Marina: Mantega demorou para ter proposta para Receita

A candidata do PV disse que as medidas anunciadas fazem parte de uma proposta apresentada originalmente por ela

Agência Estado |

selo

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva , afirmou hoje que os novos procedimentos apresentados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para aumentar a segurança dos dados sigilosos dos contribuintes na Receita Federal fazem parte de uma proposta apresentada originalmente por ela. "Fiquei quase um mês pedindo para o ministro se pronunciar (...) Ontem ele se pronunciou e eu fiquei feliz porque ele se pronunciou. Eu vi que ele não pronunciava porque não tinha proposta", disse Marina, durante encontro com empresários na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

Agência Estado
A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, faz camanha em Belo Horizonte (MG)
Mantega anunciou a criação de uma lista com nomes de "pessoas politicamente expostas", cujos dados serão mais protegidos, e um sistema de alerta para acessos não usuais. O anúncio foi feito após a violação de dados fiscais sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e de pessoas ligadas ao candidato tucano à Presidência, José Serra.

Mas a presidenciável do PV avaliou que as medidas estão sendo tomadas tardiamente. "Já deveriam ter sido tomadas há muito tempo. E a investigação deve continuar com isenção e todo rigor para a punição dos culpados", ressaltou.

Marina disse que ficou "estarrecida" quando o episódio foi apontado como corriqueiro pelo ministro. "Disse que se deveria criar um sistema semelhante ao que acontece com a conta bancária e o cartão de crédito, em que se você tem qualquer entrada na sua conta bancária você é notificado, você sabe aonde, quando e o porquê. A mesma coisa deve ser para a Receita. Não deve ser tratado como banal. Eu fiquei estarrecida quando vi que isso era banal, sugeri uma proposta, que me parece que foi encaminhada."

Retrocesso

Sempre reiterando que não pretende entrar no que chama de "vale-tudo" da disputa entre Dilma Rousseff (PT) e Serra, Marina defendeu o funcionamento neutro das instituições durante o período eleitoral. "É preciso preservar a equidade na política a partir das instituições."

Ela evitou comentar a ofensiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para blindar Dilma das denúncias de tráfico de influência que atingem a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, bem como a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que acusou o presidente de agir como "chefe de facção" durante a campanha eleitoral. Para Marina, após os avanços na área econômica e social durante os governos FHC e Lula, o País não pode viver um "retrocesso" na política.

Segundo ela, a função de qualquer agente público é viabilizar as políticas públicas. "E, ao mesmo tempo, o funcionamento de forma neutra das instituições. Preservar o direito de expressão dos diferentes segmentos da sociedade", destacou, ao ser questionada sobre as declarações de Fernando Henrique. "Posso discordar radicalmente desse ou daquele partido, dessa ou daquela pessoa, mas vou defender com firmeza sempre que ele tenha o direito de se manifestar e de se organizar."

Mais uma vez, a candidata do PV disse que a ocorrência de um segundo turno - ao invés de uma "decisão açodada" em primeiro turno - na eleição presidencial seria benéfico para a sociedade.

"Precisamos fazer uma discussão sobre o Brasil que nós queremos. Um País que assegure direitos, o direito inclusive a um funcionamento neutro das instituições durante o período eleitoral. A função dos governantes é de assegurar políticas públicas, mas também o bom funcionamento das instituições", insistiu. No encontro com empresários, Marina prometeu limitar o crescimento do gasto público à metade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

José Dirceu

Já durante visita a Ouro Preto, a 98 quilômetros da capital mineira, a candidata do PV criticou hoje as declarações do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, para quem o problema do País é o "excesso de liberdade de imprensa e de expressão". Sem citar diretamente o petista, Marina afirmou que a verdadeira democracia ocorre com "cada um defendendo sua ideia".

Marina usou o principal símbolo da cidade, o alferes Tiradentes, para criticar qualquer tipo de propostas de cerceamento à liberdade de expressão. De acordo com ela, essa liberdade é essencial para o funcionamento de uma real democracia.

"Aqui a gente sempre remete ao sonho de Tiradentes. Era uma luta contra a exploração, contra os tributos pesados, mas era, acima de tudo, para que se pudesse viver com dignidade, com liberdade. Eu posso até discordar da ideia de outra pessoa, mas vou defender radicalmente o direito de ela manifestar a sua posição contrária à minha", ressaltou.

Marina visitou um centro cultural na cidade pouco antes de participar de um corpo a corpo com eleitores na praça que leva o nome do alferes. Segundo a presidenciável, independentemente das declarações de Dirceu, até hoje o País não vive essa realidade. "Esse Brasil da liberdade democrática continua sendo nosso grande sonho, para que possamos ter liberdade social, cultural, política. Para que a gente possa debater, com respeito, aquilo que é melhor para o Brasil."

    Leia tudo sobre: Eleições Marinaeleições Dilmapleito 2010Mantega

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG