Marina deixa em aberto se acatará decisão da convenção do PV

A senadora repudiou oferta do PSDB de concessão de ministérios em um eventual governo Serra

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Depois de uma reunião com lideranças da sociedade civil e apoiadores de campanha, a senadora Marina Silva concedeu entrevista coletiva em São Paulo e deixou em aberto a decisão sobre se vai ou não apoiar o posicionamento que o Partido Verde tomará na convenção do próximo dia 17 .

Segundo Marina, ela está ouvindo todas as pessoas e entidades que fizeram parte da sua candidatura à Presidência da República, num processo “à parte e independente” da decisão do partido.

Rodrigo Rodrigues
Marina Silva concede entrevista sobre apoio no 2º turno

Nessa quarta-feira ela teve uma primeira reunião com o que chama de “núcleos vivos da sociedade”, em que ouviu a opinião de mais de 80 pessoas ligadas ao seu projeto político, como o pensador Leonardo Boff, os arquitetos Nabil Bonduki e Raquel Rolnik, o ambientalista Eduardo Jorge, o antropólogo Beto Ricardo, a socióloga Neca Setubal e Marcio Santini, ex-presidente da Funarte, entre outros.

Ao final do encontro, Marina disse que a decisão de apoiar ou não uma candidatura será “um processo” e, como tudo em sua vida, “exigirá amadurecimento e diálogo”.

“Obviamente que num processo democrático há sempre a possibilidade da convergência e da divergência. Se houver um acordo, será baseado em programas, mais em hipótese alguma em divisão de cargos”, disse Marina.

A senadora do PV repudiou a oferta feita pelo PSDB, que já teria deixado claro que concederia quatro ministérios em um eventual governo de José Serra. Por meio de conversas com a direção nacional do partido, o tucanos teriam oferecido a pasta das Cidades, Cultura, Meio Ambiente e Educação em troca de apoio.

 “As pessoas que votaram em mim estão buscando a nova política. Não conheço essa linguagem de troca de cargos, que é a linguagem da velha política que eu tanto critiquei”, avaliou a senadora.

Marina disse ainda que a não reeleição dos senadores Tasso Jereissati e Arthur Virgilio, ambos do PSDB, é sinal justamente da política nefasta praticada pela oposição nos últimos oito anos. “As pessoas estão dizendo claramente através das urnas que não é situação por situação, senão teria ganho a candidata do presidente que tem mais de 80%. E nem é oposição por oposição, senão teriam sido eleitos as principais referências do projeto que durante oito anos fez oposição por oposição”, argumentou ela sobre os dois senadores tucanos.

PT

Questionada sobre a influência que sua trajetória dentro do PT terá numa eventual decisão de segundo turno, Marina disse que o que vai pesar será uma nova agenda para o País.

“Sai do PT com muita dor. Mas foi em nome desses valores que eu defendia que agora, que, mesmo com o coração sangrando, eu vim para esse processo. O que vai pesar pra mim são os compromissos com a nova política, com a nova agenda, com uma nova postura, onde os valores não estão separados dos meios que nós vamos utilizar para chegar aos objetivos que temos”, afirmou.

Críticas

Marina voltou a criticar a falta de plano de governo de Serra e Dilma no primeiro turno e disse que espera que eles apresentem uma plataforma política antes de o PV sinalizar com qualquer apoio. Ela lembrou que o partido pretende apresentar uma plataforma mínima para os adversários. O documento deve contemplar assuntos com o Código Florestal, a liberdade de imprensa e o compromisso com o que ela chama de “Revolução na Educação”.

“Lutei até o final pelo segundo turno, para que o Brasil tenha um debate a altura do que ele merece. Essa também é a oportunidade para que os candidatos mudem e apresentem, de fato, seus projetos e propostas para o Brasil”, avaliou Marina.

Ao final da coletiva, a candidata concedeu uma entrevista por telefone para a Rádio BandNews FM, onde que não levará apenas em conta a amizade que tem com petistas e tucanos para apoiar algum dos candidatos. “A gente não pode confundir amizade e respeito com o que é preciso fazer e o que é bom para o Brasil”.

A candidata também disse que sua decisão não se condicionará a uma eventual candidatura à presidência em 2014. Ela também deu a entender que, se houver apoio a um dos candidatos, não subirá a palanques de adversários. “Será um apoio pragmático e baseado apenas em propostas”, concluiu. 

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