Lula abre ofensiva para eleger senadores da base aliada

Presidente age para minimizar os riscos de Dilma Rousseff, se eleita, enfrentar uma oposição forte no Congresso

Matheus Pichonelli e Clarissa Oliveira, iG São Paulo |

Na reta final da campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal cabo eleitoral de Dilma Rousseff (PT) na disputa presidencial, intensificou esforços para tentar eleger, em 3 de outubro, o maior número de senadores de sua base aliada. Desde o início da campanha eleitoral, Lula vem repetindo a aliados que fará o que for necessário para assegurar a Dilma uma base sólida no Congresso para um eventual governo a partir de 2011.

A ordem é evitar que a petista, se eleita, enfrente as mesmas dificuldades vividas por ele próprio em oito anos de governo. No Senado, Lula acumulou derrotas como a derrubada da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), em 2007. Em seus discursos, Lula faz questão de frisar, sempre que pode, que há, por parte do governo, a preocupação em relação à base de apoio que seu sucessor irá herdar a partir de 2011. “Não podemos deixar a Dilma na mão de senadores como eu fiquei", afirmou Lula, em comício realizado em Ribeirão Preto (SP), na semana passada.

Como parte da estratégia, o presidente reservou espaço na agenda nas últimas duas semanas para gravar mensagens de apoio a vários postulantes a uma cadeira na Casa. Em São Paulo, por exemplo, ele gravou, no meio da semana, mensagem de apoio conjunta para Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PC do B).  Dirigentes petistas avaliam que a presença de Lula na TV minimize as chances de uma surpresa na reta final da campanha. A preocupação, no momento, é com a possibilidade de tucano Aloysio Nunes Ferreira herdar boa parte dos votos do peemedebista Orestes Quércia, que deixou a disputa para tratar um câncer.

Internamente, Lula tem se movimentado para tentar aparar as arestas entre Marta e Netinho  – a coordenação petista em São Paulo enfrentou dificuldades, durante todo o período eleitoral, para unir os candidatos em um mesmo evento. Marta optou por um voo solo: contratou seu próprio marqueteiro – Duda Mendonça – e, sempre que pode, evitava fazer corpo-a-corpo ao lado de Netinho.

Lula entrou em campo também em Minas Gerais, onde o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) figura na terceira posição entre os candidatos ao Senado – atrás do ex-governador Aécio Neves (PSDB) e do ex-presidente Itamar Franco (PPS). Assim como fez em São Paulo, o presidente gravou mensagens de apoio para o aliado. “Ele está ajudando bastante, tem consciência de que o Senado será importantíssimo”, afirmou Pimentel.

Além do ex-prefeito, ganharam mensagens exclusivas de Lula candidatos como Marcelo Crivella (PRB) e Lindberg Farias (PT) – empenho que já resultou na queda do opositor Cesar Maia (DEM), então favorito para abocanhar a segunda vaga. Vanessa Grazziotin (PC do B), no Amazonas, Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT), em Pernambuco, também receberam apoio de Lula na TV. Amazonas e Ceará são os Estados pelos quais foram eleitos dois dos mais ferrenhos críticos do presidente Lula: Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Atualmente o governo conta com 46 parlamentares na Casa filiados a partidos aliados. O problema, no entanto, são as dissidências dentro das siglas – caso, por exemplo, do senador Pedro Simon (PMDB), um dos mais críticos opositores do governo. Com base em projeções feitas pelo Diap, o departamento intersindical de assessoria parlamentar, devem ser eleitos 38 senadores da base aliada – entre as 54 vagas em disputa.

    Leia tudo sobre: eleições dilmapleito 2010

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG