Marina diz na TV que não foi conivente com o mensalão de 2005

No Jornal Nacional a candida do PV disse que sua permanência no governo após o escândalo foi para combater a corrupção por dentro

iG São Paulo |

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva , negou nesta terça-feira que tenha sido conivente com o mensalão ao permanecer no governo federal durante o escândalo de compra de votos, em 2005. A declaração foi dada no Jornal Nacional , onde a candidata foi entrevista por 12 minutos.

Marina disse que permaneceu no governo naquela época porque achava que podia combater a corrupção dentro da máquina pública. “Não foi conveniência nem silêncio. Permaneci para dar a contribuição que eu achava que ainda poderia dar dentro do governo. Dentro do PT tinha muita gente que combatia junto comigo. Permaneci no partido e fiquei igualmente indignada”, disse Marina.

Agência Estado
A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, durante encontro com o candidato ao governo do Rio pelo PV, Fernando Gabeira, nesta terça-feira (10)
Apesar do escândalo de corrupção que abateu o governo federal no ano de 2005, a candidata Marina Silva só deixou o Partido dos Trabalhadores e o governo no ano passado, quando foi convidada pelo PV para ser candidata à presidência. Durante a entrevista no JN, Marina justificou a saída do ministério dizendo que não tinha apoio no partido ou do governo para lutar em favor das causas ambientais.

Embora o tema “mensalão” tenha tomado conta da maior parte da entrevista, a presidenciável do PV ainda teve tempo de negar que sua candidatura seja apenas para marcar posição sobre as questões ambientais do País. “Nosso projeto é para as questões emergenciais do Brasil. É para chamar atenção da sociedade brasileira para as coisas que nós estamos vivendo hoje, como deslizamentos e enchentes”, afirmou Marina.

Licenças e alianças

Sobre a lentidão para a liberação de licenças ambientais durante sua gestão no Ministério do Meio Ambiente, Marina alegou que assumiu a pasta com muitas deficiências e com falta de pessoal. "O ministério estava desestruturado e eu tinha que fazer concurso e criar várias diretorias. Só que quando  comecei a arrumar a casa, aumentou significativamente os pedidos de licenças. O governo anterior tinha uma média de 145 licenças expedidas por ano, na minha gestão foram 265 licenças por ano", justificou.

A falta de alianças de Marina também foi tema da pauta dos entrevistadores do Jornal Nacional. A candidata disse que a ausência de partidos aliados nesse periodo eleitoral não impedirá o sucesso de seu eventual governo, caso seja eleita em outubro. Marina voltou a criticar as alianças feitas por Dilma e por Serra e disse que é possível "governar com os melhores do PT e do PSDB". "Nós temos que acabar com esa ideias da situação pela situação e da oposição pela oposição. Quero trabalhar a favor do Brasil e estabelecer o ponto de união entre essas forças", afirmou.

A entrevista ao Jornal Nacional faz parte de uma série de sabatidas realizadas pelo telejornal da Tv Globo durante essa semana. A primeira ouvida pelos jornalistas William Bonner e Fátima Bernardes foi a candidata do PT, Dilma Rousseff, que foi entrevista ontem. Depois de Marina, o próximo a ser entrevistado será o candidato José Serra (PSDB), nesta quarta-feira. As entrevistas duram sempre 12 minutos e discorrem sobre temas espinhosos e caros aos candidatos. A ordem dos entrevistados foi definida em sorteio.

Além da entrevista no JN, Marina foi sabatinada no Jornal das Dez, do canal a cabo GloboNews , onde defendeu alternativas de energia para o País. A candidata criticou a insistência do governo em construir a hidrelétrica de Belo Monte (Pará) e em investir em produção de energia nuclear. "Hoje dependemos de Belo Monte. E amanhã, vamos depender de quem? Se for eleita, o Brasil vai sair desse apagão que ameaça todo ano”, afirmou.

Encontro no Rio

Antes das entrevistas na Rede Globo , Marina se encontrou com o candidato ao governo do Rio pelo PV, Fernando Gabeira. Indagada sobre sua proposta de destinar 7% do PIB (Produto Interno Bruto) para a Educação, Marina disse que pretende cortar os desperdícios, como excesso de viagens e obras do governo federal.

A presidenciável verde também voltou a criticar a postura do Brasil em relação ao Irã, dizendo que o País tem dado "audiência desnecessária a um governo que desrespeita os direitos humanos e que tem o objetivo claro de construir uma bomba atômica".

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