Marina defende oferta de asilo a iraniana condenada à morte

Candidata do PV alega afirmação dos Direitos Humanos como valor independente de interesses econômicos e políticos

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, defendeu a iniciativa brasileira de oferecer asilo político para a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento no Irã.

Agência Estado
Marina Silva durante evento em SP
Em evento com a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) nesta terça-feira, a presidenciável afirmou que a oferta do presidente Lula à iraniana é uma forma de reposicionar o Brasil frente a opinião pública internacional, já que a proximidade entre Lula e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, causou grande estranheza entre as lideranças políticas globais.

“Essa oferta de asilo talvez seja uma tentativa de reposicionar a atitude do Brasil frente à necessária afirmação de defesa dos Direitos Humanos como um valor inegociável para nós, independente dos nossos interesses econômicos, sociais, ideológicos e políticos”, disse Marina.

Apesar das críticas da mídia estatal iraniana de que a oferta brasileira interfere nas leis e nos assuntos do País, a presidenciável do PV considera a oferta plausível: “Quando você oferece uma possibilidade, não está interferindo. Obviamente que o Brasil não tem como ir lá e resgatar a pessoa. Aí seria uma interferência. Mas ser aberto para receber, é isso que as democracias fazem quando os Direitos Humanos estão sendo aviltados”, argumentou a candidata.

Agenda financeira
Marina Silva foi a primeira convidada da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) para o encontro do CNF, que tenta aproximar os empresários do setor financeiro com os candidatos à presidência da República. Além de Marina, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) foram convidados para o encontro e devem participar até o final da campanha. Durante discurso no evento, a candidata do PV reafirmou ao setor que manterá a atual tripé econômico, que inclui a manutenção da política econômica, a preservação da autonomia operacional do Banco Central e o câmbio flutuante.

Sobre a autonomia institucional do Banco Central, a candidata defendeu o atual modelo e disse que a autonomia operacional é o modelo adequado. “Institucionalizar essa autonomia talvez não seja a melhor saída. O que é preciso é o manejo das ferramentas econômicas”, afirmou.

Fabio Babosa, que é presidente da Febraban, elogiou o discurso da candidata e disse que as propostas foram muito bem recebidas pelos banqueiros. O executivo, que também é presidente do banco Santander, afirmou que é cedo para comparar as idéia de Marina com as dos outros candidatos, já que ainda faltam debates entre eles. “O debate desta quinta é essencial para que possamos conhecer as propostas de todos eles e podermos discutir o melhor modelo que queremos para o Brasil do futuro”, disse Barbosa.

PAC

Diferente dos outros eventos em que participou até aqui, Marina Silva apenas leu o discurso previamente preparado para o evento. Pouco a vontade na mesa em que dividia com o vice Guilherme Leal e com Fábio Barbosa, a candidata demonstrou desenvoltura ao ser interpelada sobre as propostas de manutenção da atual política econômica. Porém, ao ser questionada sobre propostas de microcrédito, preferiu deixar a tarefa para o vice, alegando falta de voz.

Após o evento, Marina respondeu várias perguntas dos jornalistas e não polpou críticas ao PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Para a candidata, o projeto do governo federal, carro-chefe da campanha da petista Dilma Rousseff, é apenas um programa de administração de obras.
“Estamos vivendo uma série de dificuldades de infraestrutura que vai desde o setor elétrico até os programas ligados aos aeroportos. É importante que tenhamos gerenciamento, mas isso não é o suficiente”, argumentou.

Na opinião da presidenciável do PV, os problemas que ocorrem nos aeroportos são conseqüência dos gargalos de infraestrutura do Brasil. Para ela, o marco regulatório que direciona a relação entre Estado e os investidores privados para a construção e reforma de aeroportos no País não é suficientemente transparente. “Ainda há uma insegurança jurídica que impede os investimentos e que podem prejudicar as obras para a Copa de 2014 e os Jogos de 2016”, justificou.

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