Lula evita, mas aliados fazem campanha em batismo de plataforma

No palanque, políticos e sindicalistas fazem referências a Dilma; Lula brinca e diz que não vai entregar a faixa presidencial

Raphael Gomide, enviado a Angra dos Reis |

Principal cabo eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou fazer campanha aberta para Dilma Rousseff (PT), sua candidata à sucessão, no batismo da plataforma P-57, em Angra dos Reis (RJ). Diferentemente dele, porém, outros oradores fizeram diversas referências implícitas à candidatura de Dilma e à continuidade do PT no governo federal.

Falando a uma plateia de operários do estaleiro Keppel BrasFels, Lula louvou-se pelo fortalecimento da indústria naval e criticou os governos anteriores por não fazerem navios e plataformas no Brasil – política adotada no atual governo, mas não citou Dilma nem as eleições. Foi o primeiro evento aberto de Lula desde o primeiro turno da eleição.

Agência Estado
Lula e Sérgio Cabral em inauguração de plataforma da Petrobras
Ex-metalúrgico e vestindo uma camisa abóbora – como a dos trabalhadores –, Lula foi recebido com festa e apoio pelos operários na Brasfels. Passou mais de uma hora conhecendo a plataforma, posou para fotos e recebeu presentes de funcionários.

Operários levaram uma faixa de apoio branca, com estrelas vermelhas e o texto em letras vermelhas, remendada de última hora para evitar fazer propaganda: “Sr. Presidente, obrigado por acreditar no nosso trabalho. Agora é festa!” A palavra “festa” substituiu “Dilma”, como se podia ler por baixo, o que compunha a frase “Agora é Dilma!”.

Nos discursos e no palanque – só com políticos da coligação que apoia Dilma –, o tom era o mesmo, com referências indiretas à petista. “Não posso usar hoje aquele (cumprimento) bom dia ('bom Dilma'), mas os companheiros podem continuar repetindo... Este ano é o ano das mulheres no Brasil. Novamente aqueles que pensavam assim põem a cabeça para fora e querem retomar o retrocesso. Temos de assumir a continuidade da mudança do País”, afirmou o presidente da Federação Única de Petroleiros, João Antônio de Morais.

“Vamos continuar com o grupo que está aí para gerar riqueza para o Brasil”, disse o prefeito de Angra dos Reis, Artur Jordão. O presidente do Sindicato das Indústria Naval, Ariovaldo Rocha, também reforçou. “Desejamos que esse grupo (do presidente Lula) siga preponderando em 31 de outubro.”

Lula: "Eu não vou entregar a faixa"

O governador reeleito do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse que Lula “vai deixar muita saudade” e “recuperou a auto-estima do Brasil”, mas, como o presidente, não falou diretamente de Dilma. Lula brincou ao comentar a passagem do cargo, em janeiro, para o candidato que será eleito em 31 de outubro, Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB). “Eu não vou entregar a faixa. Estou pensando em colar a faixa com aquela bichinha que não larga e sair correndo.”

O presidente da República criticou, em diversas ocasiões, a política do governo anterior de não construir plataformas no Brasil. “Quando olho o que era o estaleiro na década de 1970, olho o estaleiro até 2003, começo a imaginar por quanto tempo este país perdeu com gente que não compreendia a capacidade correta deste país”, afirmou.

“(Quando assumi) Trabalhadores especializados estavam vendendo cerveja em isopor nas praias do Rio. Diziam que era melhor comprar (plataformas e navios) fora, ficava mais barato. Mas cada plataforma que compravam lá fora, quantos adolescentes a gente permitia que se encaminhassem para a criminalidade por falta de perspectiva de trabalho. Era o Brasil que acreditava que tudo tinha de vir de fora, porque era mais barato e nós éramos cidadãos de segunda classe”, afirmou, sendo muito aplaudido.

A P-57 é uma plataforma chamada de “gigante”, com capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo – em comparação com a maioria, de 100 mil a 120 mil barris – e 2 milhões de metros cúbicos de gás diariamente, a partir do fim de novembro. A P-57 vai ficar localizada da porção norte da Bacia de Campos, no Parque das Baleias, no litoral do Espírito Santo.

