Lessa é indiciado por suposta fraude em licitação

Segundo a Polícia Federal, candidato ao governo de Alagoas pode estar envolvido em superfaturamento de obras em Maceió

Janaina Ribeiro, iG Alagoas |

Os ex-governadores de Alagoas Ronaldo Lessa (PDT) e Manoel Gomes de Barros e o empresário Zuleido Veras – sócio da Construtora Gautama – foram indiciados pela Polícia Federal (PF) pelos crimes de fraude em licitação, peculato, formação de quadrilha e crime ambiental. O inquérito nº 051/2009 foi remetido hoje ao Ministério Público Federal para emissão de parecer. Em seguida, o documento segue para a 2ª Vara da Justiça Federal.

As investigações da PF apontam que os acusados estariam supostamente envolvidos em irregularidades nas obras da macrodrenagem do bairro do Tabuleiro dos Martins, em Maceió. A defesa de Lessa, candidato ao governo de Alagoas, afirma que o indiciamento causa “estranheza” por ter acontecido a quatro dias das eleições.

A autoridade policial vê indícios de superfaturamento de cerca de R$ 14 milhões nas obras. A suposta fraude teria ocorrido num aditivo ao contrato que fora formalizado com a Gautama, em 2005, para obras da macrodrenagem do Tabuleiro que foi licitada e iniciada no governo de Manoel Gomes de Barros.

Segundo a Polícia Federal de Alagoas, o indiciamento aconteceu de forma indireta, haja vista os acusados terem faltado aos depoimentos marcados anteriormente pelo delegado Felipe Vasconcelos Correia.

Outro lado

O advogado de Ronaldo Lessa, José Fragoso, disse achar estranho que o indiciamento do seu cliente tenha acontecido em data próxima às eleições. “Causa-nos bastante estranheza tudo isso. Inclusive, porque já existe uma ação penal, tramitando na 3ª vara da Justiça Federal, que sequer cita o nome do Ronaldo. Confesso que não consigo entender como a Polícia Federal age dessa forma a apenas quatro dias das eleições”, disse.

Fragoso garantiu, ainda, que seu cliente só não depôs à PF porque não foi notificado.

Lessa, que é candidato ao governo de Alagoas, foi a Brasília no dia 19 de outubro, data em que a Polícia Federal disse ter marcado o depoimento dele. Na ocasião, a defesa alegou que o pedetista viajara para gravar um depoimento do presidente Lula para o horário eleitoral e que a viagem só aconteceu porque o ex-governador não tinha qualquer outro compromisso em Alagoas.

“O Ronaldo havia sido intimado para depor no dia 2 de setembro, mas a convocação chegou em cima da hora e eu, pessoalmente, fui até a Polícia Federal pedir para que o depoimento fosse remarcado”, disse Fragoso.

O advogado afirmou, ainda, que o delegado transferiu a audiência para o dia 29 de setembro, mas novamente o encontro não aconteceu porque, dessa vez, foi o próprio delegado quem não pôde estar presente. A partir daí, o Ronaldo não foi mais intimado, segundo ele. “Se o delegado disse que o intimou, ele mentiu. Foi só por isso que o Ronaldo Lessa não esteve na PF no dia 19”, defendeu.
Fragoso informou que a defesa vai aguardar o posicionamento do Ministério Público Federal a respeito do inquérito para definir as próximas ações.

O ex-governador Manoel Gomes de Barros e o advogado dele não foram localizados pela reportagem para comentar o caso.

A assessoria de comunicação da PF informou que o delegado responsável pelo inquérito não vai se pronunciar sobre o assunto.

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