Lages retoma tradição de berço de governadores em SC

Cidade natal do governador eleito Raimundo Colombo é o maior celeiro de mandatários do Estado desde a proclamação da República

Patrick Cruz, iG São Paulo |

Futura Press
Raimundo Colombo, o novo governador de Santa Catarina, comemora a vitória em Lages
O resultado da eleição deste domingo em Santa Catarina, que decretou Raimundo Colombo (DEM) como o novo governador do Estado, pôs na ribalta não apenas o próprio Colombo – campeão de votos na corrida ao Senado em 2006 e vencedor no primeiro turno em 2010, a despeito dos prognósticos de segundo turno contra Angela Amin (PP): Lages, cidade natal de Colombo, volta a ostentar o status de maior berço de governadores de Santa Catarina.

Com Colombo, já são sete os governadores nascidos no município de 170 mil habitantes, o maior da região serrana do Estado. Desde a proclamação da República, nenhuma cidade deu tantos governadores ao Estado. Nem mesmo a capital, Florianópolis, que teve cinco e elegeu seu último mandatário em 1998, quando Esperidião Amin assumiu o governo pela segunda vez em sua vida pública.

A tradição política de Lages está umbilicalmente ligada à ascensão de um clã familiar, o dos Ramos. Da família, foram quatro os governadores lageanos: Vidal, Aristiliano, Nereu e o último deles, Celso, que governou entre 1961 e 1966. Um quinto membro da família, Aderbal Ramos da Silva, também governou Santa Catarina, mas não está na contabilidade de governadores oriundos de Lages – embora sua ligação com a cidade seja óbvia – por ter nascido em Florianópolis.

Os Ramos formavam trincheira no antigo Partido Social Democrático (PSD), criado sob a unção de Getúlio Vargas. Foi Nereu Ramos que governou o País nos três meses de comoção nacional e instabilidade política que se seguiram ao suicídio de Vargas – e, assim, foi com um Ramos que, pela primeira e única vez, um catarinense ocupou a presidência da República.

O clã dos Ramos perdeu relevância a partir da década de 1970 e, coincidência ou não, também dilui-se, desde então, a relevância política e econômica do município – que por décadas sustentou-se na indústria ligada à extração da araucária. Em 1982, por exemplo, ao ver emancipados os então distritos de Correia Pinto e Otacílio Costa, Lages perdeu as fábricas de papel da Manville e da Klabin – e, de uma só vez, 43% de sua receita tributária de então.

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Longa tradição: Nereu Ramos, um dos governadores nascidos em Lages, foi o único catarinense a ser presidente da República até hoje
Rivalidade com os "alemães"

Rivais históricos dos Ramos, os Konder-Bornhausen abrigavam-se na União Democrática Nacional (UDN), de orientação conservadora. O clã de origem germânica elegeu três dos quatro governadores nascidos no município de Itajaí – a conta sobe para cinco se for adicionado o nome de Jorge Bornhausen, ex-senador e ex-governador do clã, mas nascido no Rio de Janeiro. Ironicamente, foi Jorge Bornhausen que levou um lageano ao comando administrativo de Santa Catarina pela última vez: em 1982, ao ser eleito senador, Bornhausen renunciou e abriu caminho para seu vice, Henrique Córdova, assumir o posto.

E foi também Jorge Bornhausen um dos advogados da candidatura de Raimundo Colombo, cabeça da chapa tríplice que, como em 2002 e 2006, uniu DEM, PMDB (sigla de Luiz Henrique da Silveira, governador nos últimos oito anos) e PSDB (partido de Leonel Pavan, que ascendeu ao governo estadual quando Silveira renunciou para concorrer – e vencer – a uma cadeira no Senado).

Colombo, prefeito de Lages em três oportunidades, venceu a corrida ao governo estadual com larga margem em sua cidade natal, mas sua votação foi bem distribuída em todo o Estado. Dos dez maiores colégios eleitorais, ele só não venceu em um – a capital, da qual Angela Amin foi prefeita por dois mandatos. Líder nas pesquisas para o governo do Estado até o início dos programas eleitorais na TV, Angela encerrou a eleição com menos votos do que recebeu em 1994, quando perdeu, por margem mínima, a corrida ao governo do Estado para Paulo Afonso Vieira (PMDB). Foram 1,2 milhão de votos há 16 anos, foram pouco mais de 850 mil neste domingo.

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