Lula diz que vai incentivar reforma política a partir de 2011

Presidente lamenta não ter feito reforma tributára por causa de um 'inimigo oculto'

Ricardo Galhardo e Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado, que a partir do próximo ano, quando passará a faixa presidencial ao seu sucessor (ou sucessora), pretende atuar dentro do Partido dos Trabalhadores como um incentivador de uma reforma política no País. A declaração foi feita após participar de carreata em seu último ato de campanha em São Bernardo do Campo. “A reforma política tem que ser discutida, primeiro, dentro dos partidos. Eu quero fazer isso dentro do PT”, afirmou. Segundo o presidente, a idéia é conseguir convencer os outros partidos de que a reforma política é essencial para todas as outras reformas que precisam ser feitas no País.

Lula lamentou também que, durante os seus oito anos de governo, não tenha conseguido fazer a reforma tributária. “Tenho já duas propostas no Congresso Nacional. As pessoas concordam quando a gente está elaborando (a proposta), mas chega no Congresso e um inimigo oculto da reforma tributária faz com que ela não ande”, afirmou.

Embora tenha se esforçado para demonstrar cautela em relação ao resultado nas urnas, o presidente afirmou que já espera que um futuro governo Dilma Rousseff terá mais apoio no Congresso do que teve a sua gestão. “A Dilma terá no Congresso mais aliados do que eu tive, sobretudo no Senado, onde a expectativa é muito grande”, disse Lula, que já deixou claro que nas eleições deste ano daria prioridade para eleger a maior bancada possível de senadores. Em várias oportunidades, Lula manifestou preocupação de que Dilma enfrentasse no Senado as mesmas dificuldades que ele teve.

O presidente participou de carreata no berço do PT, acompanhado da presidenciável petista Dilma Rousseff e dos candidatos ao governo paulista, Aloizio Mercadante, e ao Senado Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PCdoB).

Em tom de despedida, Lula brincou ao dizer que não tem idéia do que fará no dia 2 de janeiro – ele disse saber apenas que no dia primeiro vai prestigiar a festa de posse de Dilma em Brasília e de Mercadante em São Paulo. Lula afirmou que será estranho levantar pela manhã e “não ter mais ninguém para xingar”.

Crítica aos tucanos de SP

Escalado como cabo eleitoral para tentar eleger Mercadante no maior colégio eleitoral do País, o presidente Lula voltou a criticar a administração tucana no Estado de São Paulo, governado há 16 anos pelo PSDB. Segundo o presidente, “São Paulo não pode continuar tendo tão pouca política social”. “É uma vergonha que, depois de tantas décadas, eles não apresentaram nenhuma política social para São Paulo”, afirmou.

O presidente disse que, apesar de São Paulo contar com uma classe média consolidada, há ainda uma parcela significativa da população nas periferias que precisa do poder público e de políticas sociais. “São Paulo pode ser muito melhor do que é”, disse Lula. Ele afirmou que está confiante de que o PT conseguirá eleger pela primeira vez um governador de São Paulo, algo que jamais aconteceu na história do partido.

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