Marina critica "política do passado" de adversários

No pré-lançamento de sua candidatura, senadora defendeu um estado modernizador, a educação e pregou intolerância com a corrupção

Luiz Antonio Ryff, iG Rio de Janeiro |

A senadora Marina Silva apresentou hoje, na casa de shows Riosampa, em Nova Iguaçu, na baixada fluminense, sua pré-candidatura à Presidência. O empresário Guilherme Leal, atual presidente do Conselho de Administração da Natura, será seu companheiro de chapa. “Temos o vice dos nossos sonhos”, afirmou ela.

Fabrizia Granatieri
Marina Silva diz que candidatos pensam a política do século passado

Em seu discurso, ela colocou como bandeiras de campanha o desenvolvimento sustentável e a educação. Também defendeu o que chamou de “política cidadã”, com transparência, bom uso dos recursos e intolerância com a corrupção. Ela disse que quer ajuda da sociedade para controlar os gastos públicos.

Ela elogiou seus dois principais adversários, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), assim como os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, pelos programas sociais, e Fernando Henrique Cardoso, pela estabilidade econômica. “O Fernando Henrique Cardoso era um homem de visão, igualmente como o Lula foi”, elogiou, contando que muita gente a adverte para o risco de perder votos com os elogios a FHC, afinal, “nem o PSDB dá o crédito do Plano Real a ele”, ironizou. “Mas não faço isso para ganhar votos. Faço por Justiça. Temos que respeitar os nossos oponentes. Defendo uma nova forma de fazer política”, explicou. “Busco um caminho que seja justo. Não acho que, para ganhar, vale tudo. Esse jogo não pode ser na base da rasteira. Não vamos e não precisamos fazer esse tipo de campanha”, afirmou.
“Não quero embate com a Dilma. Não quero embate com o Serra”, declarou, afirmando que tem respeito e até carinho por ambos.

Fabrizia Granatieri
Em pré-lançamento de candidatura, marina defende estado modernizador
PT perdeu a capacidade de conexão com as utopias

Apesar disso, ela deu algumas alfinetadas nos outros presidenciáveis. E voltou a criticar a forma como Ciro Gomes não conseguiu legenda para disputar a eleição.

“Os dois candidatos são muito parecidos. Eles discutem os desafios do século 20. Estão fazendo o discurso do século 20”, afirmou ao enfatizar a importância da busca de alternativas energéticas e a mudança para uma economia de baixo carbono.

Ela também criticou PT. Disse que o partido “perdeu a capacidade de se conectar com as utopias do século 21”.

E disse que sua campanha não está fazendo o jogo de ninguém. E emendou uma imagem futebolística. “Estamos fazendo o jogo do Brasil. Assim como vai fazer a seleção, quando trouxer o caneco para o Brasil”.

Jingle e slogan

O evento serviu também para apresentar o jingle de campanha e o slogan: “Seja + 1 e seremos milhões. Pelo Brasil que queremos”. Apresentada por Paulinho Mocidade, o refrão da música diz “43 é Marina, 43 é PV. Pra mudar a nossa história, só depende de você”.

Os cantores Gilberto Gil e Adriana Calcanhoto e o poeta Thiago de Mello prestigiaram o evento e pediram voto para Marina. “Meu coração pediu assim”, justificou Gil seu engajamento na campanha. Ele ainda cantou “Andar com fé” para a platéia.

Em um salão decorado com banners com os rostos de Fernando Gabeira (pré-candidato ao governo do Rio), Aspásia Camargo (pré-candidata ao Senado) e Alfredo Sirkis (que vai coordenar a campanha de Marina e é pré-candidato a deputado federal), cerca de 1.000 pessoas ouviram os discursos, que atrasou em 1h15. A senadora foi recebida com uma adaptação de um dos slogans do PT, seu antigo partido: “Brasil, urgente! Marina presidente!”.

Sirkis fez o papel de animador de auditório. De camiseta preta e de jeito informal, começou gritando pelos “Verdes da baixada fluminense”. Explicou que a pré-conveção estava ocorrendo ali, e não em Brasília, como as das adversárias, perto do “estabilishment político”. “Os bacanas da política nacional”, traduziu para o público. Ouviu de um dos participantes da mesa... “Se cuida, Bial!”. Sirkis deixou para apresentar a presidenciável por último e acabou esquecendo de citar sua presença. Foi corrigido pela platéia, que gritou: “E a Marina?”. “Era para ver se a militância estava distraída”, respondeu arrancando risos.

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A militância, aliás, era heterodoxa. Muitos estavam lá sem conhecer a candidata. Alguns jovens ouviam funk no fundo do salão, outros, dispersos, batiam papo antes e durante os discursos. Outros reclamavam que o lanche estava atrasado e eles estavam com fome. Não foi o caso de Rosana da Conceição, 24 anos, desempregada, que formava parte da claque do evento mas teve a sorte de almoçar antes. Por sua participação na pré-convenção ela recebeu sanduíches de mortadela e queijo com coca-cola e a promessa de um emprego como cabo eleitoral na campanha. Foi com familiares e amigas que levaram filhos pequenos para aproveitar a boquinha. Seu grupo tinha 14 pessoas e 3 crianças pequenas. Todas vindas do Morro da Providência, no centro do Rio em um ônibus fretado.

Até então, nunca ouvira falar em Marina Silva. E diz que não se lembra de quem votou na última eleição para a Presidência. Não estava lá atrás da candidata, mas de um trabalho temporário durante a campanha. “O Cavalcanti me convidou. Ele vai arrumar emprego na eleição”, conta ela, que não discutiu salário nem definiu função com o candidato. “Acho que vou panfletar ou segurar placa”, diz.

Ela era uma das 50 pessoas arregimentadas por Roberto Cavalcanti, 38, cantor gospel que pretende se candidatar a deputado estadual pelo PT do B. “Eu vim para ajudar um amigo do PV”, afirmou ele, que disse ter pago R$ 500 pelo aluguel do ônibus fretado com os “militantes”.

Quando Marina acabou de falar, Rosana da Conceição já tinha deixado o local. Mais da metade do público tinha ido embora sem esperar o final.

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