Isolado, Skaf lança pré-candidatura em São Paulo

Sem coligação e sem chapa definida, presidente da Fiesp se licencia para concorrer ao governo do Estado pelo PSB

Nara Alves, iG São Paulo |

Até o momento sem coligação e sem chapa definida, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, lançará na próxima sexta-feira sua pré-candidatura ao governo pelo PSB. Com apenas 2% das intenções de voto segundo o Datafolha e cerca de dois minutos na propaganda eleitoral na televisão, Skaf diz que sua candidatura é “irreversível” por ser uma decisão do partido, e não um “projeto pessoal”. Depois de rejeitar o convite para integrar a chapa petista ao Palácio dos Bandeirantes, como vice de  Aloizio Mercadante (PT-SP), ele pretende se colocar na disputa como uma alternativa à polarização entre o PT e o PSDB do ex-governador Geraldo Alckmin.

Adriana Elias/iG
Paulo Skaf concede entrevista ao iG na sede da Fiesp na Avenida Paulista

Em entrevista ao iG na sede da Fiesp, na avenida Paulista, Paulo Skaf disse que a saída de seu amigo e companheiro de partido Ciro Gomes da disputa presidencial fortaleceu sua candidatura por provocar um sentimento de “frustração” nos militantes do PSB. Para não abrir mão de mais um candidato próprio, os líderes da legenda estão dispostos a lançar Skaf com ou sem alianças. E, se depender do PT, o presidente da Fiesp estará sozinho. A estratégia petista é sufocar a campanha de Skaf pelo tempo na TV. Nos bastidores, a campanha do presidente da Fiesp em São Paulo tem sido comparada à de Enéas Carneiro, morto em 2007, que tinha poucos segundos de propaganda eleitoral e ficou conhecido pelo bordão “Meu nome é Enéas”. Skaf rebate dizendo que Enéas tinha apenas três segundos. “Eu terei de 120 a 180 segundos, não é pouco”, diz.

Nem mesmo o vereador correligionário Gabriel Chalita – que saiu do PSDB criticando o pré-candidato tucano ao Planalto, José Serra, e agora quer estar ao lado da presidenciável petista Dilma Rousseff – está confirmado na chapa de Skaf como pré-candidato ao Senado. Ex-secretário de Educação do governo de Geraldo Alckmin e vereador mais votado de São Paulo, Chalita é cobiçado pelo PT por atrair potencialmente votos do eleitorado tucano para Mercadante e Marta Suplicy, pré-candidata petista ao Senado.

Paulo Skaf, como ele mesmo reforça, não é político de carreira. Hoje com 54 anos, orgulha-se de ter iniciado sua vida empresarial aos 18 anos no setor têxtil de forma independente. Desde 2004, é presidente da Fiesp, do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Industrial de Aprendizagem Industrial (Senai), do Instituto Roberto Simonsen e ocupa a primeira vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Leia abaixo a entrevista concedida por Paulo Skaf.

Adriana Elias/iG
iG - Sua candidatura ao governo de São Paulo é irrevogável?
Skaf - No dia 21 de maio, sexta-feira, estarão em São Paulo o governador Eduardo Campos (PE), presidente nacional do partido, o presidente estadual, Márcio França, prefeitos, os governadores Wilson Martins (PI), Iberê de Souza (RN) e Cid Gomes (CE), além da cúpula nacional e estadual do PSB, para o lançamento da pré-candidatura. É uma decisão do partido irreversível. Um mês atrás acreditavam na possibilidade do Ciro Gomes (PSB) ser candidato em São Paulo, depois veio a história de que assim como tiraram o Ciro, agora vão tirar o Paulo Skaf, depois vem a história de Paulo Skaf ser vice do Aloizio Mercadante (PT), depois do Paulo Skaf ser vice do Geraldo Alckmin (PSDB). Só esqueceram de perguntar para o PSB e para o Paulo Skaf. Quem se interessou em ouvir as pessoas certas não tem dúvida nenhuma.

iG - E o Ciro Gomes vem para o lançamento de sua pré-candidatura?
Skaf - O Ciro Gomes está no exterior dando uma desanuviada e eu, sinceramente, ficaria muito feliz com a presença dele. Mas teremos a convenção do partido no mês de junho e aí é a festa maior. Aí sim eu vou pedir para o Ciro Gomes não faltar. Mas, agora, fazer ele vir do exterior, eu achei que eu não estaria poupando meu amigo. Então, eu preferi deixar a presença dele para junho. Depois daquele fato que aconteceu, ele tirou uns dias, então ele foi, eu acho, para a Europa. Como eu gosto dele, não quero incomodá-lo. Em junho, se ele estiver no nosso País, não tenho dúvida de que estaremos juntos.