Lula se confunde

Lula se equivocou, ao enumerar favelas que teriam sido pacificadas no Rio pelo governador Sérgio Cabral, em discurso em Angra dos Reis. Ele citou os complexos de Manguinhos e do Alemão, onde não existem Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). As duas comunidades receberam investimento maciço do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas continuam dominadas por traficantes.

“Sérgio, você teve a coragem de fazer o que ninguém teve. As favelas se transformaram em bairros, em lugar de paz, com a maioria de trabalhadores. Eu convido vocês para subir em Manguinhos, no Alemão, no Pavão-Pavãozinho. Não vamos mandar a polícia só para bater, vai bater em quem tem de bater e proteger quem tem de proteger.”

No fim, disse que deixa como legado o exemplo de que, se ele pode, todos podem ser presidente da República, governador e prefeito. “Que a gente possa continuar a fazer mais plataformas, mais estaleiro, mais navio, mais emprego, mais salário, mais casa, mais cultura, mais comida e mais alegria.”

Leia abaixo a íntegra do discurso

Eu quero, primeiro, dizer que eu fiquei com água na boca quando aquele champanhe estourou lá, e o meu pessoal, em vez de colocar champanhe aqui, colocou água. Espero que outras pessoas tenham um cerimonial mais inteligente.
Mas, meu querido companheiro Sérgio Cabral, e meu querido companheiro Pezão, eu não poderia começar o meu pronunciamento aqui sem dar os parabéns ao povo do Rio de Janeiro, ao povo de Angra, aos trabalhadores, pela reeleição do companheiro Sérgio Cabral a governador do Rio de Janeiro. Eu acho que o Sérgio é uma experiência extraordinariamente bem-sucedida no Rio de Janeiro e acho que a continuidade do Sérgio Cabral por mais quatro anos vai, não apenas consolidar um conjunto de coisas que estão acontecendo no Rio de Janeiro, como vai torná-lo um político muito mais maduro do que ele é hoje. Então, parabéns ao povo do Rio de Janeiro pela eleição do companheiro Sérgio Cabral e do Pezão. Eu, como pernambucano e meio paulista, mas, sobretudo como brasileiro, estou feliz porque virei muitas vezes ao Rio de Janeiro e eu quero ter um amigo governador, e não um adversário como governador.
E depois eu quero cumprimentar os meus ministros, Sergio Rezende e o companheiro Luiz Dulci,
Quero cumprimentar o senhor Chow Yew Yuen, embaixador de Cingapura no Brasil e presidente do Conselho da Keppel,
Quero cumprimentar o companheiro Dornelles e o companheiro Crivella, senadores,
Quero cumprimentar os deputados federais Edmilson Valentim e Luiz Sérgio,
Quero cumprimentar o Artur Otávio Scapin, prefeito de Angra,
Quero cumprimentar o Marco Antônio Almeida, secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia,
Quero cumprimentar o nosso companheiro José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras,
Quero cumprimentar o companheiro Júlio Bueno, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia e Indústria [Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços]. Eu não vi o Júlio Bueno por aqui. Ah, está aqui do lado.
Quero cumprimentar o companheiro Paulo Roberto Costa, diretor da Área de Abastecimento da Petrobras,
Quero cumprimentar o companheiro Guilherme Estrella, diretor da Área de Exploração e Produção da Petrobras,
Quero cumprimentar a nossa querida companheira Maria das Graças Foster, diretora da Área de Energia da Petrobras,
Quero cumprimentar o companheiro Renato de Souza Duque, diretor da Área de Serviços da Petrobras. Não sabia que eras Renato, sabia só que era Duque,
Quero cumprimentar o companheiro Sérgio Machado, que já me convidou para, no próximo dia 19 de novembro, voltar ao Rio de Janeiro para inaugurar um navio lá no Estaleiro Mauá, um navio de 50 mil toneladas,
Quero cumprimentar o companheiro Miguel Rossetto, que é o responsável pela Petrobras Biocombustível,
Quero cumprimentar o Ariovaldo Rocha, presidente do Sinaval,
Quero cumprimentar o companheiro Moraes, coordenador da Federação Única dos Petroleiros,
Quero cumprimentar o nosso querido companheiro Paulo Ignácio, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis e Região,
Quero cumprimentar os queridos companheiros René-Louis de Carvalho e Raúl de Carvalho, filhos da Renée e do Apolônio de Carvalho,
Quero cumprimentar o prefeito Zezé Porto, de Paraty, e Raul Machado, de Rio Claro,
Quero cumprimentar os jornalistas aqui presentes,
Quero cumprimentar “não sei quem mais”,

