Líder comunitário vê na eleição chance de melhorar favela

Embora rejeite os 'urubus', diretor de ONG em Heliópolis diz que aproximação com políticos trouxe avanços à região

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Como em qualquer bairro, de qualquer cidade do País, a mobilização política em Heliópolis pode ser entendida como engajamento ou oportunidade. Por até um salário mínimo, moradores desempregados da favela correm as ruas do bairro garimpando eleitores para os “patrões”. Ao mesmo tempo, há na favela a percepção de que a eleição é também a chance para mudar a realidade ainda comum entre os moradores, com desemprego, ausência de documentação fundiária e deficiências de infraestrutura.

Flávio Torres
O líder comunitário Buiú, diretor da Unas
Para lideranças da região, essa demanda permite que o bairro seja visto como passagem obrigatória para candidatos em busca de votos e exposição. “Nunca vi isso na história de Heliópolis. Parece que somos bando de...sabe onde o urubu começa a atacar? Isso não deixa a gente muito contente”, diz o líder comunitário Nazareno Antonio da Silva, o Buiú, ao comentar a poluição sonora e visual que se espalha pelas ruas do bairro nesta época do ano.

Diretor da Unas, a união dos núcleos de associações de moradores de Heliópolis e São João Climaco - entidade que atende cerca de 5 mil crianças e adolescentes carentes -, Buiú afirma que, apesar do oportunismo que ressurge nesta época do ano, a região só obteve progresso nos últimos anos graças à aproximação do bairro com parlamentares.

“Precisamos deles para intervir quando a comunidade mais precisa e não dar vaguinha em gabinete ( para apoiadores )”. “Aqui tem relação grande com a esquerda. Na sua fundação a esquerda ajudou muito a construir Heliópolis”, completa. Ele calcula, no entanto, que, dos mais de 80 candidatos que buscam visibilidade em Heliópolis, apenas seis candidatos com mandato, de vários partidos, não caíram de para-quedas na atual campanha.

“( A maioria dos candidatos ) Utiliza uma pessoa que está desempregada em Heliópolis, contrata meia dúzia de pessoas pra fazer a campanha dele, e ele consegue entrar ‘dentro’ da comunidade assim”, afirma. “Mas o povo começou a ter o entendimento de quem faz as coisas. Uma coisa é o discurso, outra coisa é a pratica. Tem candidato em Heliópolis que não sabe nem o endereço daqui”, lamenta.

O apoio obtido pelo presidente Lula na região, diz Buiú, se deve ao fato de o presidente ter legalizado a rádio comunitária de Heliópolis, além das verbas federais para urbanização da área. Antes de ser presidente, conta, Lula já costumava visitar a área, o que o aproximou dos moradores.

Segundo Buiú, Heliópolis, nos últimos anos, observou de perto a chegada de novos consumidores à classe C. Isso possibilitou que empresários começassem a investir dentro da própria comunidade. “Heliópolis teve também uma revolução nesse sentido. Hoje o morador tem seu carrinho, sua motinha, coisa que não tinha há dez anos. Mas tem muita gente desempregada ainda”.

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