Marina critica `fisiologismo¿ de aliados de Lula e de FHC

A candidata do PV disse que, se eleita, pretende governar em torno de ideias para não ficar refém do fisiologismo

Matheus Pichonelli e Thais Arbex, iG São Paulo |

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, disse nesta quinta-feira que pretende formar um governo em torno de ideias, caso seja eleita, para não repetir o exemplo dos antecessores que, segundo ela, ficaram reféns do “fisiologismo” de partidos aliados. Citou o DEM (então PFL) no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e “parte do PMDB”, na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo com o apoio, lembrou a candidata, os governantes não conseguiram implementar reformas como a da previdência.

A afirmação foi feita durante sabatina promovida pela Record News e o portal R7, do grupo Record. Sem apoio de qualquer outro partido coligado em sua campanha, a ex-ministra do Meio Ambiente afirmou que pretende contar, em um eventual governo verde, com o que há de melhor no PT e no PSDB, legendas de seus adversários Dilma Rousseff e José Serra, e também de setores da esquerda do PMDB – ela citou o senador peemedebista Pedro Simon (RS) como “conselheiro” e exemplo de quem se posiciona “conforme suas ideias”.

“Fizemos [na campanha] uma opção programática. E na democracia é possível fazer opção programática”, disse ela, para quem as maiorias no Congresso devem ser formadas também em torno de ideias.

“A governabilidade é baseada em programa, com propostas, projetos, e não com fisiologismo. Essa é a nova fase que precisa ser colocada. O PSDB ficou refém do fisiologismo do Democratas. E o Lula, de parte do PMDB. Eu quero governar com os melhores dos partidos”, afirmou.

O fisiologismo dos governos anteriores, disse Marina, levou a um aumento de cargos de livre provimento à estrutura da administração, criou ineficiência do Estado e resultou em desperdício de recursos humanos e naturais. “Essa cultura do desperdício tem que acabar”.

Durante uma hora e meia da sabatina, ela evitou ataques diretos ao presidente Lula, mas disse que seu governo e o PT, seu antigo partido, não compreenderam os desafios do século 21 ao colocarem em lados opostos desenvolvimento e meio ambiente. Marina esquivou-se de dizer que faltou ao presidente Lula respaldo às questões ambientais. Citou, no entanto, os ex-ministros Mangabeira Unger e Reinhold Stephanes e também o ex-governador Blairo Maggi (PR-MT) como responsáveis por sua saída do ministério. Segundo a candidata, quando o governo fechou o cerco a desmatadores, com medidas severas promovidas em meados de 2008, houve um movimento por parte dos colegas e do então governador mato-grossense para que fosse revogado o plano nacional de combate ao desmatamento. “Os ministros estavam induzindo o presidente ao erro”.

Com sua saída do governo, afirmou Marina, houve um clamor da sociedade que levou o presidente a ir a público dizer que não mudaria as regras em vigor.

Caso eleita, Marina disse não saber como será recebida por setores como a bancada ruralista no Congresso, que se opõe à sua candidatura. Disse, entretanto, estar disposta a dialogar com o setor e aplicar investimentos em tecnologia e processos aumentando a produção em detrimento do desmate. Disse que, em sua experiência no governo, acostumou-se a dialogar com vários ministérios e setores, já que, segundo ela, um governo é resultado da “dicotomia” da própria sociedade.

“O presidente Lula viveu essas contradições e arbitrou muitas vezes a meu favor”, disse ela, antes de completar: “Não estamos aqui para falar mal [do presidente]. Quero ser justa”.

Metas

Questionada sobre qual seria sua primeira medida como presidente, disse que tentaria melhorar a educação. Defendeu a expansão do acesso à internet banda larga e um ensino que privilegie a “criatividade do aluno”. Não deu detalhes de como isso seria feito, mas colocou como meta investir 7% do PIB no setor (hoje são 5%).

Abordada sobre política externa, evitou dizer como será sua relação com líderes como Hugo Chaves, presidente da Venezuela, e se limitou a falar da situação em Cuba, que, segundo ela, não completou a revolução ao não implementar um sistema democrático.

Sobre se repetiria o presidente Lula, que abriu canais de diálogo com governos ditatoriais, disse que “dialogar não é proibido”. Ressaltou, porém, que o Brasil tem como princípios a democracia, a liberdade e a defesa dos direitos humanos. “Vamos ter que fazer esforço para que Brasil não relativize seus princípios”, disse.

Segundo a candidata, porém, a política internacional de Lula teve acertos ao estreitar laços, por exemplo, com países africanos.

Nem Serra nem Dilma

Mais uma vez, Marina se colocou como estrategista, e não “gerente”, como os adversários, na atual disputa eleitoral. Sua candidatura, disse, colocou em debate a questão do desenvolvimento sustentável que antes não estava colocado na campanha.

Sobre seu futuro, evitou dizer se apoiaria algum dos adversários em um eventual segundo turno e afirmou que, na questão do desenvolvimento sustentável, eles são “iguais”. Disse, porém, que não aceitaria fazer parte da equipe de governo de quem vencer a eleição. “Já dei a minha contribuição. Essa não é uma questão pertinente neste momento”.

De acordo com a ex-ministra, “política não é profissão”, mas um “espaço de serviço”.

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