E é o seguinte. Não, e é o seguinte. Eu falei do Sérgio Cabral, eu falei do Sérgio Cabral. Aqui na minha nominata o Paulo Hartung é o segundo governador; eu pulei [o nome do Paulo Hartung] para falar do Pezão, e não voltei mais no companheiro Paulo Hartung. Eu quero dizer para vocês que o Paulo Hartung é outro companheiro de extrema competência, de extrema qualidade, e eu acho que o Rio de Janeiro e o Espírito Santo estão de parabéns. Ele, porque não só foi bem-sucedido como governador, mas reelegeu o companheiro Casagrande, do PSB, para governador com 83%, e vamos depois discutir, na vida, o que esse companheiro vai fazer. Certamente, será meu ajudante nas pescarias que o Sérgio Cabral vai arrumar para a gente fazer quando a gente não tiver mais o que fazer.
Mas, companheiros e companheiras, eu vou ser breve porque o meu discurso, aqui, está muito longo, e eu vou tentar ser curto, aqui. Eu estou com fome e vocês também, e eu ainda tenho que ir... eu tenho que ir ao aeroporto ainda, para ir visitar o Centro de Pesquisas da Petrobras. Então, nós estamos um pouco atrasados.
Dizer para vocês o seguinte. Quando a gente começa a olhar o que era este Estaleiro aqui, na década de 70, e depois a gente olha o que foi este Estaleiro da década de 70 até 2003, a gente começa a imaginar quanto tempo este país perdeu com gente governando este país, que não pensava corretamente neste país. Quando nós compramos a briga para que a gente voltasse a construir plataformas e navios no Rio de Janeiro, não era apenas que a gente não queria que trabalhadores de outros países produzissem aquilo que nós queríamos produzir. É que um país que não exercita a capacidade intelectual do seu povo, que não exercita a capacidade profissional da sua gente é um país que vai sendo tratado como se fosse um país insignificante, porque o país não tinha mais Engenharia Naval, como não tem Engenharia Ferroviária, como não tinha mais engenheiro civil.
O país foi se autodestruindo, e trabalhadores especializados aqui, de Angra dos Reis, em vez de estarem construindo navios ou plataformas em qualquer lugar do Brasil, estavam vendendo cerveja, dentro de isopor, nas praias do Rio de Janeiro. Homens profissionalmente formados, homens que tinham o hábito de trabalhar e levar para casa, no final do mês, o sustento da sua família, pela sua formação profissional, pela sua capacidade. Isso acabou, e nós, então, resolvemos que era possível reconstruir.
E a primeira coisa que a gente teve que fazer era despertar um pouco de espírito de nacionalismo em cada um de nós; a gente gostar um pouco mais dessa bandeira verde e amarela e, gostando dela, a gente gostar mais da gente, acreditar mais na gente, porque nós fomos aprendendo que nós não tínhamos (falha no áudio) para fazer nada. É melhor a gente importar, era melhor a gente comprar de fora, ficava mais barato. A Petrobras iria ganhar US$ 100 milhões em uma exportação de uma sonda ou 150, ou 40, não importa (falha no áudio). Mas cada plataforma que a gente construísse lá fora, cada emprego que a gente fizesse lá fora, quantos adolescentes a gente estaria permitindo que fossem encaminhados para a criminalidade neste país, por falta de perspectiva de estudo, por falta de perspectiva de trabalho? Porque é a falta de oportunidade, é a falta de chance, é a falta da esperança que, muitas vezes, leva um pai ao desespero, leva um adolescente ao desespero. E o nosso papel era recuperar a dignidade de quem já teve dignidade, era recuperar a capacidade de produzir de quem já tinha produzido. E não foi uma briga fácil.
Eu vim aqui – o Luiz Sérgio era prefeito de Angra – eu vim aqui algumas vezes a convite dele, fiquei na casa da Lia. Eu vi até o Freitas por aí. Vamos ver se ele ainda me convida, quando eu não for mais presidente, para andar naquele barquinho mequetrefe que ele tinha aqui, vamos ver. Esse cara me arrumou uma casa na Ilha Grande que não tinha nem luz elétrica, nem luz elétrica. Tinha uma geladeira a gás que não funcionava, mas eu não reclamei porque, dado, até injeção na testa a gente tem que agradecer. E foi aqui que eu pude conhecer Angra, a beleza de Angra, porque... não pesquei... pescava sardinha todo dia e fazia panelada de sardinha na panela de pressão, quando ele ia lá para limpar.
