Luiz Paulo e Casagrande disputam `herança¿ de Hartung

Com governo bem avaliado e 81% de aprovação, eleição no Espírito Santo tem a marca da continuidade

Manuela Andreoni, iG Rio de Janeiro |

Agência Brasil
Casagrande tem 64% das intenções de voto
Segurança pública, infra-estrutura, royalties? O que dominou as eleições para o governo do Estado do Espírito Santo foi a disputa pelo posto de herdeiro do governador Paulo Hartung (PMDB). Com 64%  segundo a pesquisa do Ibope de 30 de setembro, o candidato governista, senador Renato Casagrande (PSB), se aproxima da vitória no primeiro turno. Enquanto isso, o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) amarga os 15% do segundo lugar e, somente na última semana de campanha, sobe o tom contra o oponente e tenta se colocar na oposição.

Governador do Espírito Santo há oito anos, Hartung conquistou 81% de aprovação a sua gestão de acordo com pesquisa de Ibope de julho – mais até do que o presidente Lula, que tem 78%. Contudo, os capixabas sofrem com índices preocupantes em diversas áreas. De acordo com o IBGE, o Estado está no topo do ranking de homicídios, atrás apenas de Alagoas. Em termos de estradas, amargam o terceiro lugar no índice elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) dos estados com os trechos que apresentam maiores indicies de desastres nas rodovias federais.

A opção de Hartung por seu sucessor foi um jogo político de manobras complicadas. Inicialmente apontado como sucessor natural de Hartung, o vice-governador Ricardo Ferraço (PMDB) acabou por disputar o Senado. Em seu lugar, foi escolhido para encabeçar a coligação governista “Pra gente ir mais longe” que conseguiu unir 16 partidos, veio o senador Renato Casagrande (PSB).

Candidatura sem eixo

Sucessor de Hartung – que trocou o PSDB pelo seu atual partido em 2003 – na prefeitura de Vitória entre 1997 e 2004, Luiz Paulo se viu empurrado à oposição. Por isso, montou toda a sua campanha para tentar convencer o povo capixaba de que era ele, não Casagrande, o real herdeiro do governador.

Segundo o cientista político da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Mauro Petersen, a candidatura do tucano foi fruto de “lealdade ao projeto político do PSDB”, já que não tinha força ou alianças para se sustentar. Em 2002, Luiz Paulo foi um dos coordenadores do programa de governo do candidato tucano à Presidência, José Serra, e hoje é presidente do Instituto Teotônio Vilela. Foi também secretário nacional de Acompanhamento Econômico no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

“O erro da campanha dele (Luiz Paulo) é exatamente não ter o apoio do governo. É uma candidatura sem eixo que não tem como se apresentar ao eleitorado. É uma candidatura mais de lealdade ao Serra ,identificação dele com o imaginário do PSDB como um partido de bons administradores. Isso pode ser importante, mas não é tudo na política”, opina Petersen.

Em terceiro lugar nas pesquisas, a ex-deputada estadual Brice Bragato (PSOL) tenta se posicionar como a única oposição no pleito, mas só conseguiu conquistar 2% do eleitorado, segundo as pesquisas. Ela acusa seus oponentes de só quererem “surfar na onda da boa avaliação do governo”. Também estão na corrida os candidatos nanicos Avelar Viana (PCO) e Gilberto João Caregnato (PRTB), que não marcaram pontos o suficiente para aparecerem na maioria das pesquisas.

Polêmica sobre os bastidores da eleição

Para Vellozo Lucas, os bastidores, em que foi decidida a candidatura de Casagrande, foram os momentos mais importantes das eleições. Segundo ele, o que aconteceu foi uma troca de favores. “O PSB entregou a cabeça do Ciro Gomes (pré-candidato à Presidência pelo partido) para facilitar a vida da Dilma e, em troca, cortaram a cabeça do vice-governador aqui para facilitar a vida dele (Casagrande)”.

Roberto Simões, cientista político da Ufes, tem outra opinião. Para ele, “ficava evidente que a candidatura de Casagrande tinha um fôlego que ia além do apoio do governador”, ou seja, acirraria a disputa com Ferraço, aposta original de Hartung.

O cientista político Mauro Petersen acredita que o mérito é de Renato Casagrande, que conseguiu impor sua candidatura ao governador e convencê-lo a apoiá-lo.

“O próprio Casagrande teve que fazer um esforço muito grande de afirmar a candidatura dele até ele conseguir se impor, já que ele não era o candidato da preferência do governador. Ele conseguiu mostrar que a candidatura dele era mais forte que a do vice-governador”, disse.

“Hartung foge da disputa como o diabo da cruz. Na visão autoritária dele, a preferência é pela candidatura única. Ele não tolera o processo competitivo”, avalia Simões.

Isolado, Luiz Paulo falou até de ingratidão nos programas eleitorais da última semana de campanha. E, durante o debate, afastou qualquer possibilidade de participar de um eventual governo Casagrande, que o considerava um aliado antes das eleições.

Com apenas dois candidatos competitivos, a disputa ficou difícil para o tucano. No dia 15 de setembro, o coordenador de campanha do PSDB já admitia derrota. “Aqui no Espírito Santo, temos uma eleição que dificilmente vai chegar ao segundo turno”, disse Vazquez ao iG. A consolação se tornou discurso do partido: “já é uma vitória ter viabilizado a minha candidatura”, afirmou Luiz Paulo.

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