Lula diz ver 'covardia' da imprensa e 'leilão' em campanha rival

Presidente sobe o tom em evento em São Paulo, critica adversários e afirma que um ex-presidente 'não serve para nada'

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer críticas à imprensa nesta segunda-feira durante evento de premiação a empresários em São Paulo. A duas semanas das eleições, Lula afirmou que vê uma “covardia muito grande” na atuação dos meios de comunicação que, segundo ele, devem ser enfrentados pela classe política.

“A única coisa que quero é que digam a verdade e somente a verdade. Contra ou a favor, mas diga apenas a verdade. Enquanto a classe política não perder o medo da imprensa, a gente não vai ter liberdade de imprensa neste País. A covardia é muito grande neste País”, afirmou Lula, para quem há “hipocrisia” na atuação dos meios de comunicação e também da Justiça Eleitoral. As declarações foram feitas durante premiação promovida a empresários pela revista Carta Capital .

Em discurso feito no final do evento, Lula disse se gabar de nunca ter precisado almoçar em jornal, revista ou televisão para conseguir espaço na imprensa. Logo no início do discurso, o presidente afirmou que precisava ser comedido em relação à sua fala sobre liberdade de imprensa, mas prometeu dizer “muita coisa” sobre o assunto quando encerrar o mandato.

O presidente criticou a determinação da Justiça Eleitoral para que uma edição da revista da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que trazia uma foto de Dilma Rousseff (PT), deixasse de circular. “E depois eles falam em democracia, em liberdade de expressão”, ironizou. E criticou, sem dar nomes, uma revista de circulação nacional que, segundo ele, “tem uma fotografia na capa que é um acinte à democracia”. O exemplo, disse o presidente, demonstra como a “hipocrisia que reina neste País”.

Lula fez também críticas indiretas ao antecessor, Fernando Henrique Cardoso, e ao candidato tucano à Presidência, José Serra. No mesmo dia em que FHC reforçou o convite a ele para tomar um “cafezinho” após o fim do mandato, Lula reagiu afirmando que um ex-presidente “não serve para nada”, mas que valeria muito “se ficasse quieto”. Disse que, quando terminar o governo, vai evitar dar palpites nos trabalhos do sucessor. Sem citar o tucano José Serra , adversário de Dilma na disputa pela Presidência, Lula afirmou que está sendo feito “um leilão de benefícios” na campanha, sem que a imprensa faça a crítica necessária às promessas.

“Como é fácil prometer em eleição. Não vejo as críticas necessárias à irresponsabilidade. Quando eu queria dar um aumento de 2% aos aposentados, eu estaria quebrando a Previdência”. E completou: “Eu vejo alguém dizer: ‘vou dar tanto por cento e eu sei como é que faz, e tem dinheiro’. E ninguém fala nada, como se valesse a mentira sobre a verdade, como se valesse a mesquinhez sobre a seriedade”.

Reforço

Antes de Lula, o diretor de Redação da Carta Capital , Mino Carta, defendeu o voto em Dilma  e disse que jamais foi provada a existência do mensalão, suposto esquema de compra de votos no Congresso que resultou em denúncia, aceita pelo Supremo Tribunal Federal, de 40 pessoas ligadas ao governo. O jornalista fez críticas a FHC que, segundo ele, “peregrinou sofregamente para os braços do ( ex-presidente dos EUA ) Bill Clinton, que nunca lhe disse que ele era o cara”. O jornalista criticou também a vice-procuradora eleitoral Sandra Cureau, que, segundo ele, tem “extração tucana”.

Lula, em sua fala, disse lamentar que não tivesse a mesma “liberdade” do anfitrião, mas que assinava tudo o que ele disse, “ipsis litteris”. Em seu discurso, o presidente ainda fez elogios ao empresário Abílio Diniz, do grupo Pão de Açúcar. Segundo ele, o governo petista, com ele e o vice-presidente José Alencar à frente, consolidou uma nova relação entre capital e trabalho no País, o que possibilitou que os empresários presentes no evento pudessem ter ganhado “muito dinheiro” nos últimos oito anos.  Antes, o empresário havia feito elogios ao presidente, que segundo ele, “mudou o País", e disse esperar que o “legado” deixado pelo petista “não se perca”.

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