Marina admite "processo delicado" com Gabeira

Pré-candidata do PV diz que houve entendimento para que ela e Serra não fossem a ato no Rio

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A senadora Marina Silva, pré-candidata a presidente pelo PV, admitiu que vive um processo delicado em relação ao deputado Fernando Gabeira, pré-candidato a governador do Rio também pelo PV. Marina, no entanto, rejeitou a hipótese de atrito. Gabeira lançou sua pré-candidatura no domingo, em aliança com o DEM e o PSDB, cujo pré-candidato a presidente, José Serra, trabalha para ter o apoio do deputado no Rio. No discurso, Gabeira elogiou Serra e omitiu Marina. O nome da senadora chegou a ser encoberto nas faixas de alguns militantes.

"Não vejo como atrito. É um processo delicado? Obviamente. É uma engenharia fina mas, pelo bem do Rio de Janeiro, é melhor que todos estejamos apoiando o Gabeira", disse a senadora na manhã desta segunda-feira, pouco depois de uma entrevista à Rádio CBN. Segundo Marina, houve um acerto para que nem ela nem Serra subissem no palanque de Gabeira domingo.

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Marina Silva durante entrevista à rádio CBN
"Já havia um entendimento de que nem eu nem o Serra iríamos neste evento. Além disso eu já tinha um impedimento que era esta entrevista aqui. Passei o dia de ontem tentando melhorar para esta entrevista. Como vocês estão vendo minha garganta está um pouco prejudicada", justificou.

Marina comparou a situação do Rio à do Acre, onde PT e PSDB se aliaram em torno do governo Jorge Viana, de 1999 a 2006. Para ela, não é Gabeira quem se aproxima de Serra e sim o contrário. "Como o PSDB entende que o Gabeira é o melhor para o Rio de Janeiro se aproximou dele. Não foi o Gabeira que se aproximou do PSDB. As pessoas fazem uma inversão. É o PSDB que está apoiando o Gabeira e as pessoas dizem o contrário", afirmou.

Questionada sobre o fato de seu nome ter sido encoberto em algumas faixas na festa de lançamento de Gabeira, Marina disse que se trata de respeitar a legislação eleitoral e criticou tanto Serra quanto a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, por extrapolarem os limites legais na fase de pré-campanha. "Na política a gente tem que começar a liderar pelo exemplo. Não bastam palavras", disse ela.

Durante a entrevista de uma hora à CBN, Marina disse que se fosse presidente vetaria o fim do fator previdenciário, aprovado na semana passada pelo Congresso, mas manteria o reajuste de 7,7% aos aposentados mesmo que isso represente aumento do déficit da Previdência. "O governo tem que fazer suas escolhas", explicou.

Na entrevista, a senadora aproveitou para fazer uma autocrítica sobre sua atuação como senadora do PT, quando votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e a medidas de implantação do Plano Real. "Acho que mudar de ideia é sempre uma virtude", disse Marina.

A senadora também comemorou o resultado da pesquisa do Datafolha divulgada sábado, na qual aparece com 12% das intenções de voto. Segundo ela, isso significa que a sociedade está repudiando a tentativa de transformar a eleição em um plebiscito, como gostaria o presidente Lula. Marina alfinetou Lula ao criticar os que tiraram Ciro Gomes (PSB) da disputa para reforçar o caráter plebiscitário da eleição.

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