Marina critica comportamento de adversários no debate

Para a candidata do PV, o PSDB e o PT não aprenderam a fazer oposição sadia, sem a desmoralização do adversário

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

.A presidenciável Marina Silva , do PV, lamentou na manhã desta sexta-feira a polarização entre os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), durante o debate da noite de ontem na TV Bandeirantes. Embora ela tenha elogiado na saída do evento a oportunidade dada a todos os candidatos igualitariamente, hoje a candidata resolveu cutucar os adversários. "Na prática, o que ficou claro ali foi o confronto. O que se revelou foi a lógica da situação pela situação e a oposição pela oposição”, disparou a candidata.

Para Marina, tanto PT quanto PSDB não aprenderam a fazer oposição sadia, sem a desmoralização do adversário e pensando nos rumos do País. “Mesmo quando dizem que aprenderam, lá na frente isso se revela que não. É o embate o tempo todo. O Brasil precisa do encontro. Chega do embate”, desabafou.

Sobre as críticas feitas a ela pelo candidato Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) durante o debate na TV, a candidata voltou a dizer que não está magoada e nem acha que foi alvo preferencial do adversário. Durante o debate, Plínio, que é ex-integrante do PT como Marina, qualificou a candidata de “ecocapitalista”e “Pollyana”, personagem capaz de ficar feliz até nos momentos tristes e criada pela escritora Eleanor Porter.

Marina Silva se defendeu das críticas e disse que desde os tempos de PT que o grupo de Plínio se preocupava em rotular as causas ambientais dos companheiros de partido. “Todos esses rótulos eu ouvi acontecer com Chico Mendes, há mais de vinte anos. Quando a gente começou a luta sócio-ambientalista lá no Acre, inclusive era o mesmo grupo dentro do PT que dizia que Chico Mendes era “serviçal” dos americanos. A gente tinha um trabalho enorme para esclarecer que o que a gente defendia era uma reforma agrária diferente”, justificou Marina.

A candidata do PV e seu vice, Guilherme Leal, receberam nesta sexta-feira um grupo de representantes do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve). Os dois assinaram um documento de doze itens onde se comprometem na expansão das políticas públicas ligadas à Juventude. O documento foi elaborado por entidades que participam do Fórum e também da Conferência Nacional de Juventude. A plataforma da Juventude inclui a manutenção da atual Secretaria Nacional de Juventude com status de ministério, garantia de acesso à terra no campo e implementação de políticas afirmativas para os jovens. “A assinatura desse pacto significa o compromisso de um diálogo intenso que incorpore os elementos do empreendedorismo, da educação como um elemento fundamental, do esporte e do lazer”, disse Guilherme Leal.

O "Pacto da Juventude", com foi chamado o documento, também será entregue aos candidatos Dilma Rousseff e José Serra. Além de assinar o documento, Marina Silva voltou a afirmar que prepara uma plataforma especial de governo para os jovens, que será lançada no próximo dia 12 de julho, dia Nacional da Juventude.

Código florestal

A candidata do PV voltou a comentar nesta sexta-feira a proposta do governo de encaminhar um projeto de lei independente para o Congresso, propondo a criação do novo Código Florestal. O projeto substituiria o já apresentado pelo deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP), que foi aprovado na comissão especial da Câmara. Marina concordou com a proposta de deixar para a próxima gestão de deputados a discussão do polêmico documento. "Espero que esse projeto não seja outra coisa para conseguir o mesmo resultado. Espero que seja algo realmente preocupado em atualizar o código florestal e não inverter a ordem e tirar do código o caráter de proteção das florestas", disse.

A candidata reclamou que existe dentro do Congresso uma forte articulação para desconstruir a legislação ambiental no Brasil. Para Marina Silva, o projeto de Rebelo é uma ameaça para a legislação ambiental do País. "Esse relatório não tem nada de bobo. Ele concede anistia de 40 milhões de hectares desmatados ilegalmente. Ali tem uma articulação para desconstruir a política ambiental do País".

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