Primeira "Casa de Marina" na cidade é em favela afetada por desmoronamento nas chuvas ocorridas em abril

Acompanhada pelo candidato ao Governo do Estado pelo PV, Fernando Gabeira, pelo presidente do da do partido no Rio de Janeiro, Alfredo Sirkis, e pela vereadora Aspásia Camargo, a candidata à Presidência pela legenda, Marina Silva, inaugurou na manhã desta sexta-feira (9) a primeira “Casa de Marina” no estado. O comitê fica no Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, no centro da capital. As “Casas de Marina” são comitês informais em casas de voluntários que apoiam a candidatura da senadora.

Durante a inauguração, Marina e Gabeira elogiaram as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), implantadas durante o governo Sérgio Cabral (PMDB) em comunidades antes dominados por facções criminosas. A senadora, no entando, defendeu que o projeto seja expandido "na escala necessária para atender as comunidades que vivem sob área de risco".

"As seguranças urbana e pública se resolvem na parceria do Governo Federal e os estaduais. Uma cidade como o Rio tem que ter uma segurança pública que trabalhe da forma como as UPPs estão trabalhando. Mas é preciso pensar a segurança nos seus diferentes aspectos, com trabalho de prevenção, inteligência e na ação repressiva", afirmou a senadora.

Gabeira disse considerar as UPPs "uma boa saída". O deputado federal ressaltou, no entanto, que com a expulsão do tráfico outros problemas passam a ser enfrentados pela comunidade. "Como a violência contra as mulheres”, exemplificou.

Marina agradeceu o apoio do proprietário do imóvel onde foi instalado seu comitê, Flávio Minervino, 44 anos, que mora no Morro dos Prazeres desde que nasceu. Segundo a candidata, a escolha da comunidade, uma das que mais sofreu com o desastre das chuvas em abril, foi feita justamente porque o lugar necessita de boas soluções.

“É preciso que sejam feitos estudos técnicos para verificar o grau de vulnerabilidade da comunidade, tanto do ponto de vista ambiental quanto social”, disse a candidata.

Apesar de morar em uma área de risco, Minervino afirmou que não pretende sair do local onde cresceu, "apesar das ameaças de remoção da Prefeitura".

Caminhada no centro

Após a inauguração, Marina seguiu para o Centro do Rio, onde fez um corpo a corpo com eleitores no Largo da Carioca.

Durante a caminhada, ela recebeu uma homenagem de um saxofonista, que tocou a música "Marina Morena" de Dorival Caymmi, na entrada da estação Carioca do metrô. "Você me convenceu que sem censura sou bonita, com o que Deus me deu", disse a senadora ao músico, entregando-lhe R$ 10.

Um vendedor de biscoitos pediu um adesivo para a senadora e disse que votaria nela. A candidata, então, deu o adesivo a ele, que o colou no carrinho, e anunciou o primeiro "Carrinho de Marina", referindo-se aos comitês informais nas casas de voluntários.

A candidata foi reconhecida pelo público que passava pelo local, um dos mais movimentados do centro do Rio, porém, não houve tumulto ou grande comoção entre os passantes.

Questionada sobre a proposta do senador Paulo Paim (PT-RS) para a LDO, que pretende vincular o aumento dos aposentados ao aumento do salário mínimo, ela disse não conhecer a proposta, mas que iria analisá-la. "Os aposentados merecem um processo de recuperação para readquirir seu poder aquisito, mas isso tem que ser feito de forma equilibrada porque sabemos que a previdência tem um grave déficit", disse.

Tensão na comunidade

A equipe da rádio CBN que acompanhava a senadora durante a visita ao Morro dos Prazeres foi abordada por traficantes da comunidade, que não tem UPP e é dominada pela facção criminosa Comando Vermelho.

Ao errar o caminho, a equipe parou ao ver um homem armado e com um rádio transmissor. Seguindo as orientações de um morador, o carro se dirigiu então para o local onde estava a candidata e foi abordado no caminho. Desta vez, cinco homens com rádios transmissores perguntaram para onde a equipe ia. Ao serem informados que estavam ali para acompanhar a visita de Marina, tiveram a passagem liberada.

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