Lídice da Mata e César Borges duelam pela imagem de Lula

Candidatos ao Senado fazem parte da base do governo, mas história política pesa

Lucas Esteves, iG Bahia |

Nas duas últimas semanas de campanha política, em especial por conta das inserções no programa eleitoral gratuito, os candidatos baianos ao Senado Lídice da Mata (PSB) e César Borges (PR) entraram em rota de colisão em uma disputa pelo direito de associação da imagem de cada um à do presidente Lula e da candidata ao Planalto Dilma Rousseff. No plano Federal, os dois partidos fazem parte da base de sustentação do governo e seus candidatos poderiam livremente se associar ao gestor. Entretanto, pesa a história política de cada um deles.

Enquanto Lídice da Mata é uma histórica militante de esquerda da Bahia, tendo inclusive sofrido retaliações políticas por parte do grupo político do ex-senador Antônio Carlos Magalhães quando foi prefeita de Salvador nos anos 90, César Borges foi um dos políticos mais fiéis à filosofia carlista. Ele governou a Bahia entre 1999 e 2002 e, depois da morte do líder coronelista, se afastou dos então pefelistas. O passado do republicano, para Lídice, não o credita a ter “moral” para se apontar alinhado com Lula.

Para o senador, Lídice usa a imagem de Lula como “muleta” e seu interesse na candidatura não está em se apoiar no trabalho do presidente, e sim em ressaltar seu trabalho na Casa Legislativa durante os últimos oito anos de mandato. Em resposta ao adversário, Lídice disse, nesta quinta (26) em Salvado, que deseja usar esta muleta. “Tem gente que diz que não precisa de muletas, mas a gente quer essa muleta do maior presidente do Brasil, que causa ciúme dos outros candidatos”, ironizou.

As críticas sistemáticas da deputada federal fizeram inclusive com que Borges, em leve contradição, emitisse nota à imprensa em que listou uma série de depoimentos de apoiadores e ministros do presidente a lhe credenciarem como aliado verdadeiro. Entre os nomes estão os dos ministros de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, do Meio-Ambiente, Izabella Teixeira, dos Transportes, Sérgio Passos, e das Cidades, Márcio Fortes. Todos eles gravaram programa eleitoral para o candidato.

“Se os próprios ministros fazem esse testemunho, por que eu me preocuparia com declarações daqueles que, em vez de se dedicarem a apresentar projetos para o Brasil e, principalmente, para a Bahia, preferem o discurso em baixo nível?”, questionou Borges. Ele argumentou ainda que no comício ocorrido em Salvador na quinta, o próprio Jaques Wagner reconheceu que há cisão entre os aliados e pediu que seus apoios parassem de tentar tirar votos uns aos outros e se concentrassem nos adversários.

A efervescência no debate pelo Senado na Bahia se dá á imprevisibilidade do pleito este ano. Apesar de César Borges liderar as pesquisas com folga e ser favorito à reeleição – 36% de intenções de voto de acordo com Datafolha e Vox Populi -, os níveis de indecisão do eleitorado indicam uma eleição em que tudo pode acontecer. Datafolha e Vox, respectivamente, indicam 71% e 92% de entrevistados que ainda não sabem em quem votar.

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