iG - O senhor sente alguma pressão do PT para que desista da candidatura?
Skaf - O PT insistir no sentido de eu aceitar uma vice-governança não é nenhum demérito. Não encaro isso como pressão. É mais uma gentileza do que uma pressão. Tenho que agradecer àqueles que confiam na minha pessoa. Se não houvesse uma relação de confiança e carinho, não haveria a intenção – e eu diria até a dedicação – na tentativa de me levar a ser um vice. O interesse do PT e das pessoas tem sido tão grande no sentido de estarmos juntos que passa até uma impressão de pressão. Pode até ser interpretado como pressão, porque essa tentativa às vezes é feita com intensidade. Mas eu não sinto como uma pressão.

iG - Por que o senhor não aceita ser vice do Mercadante?
Skaf - Pela mesma razão que ele não quer ser meu vice. Não é questão de eu querer, não é um projeto pessoal, de uma pessoa. O PSB tomou uma decisão, me fez o convite e eu aceitei. Isso que o PSB está fazendo nas eleições de 2010 é muito positivo. É dar uma opção nova a São Paulo, que está sempre polarizado entre PSDB e PT, e com os mesmos nomes, que vão e voltam.

iG - Isso não poderia ser verdade também na eleição presidencial?
Skaf - Você quer saber a minha opinião sobre a eleição presidencial? Eu não tenho a menor dúvida que sim, que seria melhor. Mas não fui eu que decidi. Seria muito saudável que o Ciro Gomes se candidatasse, seria muito positivo, seria mais uma opção para as pessoas refletirem e decidirem. Você não tinha que ter perguntado a minha opinião. Foi tomada uma decisão, eu não participei dessa decisão, que tem uma série de questões envolvidas. Aqui em São Paulo é outra situação. Aqui o partido me convidou para ser pré-candidato a governador. Eu não estou perguntando se o partido me aceita, pelo contrário. A situação que houve com relação a Ciro Gomes fortaleceu aqui no sentido da candidatura. Houve certa frustração dos militantes, da base do partido que tinha um candidato a presidente da República – e todos os partidos gostam de ter candidato a presidente, um candidato competitivo, sério, como era o caso do Ciro Gomes. Agora, o partido não abre mão em hipótese nenhuma de ter um candidato. Quando eu assumo um compromisso, aprendi na minha vida, que as pessoas não são obrigadas a tratar as coisas, mas o que se trata é preciso cumprir.

Adriana Elias/iG
iG - Como está a coligação?
Skaf - As conversas continuam e vão continuar até as convenções. Haverá surpresas, na verdade, até o mês de junho. Essa história não termina agora. Existem algumas coisas em discussão, entendimentos entre partidos.

iG - Com quais partidos?
Skaf - Estrategicamente, prefiro aguardar que essas conversas sejam concluídas, pelo sim e pelo não. E não estou autorizado. Eu não estou autorizado pelos partidos com os quais temos conversado a divulgar que estamos conversando, buscando entendimento. Só posso dizer que existem alguns partidos. Mas a decisão da candidatura é irreversível, com mais ou com menos coligação. Se tivermos coligação com um ou dois partidos não vai mudar a decisão da candidatura.

iG - Quantos minutos de propaganda o PSB tem em São Paulo?
Skaf - Aproximadamente dois minutos. O PT terá cerca de quatro e o PSDB terá uns seis minutos. Nós teremos de dois a três minutos, dependendo do final das negociações. Na pior das hipóteses teremos dois minutos. Às vezes as pessoas pensam que se não tiver coligação... lembram do Enéias... mas nesse caso são três segundos. Dois ou três minutos significa que temos de 120 a 180 segundos todos os dias, durante 45 dias, no horário nobre, de rádio e televisão, de manhã e de tarde. Não é um tempo pequeno, não.

iG - O senhor considera sua candidatura competitiva?
Skaf - Se não fosse competitiva eu não aceitaria o desafio. Eu não estou atrás de percentual, estou atrás de ganhar a eleição.