Mas eu passava por aqui para ir... Onde é que tem uma marina aqui? Um lugar... eu passava por aqui, era um lugar que eu tinha que passar. Esses trilhos que a gente vê agora, esses guindastes, era cheio de grama embaixo, mato. Não tinha mais cheiro de trabalhador, não tinha mais um sinal da bota de um peão, de uma companheira, não tinha. Era abandono, era descrédito, era o Brasil que acreditava que tudo tinha que vir de fora, porque fora produzia mais, melhor, mais barato, e que nós tínhamos que ser tratados como cidadãos de segunda classe. O que nós fizemos foi apenas dizer ao mundo: Nós não somos melhores do que ninguém. Nós queremos apenas ter o mesmo direito, a mesma oportunidade, para a gente provar que o metalúrgico brasileiro é tão competente quanto o metalúrgico de Cingapura, do Japão, da Coreia, da Noruega, dos Estados Unidos e de qualquer lugar do mundo.
Agora, eu duvido que tenha, em algum lugar do mundo, trabalhador mais criativo do que o brasileiro, duvido, duvido. Eu duvido, porque eu conheço muita gente pelo mundo. Eu duvido que tenha alguém que trabalhe com [mais] amor pelo que faz do que o trabalhador brasileiro, quando ele está motivado.
Ô companheiro Sérgio, você hoje governa um estado que não é mais um estado que aparece nas primeiras páginas de jornais dizendo da violência, da droga, da bandidagem, porque você teve coragem de fazer o que outros não tiveram, de provar que é possível a gente fazer as favelas do Rio de Janeiro se transformarem em bairros, em lugares de paz, porque a maioria é trabalhador (falha na gravação) e, portanto, quer viver em paz.
Você, hoje, governa um estado que não aparece mais nas páginas policiais como aparecia antes. Lógico que tem criminoso, lógico que tem bandido, mas eu estou convidando vocês para subirem comigo, um dia, e com o Sérgio a favela de Manguinhos, o Complexo do Alemão, Pavão-Pavãozinho, para vocês perceberem que nós estamos dizendo para aquele povo de lá: Nós não vamos mandar para cá a polícia apenas para bater. A polícia vai vir para cá para bater em quem tem que bater, proteger quem tem que proteger, mas o Estado tem que trazer para cá cultura, educação, emprego e decência. E é o que nós estamos fazendo nas favelas do Rio de Janeiro e, se Deus quiser, vamos fazer nas favelas de todos os estados brasileiros, porque a favela é o descaso e o desgoverno de muita gente que governou este país nos anos 60, nos anos 70 e nos anos 80, que não construíram casas, que não fizeram saneamento básico, que não geraram empregos.
Poderia perguntar para os empresários aqui, da indústria naval, poderia pegar os empresários da indústria da construção civil. As empresas brasileiras não ganhavam mais dinheiro no Brasil, ganhavam fora, em Miami, na Líbia, na Arábia Saudita, no Kuaite, no Peru, na Colômbia, na Venezuela, e em vários países do mundo, mas o Brasil não tinha obra. Hoje não tem pedreiro, hoje não tem armador, hoje não tem azulejista, porque nós resolvemos recuperar a construção civil deste país. Eu tenho a convicção... o companheiro Ignácio estava falando da indústria metalúrgica. Só de metalúrgicos, no Brasil, nós recuperamos 600 mil postos de trabalho. Seiscentos mil postos de trabalho que não existiam mais neste país, nós recuperamos. E não foi apenas a indústria naval, foi a indústria siderúrgica, foi a indústria automobilística que estava caindo pelas tabelas, que hoje nós recuperamos. E tem muita gente que reclama do trânsito, mas eu fico feliz da vida quando eu vejo um peão comprar o seu primeiro carrinho. Eu vejo... Era uma... Ah, quem é rico não sabe, quem é rico não sabe o prazer de a gente pegar a mulherzinha e os filhos, colocar dentro de um carro e dar uma volta – sem beber, sem beber!
