Inexpressividade do processo eleitoral preocupa lideranças na BA

Rigor da lei eleitoral, crescimento de propaganda pela internet e falta de horário eleitoral prejudicam os candidatos

Aura Henrique, iG Bahia |

Com as pesquisas apontando a dianteira de Jaques Wagner, lideranças políticas baianas do interior do Estado reclamam da inexpressividade da campanha eleitoral fora da capital, principalmente em relação à corrida majoritária deste ano. O rigor da nova lei eleitoral e o crescimento da propaganda via internet contribuíram para o ‘clima morno’ das campanhas. A aposta é de que, com a aproximação do horário eleitoral gratuito, o quadro seja revertido.

O deputado estadual, Paulo Rangel, líder da bancada petista na Assembleia Legislativa, tem viajado por cidades da Região do São Francisco, sua base eleitoral, e concorda sobre o fraco desempenho das campanhas baianas. Rangel aponta a boa performance de Wagner, que tem44% contra 23% do segundo colocado, Paulo Souto, como principal fator.“A ausência de disputa nas eleições majoritárias causam esse resfriamento. A campanha de Paulo Souto inexiste nas cidades menores e a de Geddel vai, mas não empolga”, disse, referindo-se aos principais opositores do governador Jaques Wagner.

Wagner tem liderança confortável frente aos seus concorrentes, Paulo Souto (DEM) e Geddel Vieira Lima (PMDB), vantagem que lhe daria vitória no primeiro turno, segundo Datafolha e VoxPopuli anunciadas no mês de julho.

Outro ponto fraco das campanhas, de acordo com Rangel, é o rigor da lei eleitoral, que proíbe ‘showmícios’ e distribuição de brindes. “A legislação está mais rígida, o que acho certo, proibindo abusos de poder econômico, abrandando o clima”, explicou o líder, apontando que o desgaste de imagem sofrido pelos políticos e contenção de gastos para a competição, que começou mais cedo, também são fatores que comprometem o espírito eleitoral.

Elmar Nascimento (PR), deputado estadual e candidato à reeleição, foi o primeiro a tecer críticas em público. “Até nas cidades grandes (exceto Salvador) parece que não é tempo de eleição”. De acordo com ele, o crescimento da internet para a veiculação de propagandas políticas e a falta de horário eleitoral gratuito são alguns dos principais motivos.

“A propaganda eleitoral de TV não servirá para reverter o quadro”, disse Jorge Meireles, ex- chefe de gabinete da prefeitura municipal de Juazeiro, no norte do Estado. “A propaganda de governo está muito fresca na memória dos eleitores e a atual conjuntura favorece ao governador, que desponta nas pesquisas”, afirmou Meireles, ressaltando o valor do corpo a corpo dos candidatos no interior.

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