Marina critica `vitimização¿ feita pelo PSDB na quebra de sigilos

Candidata do PV se solidariza com filha de Serra, mas diz que não se deve fazer nenhum pré-julgamento

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

A presidenciável do PV, Marina Silva, criticou nesta quinta-feira a “vitimização” feita pelo PSDB no escândalo da quebra de sigilos na Receita Federal. Embora tenha demonstrado solidariedade pela situação de Verônica Serra, filha do candidato tucano e uma das vítimas da quebra de sigilos, Marina disse que a crise não pode ser tratada apenas como “picuinha eleitoral”.

“Entre a condição de vítima (de Serra) e a omissão do ministro da Fazenda há uma sociedade que está vulnerável e que merece explicações”, disse Marina.

Perguntada sobre a forma como o PSDB está conduzindo a crise e sobre como o escândalo pode atrapalhar seu espaço na mídia, a candidata do PV disse que teme que a sociedade brasileira “continue à mercê apenas do interesse eleitoreiro”. “Essa política de conveniência faz com que as pessoas se sintam vulneráveis, sem saber o que está acontecendo. Se é uma situação de descontrole ou uma manobra eleitoral”, afirmou Marina.

Apesar de também se dizer pessoalmente vulnerável, a presidenciável verde criticou o insistente bate-boca entre Dilma e Serra sobre o escândalo e disse que as acusações que o tucano faz contra a adversária petista são precipitadas.

“Não podemos fazer nenhum pré-julgamento, sob o risco de combater o erro cometendo o mesmo erro”, justificou Marina. “Acho que apenas os indícios não bastam para que se tenha um julgamento peremptório. É fundamental que se tenha a apuração e a prisão dos culpados”, completou.

As criticas da candidata foram endossadas também pelo vice dela, Guilherme Leal. Ele lamentou o ocorrido com a família de José Serra, mas disse que “há um País para ser discutido e não podemos nos prender apenas a esse caso”.

Encontro oficial

Marina e Guilherme Leal se encontraram nesta quinta-feira com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, horas depois do encontro dele com o candidato tucano José Serra. O encontro entre a candidata verde e o presidente colombiano aconteceu no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Embora os jornalistas tenham sido convidados para o evento, a conversa entre Marina e Santos foi a portas fechadas. Ao final, apenas a presidenciável brasileira se manifestou. O presidente da Colômbia foi embora sem falar com os jornalistas. Apesar disso, Marina elogiou a postura de Santos em conversar com os três principais candidatos à Presidência do Brasil e disse que a atitude reflete o respeito da Colômbia. Segundo Marina, o gesto mostra o compromisso do diálogo, assumido por Santos ao tomar posse como presidente.

Televisão

Mais tarde, a presidenciável do PV concedeu entrevista ao telejornal SBT Brasil e voltou a falar sobre a quebra de sigilos na Receita Federal. A candidata cobrou um posicionamento público do ministro da Fazenda, que, segundo a candidata, se “omite” em relação à crise.

“As carreiras na Receita Federal são de Estado e feitas para protegerem o cidadão. O que nós vemos é uma situação de descontrole e o silêncio do ministro já é uma omissão e um desrespeito à sociedade”, afirmou.

Durante o dia, a assessoria da candidata divulgou um vídeo público feito pela candidata onde ela também pede um posicionamento do ministério da Fazenda sobre o assunto. O vídeo foi postado na página da candidata na internet.

Apesar das críticas, Marina voltou a dizer no SBT que a discussão sobre a crise na Receita não pode virar um “vale tudo de campanha”.

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