Então, eu estou... (incompreensível), eu estou terminando o meu mandato. Eu sou agradecido a esses companheiros da Petrobras, que a Petrobras também recuperou o sentido de empresa brasileira, porque teve um tempo que a diretoria da Petrobras – não é no seu tempo, não, José Sergio – achava que era o Brasil que pertencia à Petrobras, não era a Petrobras que pertencia ao Brasil, ao ponto de ter presidente que falava: “A Petrobras é uma caixa preta, ninguém sabe o que acontece lá dentro”. No nosso governo ela é uma caixa branca, e transparente. Nem tão assim, mas é transparente, a gente sabe o que acontece lá dentro e a gente decide muitas das coisas que ela vai fazer.
Vocês aqui, de Angra, não tenham medo, não. Não tenham medo, não, que quando eu não estiver presidente da República e for apenas um cidadão brasileiro, ai dos companheiros da Petrobras se não trouxerem plataformas para cá, se não trouxerem sondas para cá, porque aqui foi o começo de tudo, aqui foi o começo de tudo. Foi daqui que nós tiramos a ideia de que era possível construir aqui, foi daqui que nós tiramos a primeira semente de que nós iríamos recuperar a indústria naval brasileira, e estamos aqui agora fiscalizando.
Mas a Petrobras, gente, a Petrobras tem US$ 224 bilhões para investir até 2014. E não invista, para ver o que vai acontecer! Então, vai ter muitos navios, vai ter muitas plataformas, vai precisar de mais estaleiros, essas empresas de Cingapura vão fazer mais estaleiros aqui, porque nós temos que construir plataformas para outros países que precisam, para a América do Sul, para outros países que não têm a mesma tecnologia nossa. O pessoal de Cingapura produz bastante lá para a China, para o Japão, não sei para onde, e Cingapura veio para cá para produzir para o Brasil, para a América do Sul e para a África. Vai traduzindo para ele aí, para ele entender direito o que eu estou falando, pô, senão ele não entende. Não? Eu estou aqui gastando o verbo, estou gastando o verbo, e o Paulo Roberto não traduz nada para um cara que só entende coreano e inglês. Aí não dá, meu filho!
Então, meu filho, olha: eu, no dia 31, quando der meia-noite, eu ainda não vou, ainda não vou entregar a faixa. Eu estou pensando em colar a “bichinha” na barriga, colar com uma cola daquelas que não largam, e sair correndo. Mas, na hora em que eu entregar, eu saio com a convicção de algumas coisas. Primeiro, primeiro, nós fizemos um mandato republicano como o Brasil sempre deveria ter tido, o presidente que tivesse. Eu duvido que tenha, no Brasil, um prefeito de qualquer partido político, um governador de qualquer partido político que possa dizer na televisão que ele precisou de R$ 1,00, e o Lula não deu porque ele não pertencia ao meu partido. Não é assim que eu faço política. Eu tenho divergências com muita gente, mas como presidente eu não sou do meu partido; como presidente, eu sou o presidente de 190 milhões de brasileiros e eu trato todo mundo em igualdade de condições. Eu não sou daqueles que vaiam o jogador de outro time que está na Seleção brasileira só porque não é do meu time. Eu, aliás, não sou jogador... eu não sou torcedor de vaiar meu time. Teve um tempo em que eu ia ao estádio, que a gente não vaiava o time da gente. Hoje a gente vai ao estádio para vaiar o time da gente. Ontem, por exemplo, se eu estivesse no estádio, eu tinha vaiado o Corinthians, porque, rapaz... Não só na quantidade de gol que ele perdeu... Teve um cara – vocês que entendem de futebol – teve um cara, não sei se alguém viu o jogo, teve um cara que a bola estava dentro! Ele dá uma bicuda e tira a bola para fora, rapaz! É! Se fosse você, com essa muleta, tinha marcado o gol. Não, não é possível, gente! Olha, eu sofri. Eu fui dormir, ontem, eu pensei que eu ia ter um infarto...
