Lula vai investir na reforma política para manter protagonismo

Presidente planeja criação de instituto, para onde deve levar auxiliares como Clara Ant e Marco Aurélio Garcia

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A primeira tarefa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva assim que deixar a Presidência da República será convocar todos os partidos políticos e suas principais lideranças, inclusive da oposição, para um amplo debate sobre a reforma política.

“O presidente tem dito que vai chamar todo mundo para conversar, inclusive a oposição. Para ele a reforma política é uma questão que está acima dos partidos”, disse o presidente nacional do PC do B, Renato Rabelo. Ao contrário de outros ex-presidentes, Lula pretende continuar exercendo papel político central depois que deixar o Planalto. Para isso, está procurando um imóvel que vai abrigar seu escritório político em São Paulo.

O chefe do gabinete adjunto de Gestão e Atendimento da Presidência, Swedenberger Barbosa, foi escalado para pesquisar modelos de outros ex-presidentes mundo a fora e dar forma jurídica ao que pode ser um instituto ou uma fundação.

Além de abrigar as atividades políticas de Lula, o local também servirá como uma espécie de museu dos oito anos de mandato com os presentes e documentos reunidos durante a passagem do petista pelo Palácio do Planalto. De acordo com a legislação, Lula terá que deixar o terceiro andar do palácio inteiramente livre para o próximo mandatário.

Lula pretende contar com assessores de peso em várias áreas como economia, políticas sociais, política externa e direitos humanos. Alguns nomes têm sido cogitados, como os dos assessores especiais Marco Aurélio Garcia e Clara Ant. Para evitar comparações com o “governo paralelo” criado logo depois da derrota para Fernando Collor de Mello em 1989, o Instituto da Cidadania será formalmente extinto.

Paralelamente às conversas partidárias, Lula pretende viajar o Brasil numa espécie de reedição das caravanas da cidadania da década de 90. Os objetivos são mobilizar a população pela reforma política e continuar dando visibilidade aos projetos realizados em sua gestão.

Embora tenha descartado ocupar cargos em organismos internacionais como ONU e OEA, Lula pretende conciliar a agenda interna com uma forte atuação externa. Ele recebeu dezenas de convites para ser doutor honoris causa em diversos países e aceitou todos com a condição de só receber as homenagens depois que deixar a presidência. Isso vai garantir alguns anos de viagens ao exterior, nas quais Lula deverá chamar a atenção para os problemas na África e América do Sul e defender a integração dos países emergentes.

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