Em entrevista ao Jornal da Globo, Marina Silva disse que Dilma e Serra travam "guerra para ver quem tem o mundo mais fantasioso"

Dando continuidade à estratégia de campanha de elevar o tom das críticas e pontuar sua diferença em relação aos adversários, a presidenciável do PV, Marina Silva, voltou a criticar nesta quarta-feira os programas eleitorais de Dilma e Serra.

De acordo com a senadora, os dois oponentes transformaram a propaganda eleitoral em “novela”e se recusam a “debater o Brasil profundo”. Durante entrevista ao Jornal da Globo , Marina voltou a criticar o uso de uma “favela virtual”no programa de TV de José Serra e disse que viu o episódio com muita estranheza. “Porque exibir uma favela virtual se em São Paulo há várias delas?”, ironizou Marina ao comparar as desigualdades de São Paulo e Acre.

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, olha o seu reflexo no espelho de um elevador em Porto Alegre (RS)
Agência Estado
A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, olha o seu reflexo no espelho de um elevador em Porto Alegre (RS)
Segundo a candidata, o episódio da favela virtual ilustra o descolamento dos adversários em relação a vida real dos brasileiros. “Ao invés de debater o que interessa, eles ficam nessa guerra entre o vermelho e o azul para ver quem tem o mundo mais fantasioso”, alfinetou.

Além das favelas, Marina Silva também criticou a qualidade do transporte público brasileiro, que na opinião dela é “vergonhoso”. A presidenciável defendeu um sistema de qualidade que integre corredores de ônibus, ciclovias e investimentos em metrô e trem. “É preciso criar alternativas. O transporte público no Brasil é uma vergonha e as pessoas compram carros para ficarem mais de três horas no trânsito”, argumentou.

Na entrevista ao Jornal da Globo , Marina também voltou a defender o ajuste fiscal através da limitação de crescimento da dívida pública frente ao PIB (Produto Interno Bruto). Questionada se a meta de reduzir os gastos em 50% do PIB não era fantasiosa, Marina comentou que isso seria possível através do aumento de eficiência da máquina pública e do combate ao fisiologismo de cargos e no combate à corrupção. “Fechando o dreno da corrupção daria para dobrar orçamento da educação”, disse a candidata.

Marina Silva também comentou sobre a aproximação entre Brasil e Irã e repetiu que não daria a audiência que o presidente Lula deu ao presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. "Ninguém pode ser criticado pelo diálogo, mas em nome do diálogo não se pode fazer um movimento político que favoreça um ditador, que não respeita direitos humanos, que tem presos políticos e que tem o objetivo da bomba atômica", lembrou a presidenciável verde. “Política externa se faz com princípios e o Brasil tem que reafirmar o princípio da paz e do despeito aos direitos humanos”, conclui Marina.

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