Lula vota e diz que Serra sai `menor¿ da eleição

Presidente afirmou que Serra teve "postura agressiva" na campanha e descartou participar de eventual governo Dilma

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo, após votar em São Bernardo do Campo (SP), que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra , sai “menor” da campanha, em razão do que classificou como “postura agressiva” do tucano durante o período eleitoral. Lula, que a menos de sete horas para o encerramento da votação já dava como certa a vitória de Dilma Rousseff (PT), acusou os adversários tucanos de “esculhambar” a sua candidata à sucessão e de usar a campanha para tentar criar “uma consciência preconceituosa contra as pessoas”, sobretudo as mulheres.

“Essa campanha foi muito mais violenta de uma parte para outra. Eu sinceramente acho que o candidato Serra sai menor dessa campanha. Sai menor. Porque a agressividade deles à companheira Dilma Rosuseff é uma coisa que eu imaginava que já havia terminado na política brasileira”, disse o presidente a jornalistas. “Eu fui candidato cinco vezes. Das cinco vezes eu perdi três e vocês nunca me viram com a agressividade que teve nessa campanha. Nunca.”

Em tom de desabafo, o presidente recorreu a uma expressão criada pelo escritor George Orwell em “A Revolução dos Bichos” para dizer que, “embora a gente more num País em que a Constituição diga que todos são iguais perante a lei, têm uns mais iguais que outros”. “E as mulheres ainda não são respeitadas na sua totalidade. Não é respeitada na questão do salário, das oportunidades. E o preconceito na política foi demonstrado agora”.

Segundo o presidente, houve, durante a campanha, uma politização de temas religiosos que supostamente visava atingir a candidatura petista. Entre os momentos mais polêmicos do período eleitoral estava a discussão sobre a legalização do aborto no País. Dilma, por exemplo, foi acusada por adversários de ter posição dúbia em relação à questão e passou a ser alvo de lideranças religiosas que, por meio de pregações e panfletos, pediam para que os fieis não votassem na ex-ministra.

“É coisa delicada o que aconteceu na campanha. Na questão da disseminação do ódio, do preconceito. Isso é coisa grave. Terminadas as eleições, os partidos políticos vão ter que fazer uma reflexão do que aconteceu. As igrejas vão ter que pensar o seu papel. Porque acho que muita gente usou e abusou do direito de vender inverdades”.

Vitória assegurada

Dizendo que se baseava apenas nas projeções apontadas pelas pesquisas de intenção de voto, o presidente deixou a cautela de lado durante a entrevista e em diversas ocasiões tratou a sua candidata à sucessão como futura presidente.

“Vou discutir com a Dilma muitas coisas. Agora, ela vai tomar posse dia 1º de janeiro. E, no dia 1º de janeiro, eu desembarco, vou pra terra e ela continua guiando nosso barco”, previu. Segundo o presidente, Dilma não terá problemas para acomodar interesses de aliados, como o PMDB, em uma eventual administração porque aprendeu em oito anos como funciona num governo “republicano” de coalizão.

Ao falar sobre seu futuro após o dia 1º de janeiro, quando entregará a faixa presidencial para o seu sucessor, Lula afirmou que “não existe nenhuma possibilidade de um ex-presidente participar de um governo de um futuro presidente”. E justificou: “Penso que a Dilma eleita precisa construir um governo que seja a cara dela, o jeito dela. Tem que ter pessoas em quem ela confie, pessoas que ela possa colocar e pessoas que ela possa tirar. E a um ex-presidente da Republica só cabe torcer para que a Dilma faça mais do que eu fiz, que ela consiga fazer mais escolas, fazer mais saúde, mais empregos do que eu fiz”.

Lula disse ainda ter deixado para a sucessora “todas as grandes coisas de infraestrutura mais ou menos delineadas” e citou as obras do PAC 2, da Copa do Mundo e das Olimpíadas. “Ela vai ter que pensar as coisas novas que ela quer fazer, e dar sequência nas coisas de infraestrutura”, disse.

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