Marina rebate declarações e diz que tucano não entende propostas

A candidata rebateu as declarações de Sérgio Guerra e disse que é preciso comprometimento ambiental para compreender seu programa

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

A candidata do PV à presidência, Marina Silva, rebateu nesta segunda-feira as declarações do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), coordenador da campanha de José Serra, que em entrevista ao portal iG acusou o programa de governo da adversária de ser superficial nas questões ambientais e de estar “no mundo das estrelas”.

Futura Press
A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva na inaguração do comitê de Fábio Feldman (d), candidato ao governo de SP
Para a candidata do PV, as declarações de Guerra são fruto de uma “velha estratégia de não discutir o mérito e fazer o rótulo do adversário”. Segundo Marina Silva, o senador tucano não tem capacidade de entender o programa de governo do PV porque não tem compromisso com uma agenda que integre economia e meio ambiente. “Quem é capaz de compreender o que está em jogo no mundo não vai criticar. Irreal é achar que é possível continuar uma política de uma cabeça de gado por hectar, ocupando 200 milhões de hectares de terra e produzindo gado com baixíssimo investimento tecnológico”, atacou a candidata. “Não dá para discutir rótulo. Quem entende e é capaz de discutir nossa proposta sabe que isso é perfeitamente factível. Obviamente que para entender é preciso exigir que a pessoa tenha o mínimo de identidade com essa nova agenda”, afirmou Marina.

As declarações da presidenciável do PV foram dadas durante a inauguração do comitê central de campanha de Fabio Feldmann, que concorre ao governo do Estado de São Paulo pela sigla. Feldmann também criticou as declarações de Sérgio Guerra e disse que os adversários, de forma geral, têm “cabeça do século 20 e não podem compreender um programa do século 21”. “Os nossos adversários estão completamente defasados. Eles estão na época que era telefone fixo e não celular. Não tem outra explicação [para as críticas]. Depende de sua cabeça para pensar em como vai se enfrentar os desafios do século 21”, rebateu Feldmann.

O comitê do candidato verde funcionará na Praça Charles Miller, no Pacaembu, zona oeste de São Paulo. Durante a inauguração, a presidenciável do PV pediu votos para os candidatos do Estado e disse que precisará de políticos comprometidos quando ocupar o Planalto.

Gafe
Durante discurso da inauguração, Marina ainda corrigiu uma gafe cometida pelo vereador do Rio, Alfredo Sirkis, que é presidente do Partido Verde na capital fluminense. Num ato de gentileza política, Sirkis disse que gostaria de mudar seu título de eleitor para São Paulo, para poder votar em Fabio Feldmann. Contudo, o Rio já tem um candidato a governador pelo PV, que é o deputado federal Fernando Gabeira. Durante o processo de escolha do vice, Gabeira e Sirkis chegaram a se estranhar dentro do partido, causando mal-estar de ambas as partes. Para que a frase de Sirkis não fosse mal interpretada, Marina tentou corrigir o companheiro de sigla: "Para não ficar dúbio, o que o Sirkis quis dizer é que ele queria ter dois votos, porque lá no Rio ele vota é no Gabeira", disse Marina.

Durante a coletiva de imprensa, Sirkis tentou amenizou a força de sua expressão de apoio a Fabio Feldmann e confirmou que vota com todo entusiasmo em Gabeira. "Eu quis dizer é que gostaria de fazer as duas coisas. Também sou candidato a deputado federal no Rio e não poderia jamais mudar o meu título", explicou.

Pesquisa
Mesmo com gafes e críticas, Marina Silva aproveitou a festa para comemorar o resultado da pesquisa Ibope/TV Globo , em que aparece em segundo lugar na corrida presidencial no Estado do Acre, única unidade da federação em que consegue superar a terceira colocação. Apesar de fazer pouquíssima campanha na região, a candidata, que é senadora pelo Estado, disse que tem uma relação muito especial com os acrianos. “São 35 anos de trabalho no Acre. Tenho uma imensa gratidão por tudo que o Estado fez por mim. Os meus adversários cada um tinha um jornal, uma rádio e uma televisão. Isso não mudou substancialmente. Mesmo assim consegui me eleger senadora da República gastando R$ 32 mil. É um trabalho coletivo que passa pela Igreja católica progressista, pelos movimentos sociais. Eu sou parte desse coletivo”, desabafou.

Nesta terça-feira Marina cumpre agenda pela manhã em São Paulo, onde participa de encontro com presidentes de bancos e entidades financeiras, organizado pela CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras) e pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos).

Na parte da tarde, Marina viaja para Brasília, onde participa do esforço concentrado de votações no Senado, onde serão votados o projeto que estende a licença maternidade novas mães em até seis meses e o projeto da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para os profissionais da imprensa.

A candidata deve voltar no mesmo dia para São Paulo, onde se recolhe para se preparar para o primeiro debate entre os presidenciáveis, que acontece quinta-feira na Tv Bandeirantes, em São Paulo. O debate será transmitido para todo o Brasil a partir das 21h45. José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e a própria Marina Silva já confirmaram presença.

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