Marina: "país está à beira de um apagão de recursos humanos"

Em almoço com empresários no Rio de Janeiro, a candidata do PV à Presidência criticou a falta de investimentos em educação

Samia Mazzucco, iG Rio de Janeiro |

A candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva, afirmou durante almoço na Associação Comercial do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (13), que o país está “à beira de um apagão de recursos humanos”, referindo-se à falta de investimentos em educação, especialmente na formação de professores.

Ela reforçou a criação de bases para o desenvolvimento “de todas as potencialidades ( dos alunos )”. Em seu discurso, Marina lembrou o mau desempenho do Rio no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), e afirmou que o país melhorou nos últimos 16 anos em quantidade de alunos matriculados no ensino fundamental, mas não em qualidade.

A candidata, que elogiou o desenvolvimento econômico do governo FHC e o desenvolvimento social do governo Lula, disse que, caso eleita, vai “manter e aperfeiçoar os acertos, corrigir os erros e enfrentar os novos desafios”. “Vamos controlar a inflação não só com a taxa de juros, mas com a redução de gastos públicos também”, afirmou a verde, citando como exemplo o gasto de 3% do PIB com corrupção. “Com esse corte, já elevaríamos o investimento com educação para 8%.”

Marina também defendeu a importância de um estado mobilizador, que invista na profissionalização. “Temos que ter um estado que não faz desperdício, que não é provedor nem puramente fiscalizador”, disse, para defender, em seguida, a que as pessoas não dependam do Bolsa Família.

A candidata afirmou que fica encabulada quando é questionada se tira votos de José Serra (PSDB) ou Dilma Rousseff (PT). “O voto é do eleitor, não tiro de ninguém.” A presidenciável afirmou que governar o Brasil é um desafio que não pode ser feito por um só partido. “Se eu ganhar quero os melhores do PT, PSDB e até do PMDB, que existem.”

Marina também afirmou que o país passa por uma “deterioração do patrimônio ambiental”. Ela defendeu o aumento da produtividade, sem destruição de florestas, tendo o incremento da produção industrial com o uso da tecnologia.

Sobre pré-sal, Marina defendeu a criação de um marco regulatório. “O benefício deve ser para o país, com investimento, principalmente, em tecnologia para a energia que o substituirá ( o petróleo ).”

Questionada sobre as privatizações promovidas no governo FHC, ela afirmou que a “sociedade já fez o freio em ações que estavam exorbitantes, como Petrobras e Banco do Brasil”.

Com relação à criação da Empresa Brasileira de Seguros proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela afirmou não ter conhecimento de uma avaliação técnica para falar a respeito. 

Otimismo de Lula

Após o almoço, durante visita ao Comitê Olímpico Brasileiro, onde foi recebida pelo presidente do órgão, Carlos Arthur Nuzman, que apresentou o projeto olímpico da cidade, Marina comentou o otimismo do presidente Lula sobre Dilma vencer as eleições já no primeiro turno, relatada nesta terça-feira pelo senador José Sarney (PMDB).

"Enquanto alguns já estão otimistas antes de começar uma partida, prefiro estar me esforçando e treinando para que a gente possa fazer bonito nessas 'olimpíadas democráticas' de 2010", disse.

Questionada se o comentário significaria que Dilma estaria usando "salto alto" na campanha, a senadora desconversou. "Para essa caminhada prefiro um salto mais baixo. Não sei o tipo de salto que ela está usando", disse. 

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