Marina quer corte de gastos públicos para ajudar controle da inflação

A candidata do PV defendeu que os gastos com corrupção sejam direcionados para investimento na educação

Valor Online |

A candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, defendeu hoje a redução dos gastos públicos como ferramenta de controle da inflação, de forma a auxiliar o atual mecanismo de ajuste da taxa básica de juros.

AE
Marina Silva durante "Almoço do Empresário", na Associação Comercial do Rio de Janeiro
Questionada sobre que gastos poderiam ser reduzidos, Marina citou um genérico "todos os gastos da ineficiência", para em seguida cobrar mecanismos de controle e transparência, que ajudem também a reduzir a corrupção."Gasta-se quase 3% do PIB só com corrupção. Só com isso poderíamos elevar o investimento na educação para 8% do PIB, porque hoje só investimos 5%", frisou a candidata, que participou de almoço na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

Apesar de elogiar o programa de propostas entregues pela direção da ACRJ aos candidatos à presidência, Marina deixou claro que discorda de ao menos um ponto, o de retomada do processo de privatizações. "A sociedade brasileira já fez o seu freio de arrumação em relação às privatizações", ponderou, destacando que a sociedade se posicionou contrariamente às privatizações de Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, que acabaram não acontecendo. Ao mesmo tempo, lembrou que as alienações de estatais à iniciativa privada que foram concretizadas se mostraram bem-sucedidas.

Neste sentido, a candidata ao Planalto rechaçou a criação de estatais em meio ao processo eleitoral, o que, segundo ela, acaba por atropelar o período de discussão das medidas com a sociedade. Além disso, frisou que a criação de qualquer estatal tem que estar ligada à necessidade de atender uma demanda carente na sociedade e que não pode ser suprida pela iniciativa privada. "Nós não podemos tolher a iniciativa privada", disse Marina. "Não tenho avaliação técnica em relação ao mérito, mas, por princípio, acho que a proliferação de mais e mais empresas talvez não seja a saída para os problemas brasileiros", acrescentou, ao ser questionada sobre a intenção do governo de criar uma empresa no setor de seguros, o que se configuraria na 12ª estatal nascida no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sobre o pré-sal, Marina também argumentou que o ideal é que a discussão sobre o modelo de partilha de produção no Congresso fosse deixado para a próxima legislatura, de forma a evitar a contaminação pelo período eleitoral. "As pessoas querem resolver problemas de reforma tributária com o pré-sal. Aí não tem como", destacou.

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