Silva, candidata do PV à Presidência, durante a sabatina

"Este é o momento de cada candidato vir, explicitar suas posições e em que lugar ele se coloca nestas eleições. Se é de oposição, de continuação ou de sucessão. Eu estou me colocando no lugar de sucessora", disse Marina.

Segundo ela, tanto a oposição quanto a continuação têm características negativas. No primeiro caso devido ao risco de se jogar no lixo os avanços obtidos pelo governo anterior. No segundo, por causa da falta de senso crítico em relação aos erros cometidos. A posição de sucessora, segundo Marina, é intermediária pois não representa risco de ruptura embora tenha um olhar crítico. "Ele (Lula) não precisa apenas de um continuador, precisa de um sucessor", disse.

Depois de passar mais de cinco anos no governo Lula, Marina fez questão de dizer que não é candidata de oposição.

"Não estou me colocando no lugar de oposição ao governo Lula. Não estamos à esquerda nem à direita do governo. Estamos à frente", afirmou.

Marina mandou um recado aos analistas que vêm em sua candidatura potencial benéfico ao tucano José Serra e prejudicial a Dilma.

"Enganam-se aqueles que acham que não estou contribuindo com ele (Lula). Às vezes a gente contribui criticando e se afastando. Se afastar é mais doloroso do que continuar ao lado", disse.

Nos vários momentos em que foi estimulada pelos entrevistadores a atacar Lula, Dilma e o PT, Marina se esquivou. "Tudo aquilo que eu não disse quando estava no governo não tenho direito de dizer agora só porque sou candidata por outro partido", justificou Marina.

Ela rejeitou a hipótese de antagonismo com Dilma durante a convivência no governo. "Não quero me fazer de vítima. Ah, a ministra Dilma era a má e a Marina era a coitadinha. Nada disso, Nós discutíamos de igual para igual. Tinha coisas em que convergíamos. E convergíamos em muitas coisas", disse Marina.
Questionada sobre quem foi o melhor presidente, Lula ou Fernando Henrique Cardoso, Marina saiu pela tangente dizendo que o tucano teve o mérito de estabilizar a economia e o petista de promover crescimento econômico com distribuição de renda. A candidata também foi isonômica ao criticas ambos. "Nenhum dos dois conseguiu evoluir para incorporar os valores de sustentabilidade".

Reajuste aos aposentados

Marina voltou a defender o aval de Lula ao reajuste de 7,7% aos aposentados e pensionistas (que ajudou a aprovar no Congresso) e disse que o governo poderia cortar valores das emendas parlamentares para compensar o aumento de R$ 1 bilhão nos gastos da Previdência Social. Para ela, o corte nas emendas é justo já que foram os próprios parlamentares que aprovaram o reajuste.
"Sou favorável ao reajuste de 7,7%. Todo ano se sabe que tem a agenda da discussão do reajuste dos aposentados. O que tenho defendido é que a gente aprenda a fazer as escolhas corretas. É preciso cortar com sabedoria para poder compensar este R$ 1 bilhão que foi acrescido. Poderia ser nas emendas parlamentares. Até porque se os parlamentares concordaram em fazer o acréscimo", disse Marina.

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