iG - O senhor vai se licenciar da Fiesp no fim do mês. Pode voltar ao cargo depois caso o senhor não vença as eleições?
Skaf - Posso. Mas a minha intuição diz que eu não vou voltar, não. Eleição e mineração só depois da apuração. Se eu não sentisse que eu teria uma candidatura com chances de vitória eu não aceitaria. Eu estou feliz aqui. O trabalho que a gente faz aqui é um trabalho grande em todo Estado de São Paulo, tenho mandato até o final de 2011 e tenho direito estatutário a mais um mandato. É mais normal pensar nos nomes que estão aí há 20, 30 anos, do que em um nome novo. Só que quando eu fui candidato na Fiesp eu também era uma opção nova, era uma candidatura de oposição. Eu fui eleito com 60% dos votos e reeleito com 99,5% dos votos. Na CPMF, quando eu comecei o movimento para não recriação da CPMF em São Paulo e outros Estados, nós conseguimos 1,5 milhão de pessoas que nos seguiram nos nossos manifestos. Muitas pessoas achavam impossível, mas a CPMF não foi recriada. Eu acredito que, realmente, São Paulo precisa ter uma opção nova. Existem velhos problemas que precisam ser resolvidos com ideias novas. Eu não sou um político de carreira para ficar olhando para trás e ficar criticando ninguém. Eu gosto de olhar para frente. Agora, existem muitos pontos que não são problemas novos, são problemas velhos e que precisam de idéias novas. Quando você faz da mesma forma o resultado é o mesmo.

iG - O senhor já está trabalhando em um plano de governo? Quais serão as suas prioridades?
Skaf - Já começamos. É lógico que ao longo da campanha, conversando com os setores da sociedade, você vai construindo algo real, que não seja teórico. O Estado de São Paulo, apesar de ser rico, que deveria ser referência, tem desafios novos e problemas antigos que não são resolvidos. Eu acho importantíssima a questão da educação. Eu acredito que a forma de se dar oportunidade é dar educação. Quando você dá ensino de excelência, de preferência em tempo integral, além da sala de aula, com atividades culturais, alimentação, você dá essa oportunidade para as pessoas se emanciparem através do conhecimento. Essa criança, quando chegar aos 22, 23 anos, terá toda oportunidade. O que estou falando não é discurso, é o que eu fiz no Sesi há cinco anos. Eu implantei o ensino integral de excelência para 100 mil crianças, em 100 escolas novas. Se uma entidade pode fazer isso, imagina um governo, num Estado como o de São Paulo. Temos 5 milhões de crianças no ensino fundamental no Estado. As escolas do Estado têm que ser referência, com professores estimulados. Outra questão, que não é menos importante, é a questão da segurança. Ninguém pode se sentir inseguro no seu Estado. Você tem que se sentir seguro na rua, na sua casa, no ônibus. Também não é uma novidade. A questão da saúde, do transporte público, da mesma forma. A infraestrutura, a questão do transporte através de nossos rios.

iG – O que o senhor acha dos outros pré-candidatos ao governo de São Paulo?
Um dos candidatos já teve 12 anos para aplicar sua experiência. Doze anos como vice-governador e governador no Palácio dos Bandeirantes. Teve bastante tempo para fazer aquilo que sabe e que deveria ser feito na opinião dele, do Geraldo, com todo respeito. O outro candidato, o Mercadante, foi um parlamentar muito bom, bom senador, mas sem experiência no Executivo. Então, eu acho que nesse momento o PSB dar a São Paulo uma alternativa que fuja tanto de um como do outro, envolvidos há 30 anos na política, é muito bom.

iG - O senhor já teve algum cargo executivo?
Skaf - O meu cargo é totalmente executivo, ser presidente da Fiesp é cargo executivo. O sistema Fiesp é maior do que 99% das cidades brasileiras, maior do que alguns Estados brasileiros. Administramos um orçamento de R$ 1,5 bilhão, temos 400 unidades de formação profissional, ensino fundamental, médio, superior, centros esportivos, teatros, atividades culturais, saúde, lazer, esporte. Contratamos o Giovani, são seis atletas para o time de vôlei do Sesi que são da seleção brasileira. Isso dá uma experiência. Fui presidente do SEBRAE, da Abid, fui do conselho de administração do BNDES, empresário desde os 18 anos. Essa experiência de vida é uma experiência 100% do executivo. O Sesi e o Senai são acompanhados pelo Tribunal de Contas da União, têm que fazer concorrência em tudo, tem a burocracia semelhante à do Estado.

iG - Sua campanha fará essa comparação?
Skaf - Nós não vamos fazer comparação com ninguém. Eu estou olhando para frente. Eu tenho realidades sem ter o governo. Se você pode fazer tanta coisa sem estar no governo, imagine com o governo na mão? As possibilidades são muito maiores.

iG - Como está a composição da chapa?
Skaf - Por enquanto não tem chapa nenhuma. Ninguém vai definir chapa antes da parte das coligações.

iG - Nem com relação à pré-candidatura de Gabriel Chalita ao Senado?
Skaf - Também não. Eu diria que tudo está em aberto. Estamos no mesmo partido. Se for a disposição dele sair candidato ao Senado há uma abertura para que ele possa ser candidato. Essas definições serão tomadas até o mês de julho. É verdade que há disposição do Chalita. Essa sexta-feira é o lançamento da pré-candidatura ao governo de São Paulo. Não há outro lançamento.

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