Cidade natal do governador eleito Raimundo Colombo é o maior celeiro de mandatários do Estado desde a proclamação da República

Raimundo Colombo, o novo governador de Santa Catarina, comemora a vitória em Lages
Futura Press
Raimundo Colombo, o novo governador de Santa Catarina, comemora a vitória em Lages
O resultado da eleição deste domingo em Santa Catarina, que decretou Raimundo Colombo (DEM) como o novo governador do Estado, pôs na ribalta não apenas o próprio Colombo – campeão de votos na corrida ao Senado em 2006 e vencedor no primeiro turno em 2010, a despeito dos prognósticos de segundo turno contra Angela Amin (PP): Lages, cidade natal de Colombo, volta a ostentar o status de maior berço de governadores de Santa Catarina.

Com Colombo, já são sete os governadores nascidos no município de 170 mil habitantes, o maior da região serrana do Estado. Desde a proclamação da República, nenhuma cidade deu tantos governadores ao Estado. Nem mesmo a capital, Florianópolis, que teve cinco e elegeu seu último mandatário em 1998, quando Esperidião Amin assumiu o governo pela segunda vez em sua vida pública.

A tradição política de Lages está umbilicalmente ligada à ascensão de um clã familiar, o dos Ramos. Da família, foram quatro os governadores lageanos: Vidal, Aristiliano, Nereu e o último deles, Celso, que governou entre 1961 e 1966. Um quinto membro da família, Aderbal Ramos da Silva, também governou Santa Catarina, mas não está na contabilidade de governadores oriundos de Lages – embora sua ligação com a cidade seja óbvia – por ter nascido em Florianópolis.

Os Ramos formavam trincheira no antigo Partido Social Democrático (PSD), criado sob a unção de Getúlio Vargas. Foi Nereu Ramos que governou o País nos três meses de comoção nacional e instabilidade política que se seguiram ao suicídio de Vargas – e, assim, foi com um Ramos que, pela primeira e única vez, um catarinense ocupou a presidência da República.

O clã dos Ramos perdeu relevância a partir da década de 1970 e, coincidência ou não, também dilui-se, desde então, a relevância política e econômica do município – que por décadas sustentou-se na indústria ligada à extração da araucária. Em 1982, por exemplo, ao ver emancipados os então distritos de Correia Pinto e Otacílio Costa, Lages perdeu as fábricas de papel da Manville e da Klabin – e, de uma só vez, 43% de sua receita tributária de então.

Longa tradição: Nereu Ramos, um dos governadores nascidos em Lages, foi o único catarinense a ser presidente da República até hoje
Reprodução
Longa tradição: Nereu Ramos, um dos governadores nascidos em Lages, foi o único catarinense a ser presidente da República até hoje
Rivalidade com os "alemães"

Rivais históricos dos Ramos, os Konder-Bornhausen abrigavam-se na União Democrática Nacional (UDN), de orientação conservadora. O clã de origem germânica elegeu três dos quatro governadores nascidos no município de Itajaí – a conta sobe para cinco se for adicionado o nome de Jorge Bornhausen, ex-senador e ex-governador do clã, mas nascido no Rio de Janeiro. Ironicamente, foi Jorge Bornhausen que levou um lageano ao comando administrativo de Santa Catarina pela última vez: em 1982, ao ser eleito senador, Bornhausen renunciou e abriu caminho para seu vice, Henrique Córdova, assumir o posto.

E foi também Jorge Bornhausen um dos advogados da candidatura de Raimundo Colombo, cabeça da chapa tríplice que, como em 2002 e 2006, uniu DEM, PMDB (sigla de Luiz Henrique da Silveira, governador nos últimos oito anos) e PSDB (partido de Leonel Pavan, que ascendeu ao governo estadual quando Silveira renunciou para concorrer – e vencer – a uma cadeira no Senado).

Colombo, prefeito de Lages em três oportunidades, venceu a corrida ao governo estadual com larga margem em sua cidade natal, mas sua votação foi bem distribuída em todo o Estado. Dos dez maiores colégios eleitorais, ele só não venceu em um – a capital, da qual Angela Amin foi prefeita por dois mandatos. Líder nas pesquisas para o governo do Estado até o início dos programas eleitorais na TV, Angela encerrou a eleição com menos votos do que recebeu em 1994, quando perdeu, por margem mínima, a corrida ao governo do Estado para Paulo Afonso Vieira (PMDB). Foram 1,2 milhão de votos há 16 anos, foram pouco mais de 850 mil neste domingo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.