Jáder pode ter que devolver 340 cargos no Pará

Diretório estadual do PT se reúne na próxima semana para decidir se recomenda devolução de postos do PMDB

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

AE
Jáder Barbalho (e) cumprimenta o ministro Alexandre Padilha em evento no Pará, em abril deste ano
O diretório estadual do PT no Pará vai se reunir no início da próxima semana para decidir se recomenda ou não à governadora Ana Júlia Carepa (PT) a devolução dos cargos do PMDB no governo paraense. A medida seria uma retaliação ao grupo do deputado Jáder Barbalho (PMDB-PA) que, na quinta-feira, decidiu abandonar a candidatura de Ana Julia à reeleição e lançar o presidente da Assembleia Legislativa, Domingos Juvenil, na disputa pelo governo paraense, rachando a base da pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, no Estado.

“Ainda não há uma decisão sobre os cargos, mas o PT vai se posicionar sobre isso. Vamos nos reunir, comunicar nossa posição à governadora e ela decide”, disse o secretário de Comunicação do PT no Pará, Bira Rodrigues.

Segundo levantamento feito pela líder do PT na Assembleia, Bernardete ten Caten, Jáder possui cerca de 340 indicados para cargos no governo estadual, alguns deles na chefia de órgãos importantes como o Departamento de Trânsito (Detran), Companhia de Saneamento (Cosanpa), Companhia de Habitação (Cohab), Junta Comercial (Jucepa), Fundação Centro de Homoterapia e Hematologia (Hemopa), Companhia de Abastecimento (Ceasa) e a Loteria do Estado do Pará (Loterpa).

Somente estes três órgãos têm orçamento de R$ 519 milhões e atuação estratégica em programas do governo federal que rendem fortes dividendos eleitorais como Minha Casa Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Além disso Jáder fez diversas nomeações para cargos federais ao longo do governo Lula como os presidentes da Eletronorte, cujo orçamento anual é de R$ 6,4 bilhões, a direção dos Correios e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Estado.

Jáder e o presidente da Assembleia foram procurados ontem para comentar o assunto, mas não foram encontrados. Em entrevistas a jornais locais, os líderes do PMDB paraense dizem que entregarão os cargos, mas até agora não comunicaram formalmente a governadora nem o governo federal.

Apesar do desapontamento pela decisão de Jáder (que vai concorrer ao Senado), a ordem no PT é cautela. O partido espera contar com o PMDB em um eventual segundo turno contra Simão Jatene (PSDB). Além disso, apesar do rompimento local, Jáder continua sendo um aliado nacional.

“Enquanto a posição comunicada pelo PMDB não for oficializada na convenção do partido, nada estará resolvido. Se, no limite, não houver acordo não vamos achar que perdemos a eleição por causa disso. O PMDB é um parceiro nacional”, disse Bira Rodrigues.

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