Lula não transfere votos no Tocantins

Estado não elege candidato do Planalto ao governo; Serra supera votação de Dilma no segundo turno

Gilson Cavalcante, iG Tocantins |

Os números divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) sobre as eleições 2010 revelam que o peso político e a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foram suficientes para reeleger o governador Carlos Gaguim (PMDB). Nem para conferir maioria esmagadora de votos à Dilma Rousseff (PT).

No plano estadual, Siqueira Campos (PSDB) venceu as eleições com pouco mais de um por cento dos votos sobre o governador e candidato à reeleição, que tinha o apoio do presidente Lula. O cacife de Lula também não foi suficiente para ampliar a votação que a presidenta eleita Dilma recebeu no primeiro e no segundo turnos das eleições.

Isso apesar do empenho pessoal de Lula, que visitou o Tocantins antes do pleito do primeiro turno. Serra também esteve no Estado, ao contrário de Dilma. Num pleito apertado até o final da apuração, Siqueira obteve 349.592 votos (58,88%), contra 32.429 (49,48%) de Gaguim. Como só existiam os dois candidatos, a eleição foi decidida no primeiro turno e o tucano Siqueira ocupará o quarto mandato.

Imagens na TV

Siqueira será empossado governador dia 1º de janeiro de 2011. O presidente Lula e a presidenta eleita Dilma jogaram todas as suas fichas na reeleição de Gaguim. O governador abusou da imagem dos dois em seus programas eleitorais. Mas de nada adiantou. Há menos de um ano como governador – foi eleito para cumprir mandato - tampão em eleição indireta entre os 23 deputados estaduais.

Gaguim, na época (setembro do ano passado) era o presidente da Assembleia Legislativa. Com a cassação do então governador Marcelo Miranda (PMDB) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico e político, Gaguim fez acordo com os colegas do Legislativo, loteando os cargos (secretárias) entre eles. 

Até as convenções, Gaguim se indispôs com correligionários seus, inclusive com o governador cassado, e com lideranças de partidos aliados. Decidiu sair-se candidato à reeleição e tentou remontar a aliança. Mas, Gaguim já havia perdido para Siqueira o senador João Ribeiro (PR), que se reelegeu na chapa de Siqueira. Ribeiro pediu votos para Dilma no primeiro e no segundo turnos das eleições no Tocantins.

Primeiro turno

Marcelo Miranda também se elegeu senador, mas corre o risco de perder o mandato, porque existe um processo no TSE que pede a cassação de sua candidatura. A ação está prevista para ser julgada até o final da próxima semana, bom base na Lei da Ficha Limpa. Isso porque o TRE-TO deferiu sua candidatura, impugnada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE-TO).

No primeiro turno, Gaguim tentou casar a sua candidatura à reeleição com o prestígio do presidente Lula. Siqueira foi mais discreto e praticamente não utilizou da imagem do presidenciável José Serra (PSDB) em seus programas eleitorais. Serra esteve uma vez no Tocantins durante a campanha e Dilma, não.

Segundo turno

A campanha do segundo turno para presidente da República foi fria e com pouca participação da militância de ambos os candidatos. Devido ao feriado, o índice de abstenção aumentou 6% em comparação com o primeiro turno. O governador Gaguim organizou apenas um evento, em que reuniu alguns deputados e prefeitos, em Palmas.

O governador eleito Siqueira Campos, mais empolgado com a vitória, conseguiu movimentar mais as lideranças dos partidos coligados. O tucano organizou dois eventos de peso na capital: um com lideranças do interior do Estado e com os deputados eleitos e outro com o setor empresarial. Dilma recebeu 58,88% dos votos válidos contra 41,12% para o candidato do PSDB, José Serra.

A abstenção neste segundo turno foi bem maior que a do primeiro – 26,52% dos eleitores não compareceram para votar contra 18,49% no primeiro turno. O índice de voto em branco foi um pouco maior, 1,36% contra 1,29%. Contudo, o total de voto nulo caiu pela metade: 6,71% no primeiro turno contra 3,23% neste segundo turno.

Índice de votos recebidos por Dilma no segundo turno cresceu 7,9 pontos: de 50,98% para 58,88%. O índice de votos de Serra cresceu ainda mais: 13,13 pontos percentuais, de 27,99% para 41,12%. Isto significa que o candidato tucano recebeu a maioria dos votos que foram para outros candidatos no primeiro turno, principalmente aqueles da ex-candidata Marina Silva (PV).

Apoios

A candidata Dilma Rousseff foi apoiada no Tocantins por todo o grupo do governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB) e do prefeito de Palmas, Raul Filho (PT). Contou ainda com o apoio do deputado federal reeleito Lázaro Botelho (PP), também do grupo de Gaguim. Do lado do governador eleito Siqueira Dilma recebeu o apoio do senador reeleito João Ribeiro (PR).

Serra foi apoiado no Tocantins pelo governador eleito Siqueira Campos. Serra também recebeu o apoio do PV do Tocantins, presidido pelo deputado estadual Marcello Lelis, reeleito. Dos cinco maiores colégios eleitorais – Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e Paraíso do Tocantins –, Dilma venceu em quatro e o candidato derrotado Serra, em apenas um – Paraíso.

Confira a votação de Dilma e Serra nos cinco maiores colégios eleitorais do Tocantins. Palmas, Dilma 54,14% e Serra, 45,87%. Araguaína, Dilma 50,63% e Serra, 49,37%. Gurupi, Dilma 52,12% e Serra, 47,88%. Porto Nacional, Dilma, 60,08% e Serra, 39,92%. Paraíso do Tocantins, Dilma 45,67% e Serra, 54,67%.


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