Marina diz que vai exonerar assessora flagrada pedindo votos

Servidora locada no gabinete da senadora, em Brasília, é uma das responsáveis pela divulgação de campanha entre os evangélicos

Rodrigo Rodrigues, enviado a Bauru |

A candidata do PV, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira que vai exonerar de seu gabinete no Senado a servidora identificada como Jane Maria Vilas Boas, flagrada pela reportagem do iG participando de atividade de campanha em Bauru, no interior de São Paulo, em pleno horário de expediente. A servidora é uma das responsáveis pela divulgação de uma campanha que pretende popularizar Marina entre os eleitores cristãos evangélicos.

Pouco antes do encontro que Marina fez com lideranças evangélicas nesta quinta, em Bauru, a servidora que está locada desde 2008 no gabinete da senadora acriana, apresentou aos religiosos presentes uma campanha para introduzir a imagem da candidata entre os eleitores evangélicos.

Usando uma apresentação em powerpoint, Jane pediu ajuda aos pastores presentes para que ajudem na popularização das ideias de Marina entre os fiéis de suas igrejas. A ideia, segundo a servidora, é criar na internet uma rede de cristãos apoiadores da candidata verde, que também é evangélica da Assembleia de Deus.

Na apresentação, Jane disse que Marina ainda é desconhecida dos cristãos evangélicos e que suas ideias e compromissos com a comunidade merecem mais apoio do grupo. Ela frisou que Marina não é apenas a candidata de um grupo religioso, mas disse que cada presente pode ajudar na divulgação da candidata em seus núcleos religiosos e familiares, a fim de alavancar as intenções de voto na presidenciável do PV. O nome do projeto está sendo chamado de “Exército de Gideão”, em referência ao episódio bíblico em que uma pequena tribo nomeada por Deus luta contra a invasão de suas terras por tropas midianitas do Oriente Médio.

Em entrevista coletiva, Marina disse que a ideia do portal cristão não saiu do núcleo de sua campanha e que, portanto, não se trata de uma estratégia nova do PV de atrair os votos dos evangélicos. “É um movimento independente deles, assim como o Movimento Marina Silva e as Casas de Marina. É uma estratégia da sociedade, com quem tenho feito uma aliança estratégica. Graças a Deus, não tenho usado os púlpitos (religiosos) para fazer campanha. Todo mundo tem o direito de se organizar”, disse Marina.

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo
A servidora Jane Maria Villas Boas, durante evento com lideranças religiosas de Bauru (SP), onde pedia votos para a candidata Marina Silva
Apesar de dizer que se trata de um movimento independente, Marina admitiu que a servidora tem vínculos com seu gabinete e que, portanto, deveria estar trabalhando no Senado. Ela disse que a assessora voltou cedo para Brasília e que não recebe pelos dias que participa da campanha. "Tenho dois servidores que trabalham comigo e que abriram mão de seus salários para participarem da campanha. Não é fácil ficar sem receber, mas foi uma opção feita por mim e por eles para que pudéssemos fazer a campanha com todo o respeito a ética pública”, explicou a candidata. “Daqui pra frente precisarei de outros assessores, que também serão exonerados. Inclusive já contratei outros dois servidores para o lugar de Basileu e Carlos, que estão comigo na campanha", afirmou.

A assessora Jane Maria Vilas Boas também será exonerada, segundo Marina, e incorporada à equipe de campanha da candidata.

O secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, que acompanhou a candidata durante todo o dia de campanha em Bauru, também foi questionado sobre o motivo de sua ausência do gabinete, já que não se afastou da secretaria nesse período eleitoral. Coordenador das propostas de Marina na área de saúde, o secretário limitou-se a dizer: “Trabalho quase 20h por dia, todos os dias. Trabalho sábado e domingo. A rigor a Prefeitura está me devendo uns 10 anos de trabalho".

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