Marina lança biografia em SP e nega uso eleitoral do livro

O livro sobre a vida de Marina é salpicado de criticas à Dilma Rousseff, mas a candidata nega que a obra seja instrumento político

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Apontado pelos críticos como instrumento de marketing eleitoral, o livro "Marina – a vida por uma causa", escrito pela jornalista Marília de Camargo César, foi lançado nesta segunda-feira em São Paulo com a presença da candidata Marina Silva , presidenciável do PV. O lançamento da biografia sobre a vida da senadora acriana aconteceu na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, onde Marina autografou os livros ao lado da autora, recebendo amigos, fãs e partidários.

AE/MONICA ALVES
O livro "Marina, A Vida por uma causa" (editora Mundo Cristão), lançado na noite desta segunda-feira (09) em São Paulo: críticas sobre o caráter eleitoral da biografia
Apesar da presença massiva de membros do Partido Verde e da distribuição de santinhos da candidata durante o coquetel, Marina negou veementemente que o livro seja um instrumento de propaganda política. Segundo a candidata, a obra já estava sendo confeccionada quando ela decidiu pleitear a presidência da República, migrando do PT para o PV. “O livro já estava feito antes, era um projeto da editora. Diversas vezes eu não tinha condições de fazer as entrevistas e queria parar. A Marília (autora) persistiu porque queria terminar o projeto. Por mim e pelo meu tempo, nem tínhamos terminado se não fosse a persistência dela”, justificou Marina.

Com 256 páginas, o livro conta as principais passagens da vida de Marina Silva. Entre os pontos mais polêmicos estão os conflitos que levaram a senadora a deixar o governo Lula, onde ela ocupava o cargo de ministra do Meio Ambiente. A biografia detalha o processo de saída, salpicando críticas a rival Dilma Rousseff , que era ministra chefe da Casa Civil na mesma época e hoje também disputa a presidência da República.

Apesar de não discordar da opinião expressa na obra, Marina diz que as críticas à Dilma Rousseff são de inteira responsabilidade da autora. “O livro também tem depoimentos contrários a mim. Esse foi o olhar da Marília. Num processo de criação literária tem as escolhas do autor. Eu defendo essa liberdade de criação”, afirmou Marina.

Humanização

O livro sobre a vida da candidata do PV dividiu até membros do Partido Verde e da campanha de Marina. O candidato pelo Senado por São Paulo, Ricardo Young, amigo pessoal da senadora, acha perfeitamente razoável o lançamento de biografias sobre os candidatos durante o período eleitoral. Young lembra as recentes biografias de Barack Obama e Hillary Clinton, lançadas nos EUA durante as prévias do Partido Democrata, como exemplo de literatura aliada ao processo político. “Nos EUA isso é uma tradição e faz parte de um esforço de popularização e humanização dos candidatos. O público só tem contato com eles através das mídias tradicionais e dos jornais, mas quer saber da vida pessoal de cada um deles. A biografia ajuda a humanizar o candidato e todo o processo eleitoral”, argumenta Young, uma das fontes consultadas pela autora durante a confecção do livro.

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A candidata à presidência da República, Marina Silva (esq.), junto de seu vice, Guilherme Leal, e da escritora Marília de Camargo César (dir.), autora da biografia
O cineasta Fernando Meirelles, que é consultor informal de Marina na produção de vídeos da campanha, diz que não vê estratégia de marketing político no lançamento do livro. Autor do prefácio da obra, Meirelles admite, porém, que a biografia auxilia muito na divulgação da candidata. “Acho ótimo (esse lançamento) porque a Marina tem muito pouco tempo de tv para se apresentar e dizer de onde ela veio. Os programas terão um pouco de biografia, mas é aquele um minuto que não dá pra dizer muita coisa. Nem todo mundo lê livro, mas quem se interessar vai poder ver a história completa”, afirma Meirelles.

Diretor aclamado pela crítica, Meirelles não esconde sua curiosidade também pela vida de Dilma Rousseff. Para o cineasta, a trajetória da presidenciável do PT daria uma ótima biografia, especialmente pela passagem dela pelos grupos de resistência contra a ditadura militar. “Muita gente gostaria de saber sobre o lado psicológico dela. Para uma pessoa chegar onde chegou, passando por várias torturas, precisa de um lado psicológico muito forte. Mas nessa altura, ela teria que esconder parte da sua vida para a oposição não cair de pau. Para ela é melhor ficar escondidinha, não ir a debates. Quanto menos exposição, melhor para ela”, analisa o cineasta, que por muitos anos foi diretor de filmes publicitários.

No meio do tiroteio sobre o livro “Marina – a vida por uma causa", o presidente da editora Mundo Cristão, responsável pela publicação da obra, diz que o projeto não tem objetivo de desqualificar nenhum dos candidatos. Mark Carpenter assume que o interesse de lançar a obra nesse momento foi meramente comercial. “Sempre que uma pessoa está em evidência e você lança uma biografia naquele momento, é claro que a propensão de vender mais é maior”, justifica. “Não houve uma estratégia de marketing editorial porque ninguém imaginaria que ela seria candidata à Presidência da República. O que houve foi uma confluência de fatores”, minimiza Carpenter.

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