Lula diz que Tiririca é vítima de `cretinice¿

Presidente falou sobre a acusação envolvendo a candidatura do artista e pede que `pluralidade¿ seja respeitada

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Acusado pelo Ministério Público Eleitoral de não ter condições de assumir o mandato de deputado federal por supostamente ser analfabeto, o palhaço Tiririca (PR), recordista de votos nas eleições deste ano para a Câmara, ganhou neste domingo o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Após votar em São Bernanrdo do Campo (SP), o presidente afirmou que o parlamentar eleito é “a cara da sociedade” e está sendo alvo de “cretinice”.

Francisco Everaldo Oliveira Silva, que recebeu 1,3 milhão de votos em São Paulo, responde a ação na Justiça Eleitoral sob a acusação de falsidade documental e ideológica. O pedido de cassação é assinado pelo promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes. Para poder assumir o mandato, o deputado eleito terá de provar em um exame que sabe ler e escrever.

Segundo Lula, porém, “quem tem que fazer prova é quem está pedindo para ele fazer prova”. “A sociedade não é pior nem melhor que o Congresso. O Tiririca é a cara da sociedade. Acho uma cretinice o que estão tentando fazer com o Tiririca. Estão desrespeitando 1,5 milhão de pessoas que votaram nele”, disse Lula, antes de deixar sua seção eleitoral e seguir para Brasília, de onde acompanhará a apuração dos votos.

As declarações foram feitas quando o presidente fazia um balanço das eleições deste ano e criticava os meios de comunicação por supostamente tentarem “nivelar por baixo” as discussões sobre política e não respeitarem a pluralidade do processo eleitoral.

Para o presidente, o conflito enfrentado hoje por Tiririca – cuja candidatura chegou a ser criticada até mesmo por setores do PT, entre eles o candidato derrotado ao governo paulista, Aloizio Mercadante – é motivado por erros na elaboração das leis propostas pelo Congresso.

O assunto virou motivo para Lula atacar mais uma vez a interferência da Justiça em assuntos relacionados à legislação eleitoral.

“Se você permite que a questão política seja resolvida só no Judiciário é um equívoco dos políticos (...) O Congresso Nacional, quando fizer a legislação eleitoral, tem que deixar o mínimo de possibilidade de aquilo ser resolvido no Poder Judiciário. Sai candidato, o povo vota e depois não pode ser. É preciso criar um mecanismo de evitar que seja candidato”, afirmou.

O presidente afirmou que o problema também acontece em relação à aplicação da Lei da Ficha Limpa, em que ministros do Supremo Tribunal Federal tiveram de discutir se as normais passariam a valer a partir deste ano ou não.

“A Lei da Ficha Limpa tem um problema que nem a Suprema Corte está coesa. Está empatado lá, 5 a 5, (para decidir) se tem efeito retroativo ou não. Não sou jurista, não pretendo dar palpite numa coisa sobre uma coisa tão complicada, mas acho que o Congresso Nacional tinha que ter sido preciso”, disse o presidente.

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