Lula: campanha eleitoral à noite, aos sábados e domingos

Presidente alfineta vice governador de Serra: "Ele não deve ter muito o que inaugurar"

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

Ao participar da cerimônia de lançamento de um navio no estaleiro Eisa, no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que só faz campanha eleitoral à noite, aos sábados e domingos. "Nos dias úteis, no horário (de expediente), eu tenho que governar o País".

"Não posso deixar de governar o Brasil por conta das eleições. Não é a primeira casa que eu inauguro, não é o primeiro navio que eu venho (lançar ao mar). O que não posso é deixar de vir. Se por conta de cada eleição a gente tiver que parar o País, um ano está perdido. O Serra que faça campanha, a Dilma que faça campanha", disse o presidente, respondendo a um jornalista se a inauguração de obras não colocava o adversário tucano em desvantagem em relação a candidata apoiada por Lula, Dilma Rousseff (PT).

Lula disse ainda que não faz sentido governar "se você não pode entregar as coisas boas". "Sei o sacrifício que foi para construir isso (...) Tenho até 31 de dezembro para inaugurar obras".

E alfinetou o candidato José Serra (PSDB), dizendo que o adversário político não deixou tantas obras para o vice-governador Alberto Goldman inaugurar. "O nosso adversário foi governante até outro dia, então ele tem coisa para fazer. O vice dele deve estar inaugurando. Não deve ter muita coisa, mas tem, está lá. Cada um nada conforme a profundidade do mar".

Ao lado do governador Sérgio Cabral, com uma plateia de milhares de operários, Lula lançou ao mar o porta-contêiner Jatobá, o segundo de uma série de sete que a empresa Log-In, coligada da Vale, encomendou ao estaleiro. Na ocasião, o presidente ressaltou o ressurgimento da indústria naval, realizado em seu governo. E criticou governantes anteriores por não terem feito o mesmo, deixando que plataformas, navios e embarcações de menor porte fossem importados de países como Cingapura e Coreia.

Em resposta a outra pergunta, Lula disse que o maior legado de seu governo foi a geração de empregos. E comparou o índice de desemprego do Brasil - o menor desde o início da série histórica, segundo divulgou na semana o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - a taxas mais elevadas de países como Estados Unidos e Espanha. Lula elogiou Cabral pela pacificação nas favelas do Rio, mas ponderou que mais eficaz do que colocar polícia nas comunidades carentes para eliminar a criminalidade é gerar empregos.

Cabral, por sua vez, quebrou o protocolo ao perguntar se a plateia preferiria que uma das autoridades ali presentes um fizesse um discurso ou se apenas o presidente Lula falasse. A plateia preferiu Lula, que, então, discursou sobre o renascimento da indústria naval no Brasil.

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