Campanha do senador petista ao governo paulista comemorou endosso, visto como sinal da divisão da base tucana no Estado

O líder do DEM na Câmara de São Paulo, vereador Carlos Apolinário, declarou apoio à candidatura do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo do Estado, na tarde desta segunda-feira. Para o PT a adesão tem significado simbólico importante, pois representa uma divisão da base do candidato tucano à Presidência, José Serra, em seu Estado de origem e na cidade que governou por mais de dois anos.

Futura Press
Mercadante, Apolinario e Netinho de Paula no anúncio de apoio
O presidente do DEM em São Paulo é o prefeito Gilberto Kassab, ex-vice de Serra. Apolinário é segundo vereador do DEM a abandonar a candidatura do ex-governador e candidato tucano ao Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin (PSDB), e embarcar na campanha de Mercadante. Antes dele, o vereador Milton Leite (DEM) já havia declarado apoio ao petista.

O PT espera mais defecções na base de Serra em São Paulo. Dos 55 vereadores da capital, 23 já estão ao lado de Mercadante. A expectativa do PT é que nas próximas semanas este número chegue a 30. “Esta adesão tem um significado muito importante pois significa a atração que o Lula e a campanha da Dilma têm sobre os partidos que estão em crise”, disse o líder do PT na Câmara, José Américo.

Apolinário aderiu à candidatura do PT com críticas contra o PSDB, aliado histórico do DEM, e defendendo também o apoio à candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff. “Os tucanos não levam o DEM a sério”, disse o vereador. Para ele, a vaga de vice-governador na chapa de Alckmin cedida ao democrata Guilherme Afif é pouco para a importância do DEM. “O Serra não escolheu o vice do DEM”, disse Apolinário.

Ele também lembrou que o PSDB se recusou a apoiar Kassab em 2008 ao lançar a candidatura de Alckmin para a prefeitura. “Não sou cego para não ver que os tucanos não apoiaram o DEM em 2008”, afirmou.

Além disso o vereador fez juras de amor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revelou ter votado nele em 2006, e alfinetou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Lula é homem simples não estudou na Sorbonne nem cobra palestra de US$ 50 mil”, disse. Apolinário disse não ter consultado a direção do DEM e evitou se contrapor ao prefeito Kassab. “Vou continuar apoiando os projetos enviados pela prefeitura, desde que concorde com eles”, afirou. 

Ditadura gay

Aos 58 anos, Apolinário, paulistano da Vila Medeiros e empresário, é uma dos principais líderes evangélicos da Câmara Municipal - é ligado à Assembeleia de Deus. Em 30 anos, o líder do Democratas na Câmara já foi três vezes deputado estadual, presidente da Assembléia Legislativa, governador do Estado - por dez dias, no governo Fleury -, deputado federal e relator da atual lei eleitoral. Está no terceiro mandato como vereador na cidade.

É conhecido por posições polêmicas acerca de temas como homossexualidade – e já se manifestou publicamente contra movimentos como a Parada Gay de São Paulo, hoje um dos principais eventos culturais da cidade. Em recente artigo, criticou a aprovação de uma lei estadual que pune a discriminação de gays em empresas e disse que o País vive uma “ditadura gay”.

“Se a empresa tiver 200 funcionários e sua licença for cassada, todos serão punidos com a perda do emprego”, escreveu ele, para quem o movimento gay faz “um intenso lobby” para que o Congresso altere as leis que condenam crimes como racismo. “O objetivo das lideranças gays é que a legislação passe a punir também aqueles que têm uma opinião divergente das suas”, diz. ”Eu tenho a convicção de que já estamos vivendo numa ditadura gay, pois, na democracia, qualquer pessoa pode discordar”, argumenta.

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