Marina defende Constituinte para fazer reforma política

Marina chama de "consenso oco" unanimidade em defesa das reformas política, tributária e trabalhista, mas reconhece dificuldades

AE |

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, defendeu nesta quarta-feira a criação de uma Assembleia Constituinte para a realização de reformas, entre elas a política. Em evento da União Geral dos Trabalhadores (UGT) em São Paulo, Marina chamou de "consenso oco" a unanimidade em defesa das reformas política, tributária e trabalhista, mas lembrou que os temas são de difícil implementação.

"Uma boa parte das pessoas diz que é favorável (às reformas). Isso virou um consenso oco. Entra governo, sai governo, e (a reforma) não sai sequer do papel", criticou.

Para a candidata, a Constituinte pode ser um caminho para criar regras claras para o jogo político. "É por isso que a gente vive, durante as eleições, situações difíceis e constrangedoras, em que a legislação eleitoral é desrespeitada, às vezes pela ausência dos regras corretas", afirmou.

A candidata também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por usar eventos do governo para enaltecer as "qualidades" da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. "Um homem que goza de alta popularidade não pode ser usado para extrapolar a legislação eleitoral", afirmou.

Marina elogiou a UGT por não ter declarado apoio oficial a nenhum candidato à Presidência e, durante seu discurso, lembrou sua trajetória no movimento sindical, defendeu a reforma trabalhista e destacou as conquistas dos últimos governos, principalmente no combate à pobreza. "As conquistas devem ser reconhecidas, mas não podem ser usadas como complacência para as coisas que ainda não fizemos", afirmou.

A candidata defendeu também a criação de um "Estado necessário", que não seja apenas fiscalizador ou provedor, mas "alinhado às necessidades do nosso tempo".

Adversários

Marina elogiou o perfil de seus adversários na disputa. "Eles têm um perfil gerencial, têm um grande currículo, só que o Brasil é maior que o currículo e o passado deles", disse. A candidata criticou a troca de acusações e o vazamento de informações sigilosas, disse que prefere o debate ao embate. "Para que a gente vai ficar estragando o nosso tempo fazendo guerra de dossiês?", condenou.

Em uma plateia em que a maioria se diz petista, Marina pediu que os eleitores continuem mantendo a tradição de manter um "Silva" no poder. "O Brasil que já elegeu um sociólogo e um operário, que perdeu o medo de ser feliz, pode continuar ousando", disse.

Encontros e desencontros

O evento da UGT, que até ontem contava apenas com a participação confirmada de Marina Silva, teve de manobrar para evitar que os presidenciáveis se encontrassem e houvesse mal-estar. A petista não foi ao encontro, mas enviou como representante o deputado Aldo Rebelo (PCdoB). Marina teve de esperar quase uma hora para poder entrar no auditório e discursar. Já o tucano José Serra, que decidiu ir ao evento na última hora, teve de esperar a saída de Marina para receber o documento com as propostas da central sindical para o futuro governo.

Antes do evento, realizado no Hotel Jaraguá, centro de São Paulo, o presidente da organização, Ricardo Patah, pediu que os sindicalistas não hostilizassem os candidatos. "A UGT é plural e todos são ótimos candidatos", disse Patah.

Segundo Rebelo, Dilma não foi ao evento por desencontro de agendas. Como representante da petista, o deputado destacou o vínculo dos partidos da base da candidata com os trabalhadores. "Tenho certeza de que temos plena identidade com esse documento", afirmou.

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