Marina critica Irã, mas defende palestinos em jantar com judeus

Em evento da Confederação Israelita do Brasil, a candidata do PV defendeu os navio de ajuda à Gaza, mas criticou Ahmadinejad

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Em jantar promovido pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), a presidenciável do PV, Marina Silva, voltou a criticar nesta segunda-feira a proximidade entre os governos brasileiro e iraniano. Segundo Marina, a audiência que o presidente Lula dá ao Irã é injustificada e contradiz os princípios democrático e de paz, apregoados pela diplomacia brasileira.

Agência Estado
Marina Silva: ¿Israel tem direito de fazer a inspeção para evitar a entrada de armas, mas a ajuda humanitária tem que chegar à faixa de Gaza"
“Além do Irã não respeitar os direitos humanos, o País persegue a bomba atômica, colocando em risco não apenas a sua própria região, mas outras regiões do mundo. Por isso somos contrários a essa audiência dada pelo Brasil ao governo de Ahmadinejad”, disse Marina durante coletiva de imprensa ao lado do presidente da Conib, Claudio Luiz Lottenberg.

Apesar as críticas ao governo iraniano, a presidenciável do PV não sinalizou qualquer rompimento de relações com o regime de Ahmadinejad, caso seja eleita. Perguntada sobre qual seria sua atitude com relação ao País dos aiatolás, Marina disse apenas que continuaria buscando o diálogo, reafirmando os “princípios de paz e direitos humanos do Brasil”.

As críticas da candidata verde foram endossadas pelo presidente da Conib. Segundo Lottenberg, o tom do tratamento dado pelo Brasil ao presidente iraniano tem desagradado a comunidade judaica e o Estado de Israel. “Não pregamos o rompimento, mas achamos que o tom da conversa (entre Lula e Ahmadinejad) deve ser absolutamente diferente daquele que vem sendo levado. Ahmadinejad está sendo tratado como se fosse amigo Brasil. Acho que não é dessa maneira. A conversa tem que ser mais dura e mais ríspida, aproveitando a proximidade que o País tem para exigir um reposicionamento do Irã em questões importantes”, argumentou Lottenberg.

Palestinos

O jantar promovido pela Conib em torno de Marina aconteceu na casa do empresário Roberto Klabin, dono do grupo Klabin. Apesar da presença de vários empresários judeus no evento e da participação do arrecadador financeiro da campanha de Marina, Álvaro de Souza, representantes da campanha e da comunidade judaica negaram que o jantar fosse pretexto para se falar em contribuições de campanha. De acordo com diretor de Relações Institucionais da Conib, Jaime Spitzcovsky, “o evento foi de aproximação entre a candidata e a comunidade judaica e também deve acontecer com os candidatos à Presidência do PT e do PSDB”, afirmou.

Marina aproveitou a coletiva de imprensa para reafirmar a necessidade de criação de um Estado palestino. Ela também defendeu o acesso de navios de ajuda humanitária à Faixa de Gaza e criticou o bloqueio israelense à região. “O Estado de Israel tem direito de fazer a inspeção para evitar a entrada de armas pelos grupos que, as vezes, promovem atentados terroristas. Mas a ajuda humanitária obviamente deve chegar. O direito de inspecionar essa ajuda é um direito de proteção do Estado. Agora, obviamente, não somos favoráveis que os palestinos sejam privados na zona de conflito de receber ajuda”, argumentou a candidata.

Representantes da Confederação Israelita do Brasil aproveitaram o evento na Chácara Flora, zona sul de São Paulo, para entregar uma carta de intenções à Marina Silva, pedindo o combate as discriminações étnicas e religiosas. Além de defender as minorias, a carta também pede o combate às tentativas de negar ou minimizar o Holocausto, que foi o assassinato em massa de judeus na II Guerra Mundial. A Conib também propôs na carta que o futuro governo busque amplas parcerias com a sociedade civil para fortalecer a luta contra a pobreza, promovendo a justiça social.

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