Mas, então, eu sou daqueles que gostam de respeitar as pessoas. Então, eu acho que nós estamos dando um passo extraordinário. O Brasil hoje é mais Brasil, as pessoas recuperaram a autoestima, nós já não temos mais vergonha de hastear a nossa querida... Ó, que coisa linda aquela bandeira lá! Dá uma olhada. Veja qual é o país do mundo que tem uma bandeira bonita daquela. Se não fosse a nossa decisão de fazer aqui, esta bandeira não estaria hasteada, seria a bandeira de um outro país que estaria na Plataforma, e talvez o José Sergio estivesse lá para trazer a nossa Plataforma. Está aqui! Dá uma olhada na cara dessa peãozada aqui, ó! Dá uma olhada aqui. Isso aqui, ó... Nós estamos fazendo 65% de componente nacional, você pode começar a pensar em 80[%], 90]%], daqui a pouco pode colocar 100[%], porque a gente faz... Estava aqui me entusiasmando, falei mal do Corinthians, ia caindo em um buraco aqui.
Mas aqui, Gabrielli e Sérgio Cabral, aqui é o seguinte: isso aqui que vocês estão vendo aqui... Uma vez, eu estava na presidência do sindicato, a gente estava em greve... em greve na Chrysler do Brasil, que era na frente da Volkswagen, na Via Anchieta. E aí a chefia saiu de dentro da fábrica achando que a peãozada não tinha condições de tocar a fábrica, porque a gente não estava fazendo greve, estava fazendo “ação tartaruga”, trabalhando menos, menos, trabalhando de leve. Aí, a empresa resolveu tirar a chefia de dentro, porque achava que tirando a chefia a gente não ia ter capacidade de tocar a fábrica. Tirou a chefia, e nós viramos uns demônios ali, e nós tocamos aquela fábrica, produzimos com muito mais rapidez. Aí eles voltaram para conversar. Eu estou dizendo isso para dizer, Gabrielli, que esta peãozada aqui, esta peãozada é muito mais estudada do que no meu tempo de peão. Aqui tem gente de macacão que já é doutor, já é doutor. Mas isso aqui, Sergio, a gente faz qualquer coisa pelo Brasil. Se um dia vocês quiserem o desafio de a gente fazer 100% de uma plataforma aqui, faça o desafio, para você ver que a gente toca esse negócio aqui. Pode!
A engenharia brasileira não vai dever nada a ninguém. E quando eu vejo... a coisa evoluiu tanto que 25 anos atrás a profissão de soldadora não tinha... mulher não podia trabalhar em solda, vocês estão lembrados? Solda era uma profissão de homem e era insalubre. Quem trabalhava com solda aposentava aos 25 anos de idade. Hoje as cortadoras de cana de Pernambuco deixaram de cortar cana e são soldadoras no estaleiro, lá em Recife. É uma coisa extraordinária. Mas aqui você vai comigo visitar a Nuclep, e você vai ver a quantidade de meninas formadas soldadoras.
Eu vim aqui um vez já, fui na Nuclep, mas não era você o governador, era outra pessoa, que não estava de bem com a vida, estava mal-humorada. E eu, sinceramente, sinceramente... não é possível a gente ser mal-humorado governando o estado do Rio de Janeiro, não é possível, ainda mais torcendo para o Vasco, como você torce, ainda mais. Não é possível.
Então, meus queridos companheiros, olhem: eu não venho mais aqui até o dia 31 de dezembro. Então, eu quero me despedir de vocês, dizendo para vocês que o legado que eu quero deixar para vocês é deixar com vocês a certeza de que não existe um ser humano inferior a outro; de que todos nós temos competência, desde que a gente tenha oportunidade de fazer as coisas. E eu sei que o grande legado que eu vou deixar é ter despertado na cabeça de cada mulher e de cada homem deste país que se eu pude ser presidente da República e fazer o que fiz por este país, significa que qualquer um de vocês pode ser presidente da República, pode ser governador e pode ser prefeito.
Por isso, companheiros, um grande abraço, que Deus abençoe cada um de vocês, que Deus abençoe a mulher e os filhos, e que a gente possa continuar fazendo mais plataforma, mais estaleiro, mais navio, mais emprego, mais salário, mais casa, mais cultura, mais comida e mais alegria.
Um abraço, gente.




    Leia tudo sobre: pleito 2010eleições dilmalula

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG