Indio cobra posição de Dilma sobre ligação de PT com as Farc

Vice na chapa de Serra diz ser ¿ridículo¿ adversário falar em baixo nível na campanha e ameaçar processá-lo por declarações

Samia Mazzucco, iG Rio de Janeiro |

Durante um corpo a corpo no bairro da Taquara, zona oeste do Rio, na tarde desta quarta-feira (21), o candidato a vice na chapa de José Serra (PSDB) disse aguardar respostas do PT e da candidata da sigla à Presidência, Dilma Rousseff, sobre as acusações da ligação do partido com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

“Acho que não foi respondido pela Dilma se o PT tem ou não ligação com as Farc e se as Farc têm ou não ligação com o narcotráfico. Estou esperando uma resposta, ela não respondeu”, disse Indio, enquanto o candidato da chapa à Presidência, José Serra, cumprimentava eleitores a poucos metros de seu vice.

Nos ataques à petista, Indio afirmou que “há indícios de que o Comando Vermelho ( facção criminosa ) tem ligação com as Farc”, e que vive-se “uma guerrilha urbana no Rio”. “O que a Dilma pensa sobre essa questão?”, questionou. Demonstrando nervosismo e falando pausadamente, o candidato respondeu a apenas duas perguntas sobre o tema.

Questionado sobre a ameaça de abertura de processo contra ele pelo PT devido às suas declarações, o parlamentar disse ser “ridículo falar em processo e em baixar o nível da campanha”, atacando mais uma vez a adversária.

“Será que a Dilma acha legal quebrar sigilo bancário e fiscal de um cidadão brasileiro?”, falou, referindo-se a Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB nacional, que teve o sigilo fiscal vazado por auditores da Receita Federal.

Indio também questionou qual a opinião da candidata sobre a pressão feita pelo PT sobre a vice- procuradora-geral-eleitoral Sandra Cureau, que aplicou multas no PT por propaganda eleitoral antecipadas.

"O PT está nervoso"

À tarde, Indio já havia criticado o PT e a candidata Dilma Rousseff. “O PT que está nervoso ( com as acusações )”, afirmou o candidato. “Coloquei os documentos no meu twitter e já foi divulgado para mais de um milhão de pessoas.” Os documentos a que ele se refere são reportagens citando a suposta ligação do partido com a narcoguerrilha.

Indio afirmou ainda que após o episódio foi procurado pela revista colombiana “Cambio” ( que em 2008 publicou reportagens sobre a suposta ligação do PT com as Farc) para que desse uma entrevista sobre o assunto. Ele, porém, não disse se aceitou ou não o convite.

Questionado se o PSDB havia reclamado de suas declarações, o parlamentar disse: “Comigo não”.

Serra propõe criação de centros esportivos pelo País

As declarações de Indio durante a tarde foram feitas após ele participar, acompanhando Serra, de um encontro no COB (Comitê Olímpico Brasileiro), onde os candidatos assitiram a uma apresentação feita pelo presidente da entidade, Carlos Arthur Nuzman, sobre os investimentos para os Jogos de 2016 na cidade.

Em discurso no evento, Serra disse que, caso eleito, vai construir centros de excelência regional, que seriam locais "permanentes" para a prática esportiva. As instalações seriam construídas em diversas cidades do País e serviriam como locais de hospedagem para as delegações que queiram se habituar ao Brasil antes de chegarem ao Rio.

"Os centros são uma máquina de produzir atletas, não são investimentos caros e claro que terão apoio federal", afirmou o candidato no evento do COB.

O ex-governador também defendeu a criação de uma política nacional de esporte, com incentivo às práticas esportivas desde a época escolar e o investimento em atletas de "alto rendimento". Ao fim de seu discurso, ele recebeu das mãos do presidente do Comitê o dossiê da campanha pela Olimpíada no Rio e um uniforme da delegação, com seu sobrenome estampado nas costas, do judoca Fábio Canto, medalhista olímpico.

Após o discurso, o presidenciável opinou sobre a criação da APO (Autoridade Pública Olímpica), órgão de responsabilidade dos governos federal, estadual e municipal que deve acompanhar os Jogos. O  ministro do Esporte, Orlando Silva, é o nome mais cotado para presidir o órgão. "Não há dúvida que quem vai imprimir a direção do trabalho governamental nessa área vai ser o próximo governo. Se puder criar a APO antes, cria-se. Começa-se antes e o próximo governo retificará tudo aquilo que não considerar adequado", afirmou.   

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