Indio classifica FHC de "estadista", mas evita comparar governos

Em visita ao iG, candidato a vice na chapa tucana diz que "o discurso da campanha tucana combina com o momento do Brasil"

Nara Alves, iG São Paulo |

Candidato a vice-presidente na chapa do candidato tucano José Serra, o deputado Indio da Costa (DEM-RJ) classificou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de "estadista" por seus méritos no governo, epecialmente a implementação do Plano Real. Ao mesmo tempo, o deputado justificou a ausência de FHC na campanha tucana afirmando que o objetivo não é abordar governos passados. "Não se trata de comparar com o governo Fernando Henrique. Esse é um governo Serra-Indio. Não vou tratar de governos passados", afirmou.

Em visita ao iG , Indio da Costa disse que, ao exibir imagens de Serra com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o programa eleitoral na televisão, a campanha tucana pretende mostrar que "Serra tem história”, o que o credencia para suceder o atual presidente no Palácio do Planalto. Em seguida, ao ser questionado se aprovava a estratégia do PSDB, o deputado limitou-se a dizer que “o discurso da campanha tucana combina com o momento do Brasil”. 

Flávio Torres/Fotomídia
O deputado Indio da Costa na sede do iG, na capital paulista

Para o deputado, os resultados das pesquisas, que apontam uma vitória da petista Dilma Rousseff no primeiro turno, não desanimam aliados e militância. Ao contrário, diz ele, os levantamentos de intenção de voto incentivam a união da oposição. “As pessoas começam a se juntar. Ninguém do lado de cá quer mais 20 anos, ou 12 anos, ou 4 anos de PT. Na hora em que percebe que não quer PT, todo mundo se alinha”, afirma.

"Por enquanto você tem uma onda. Ao longo do tempo, quando formos compará-la ( Dilma ) com ela mesma, a opinião vai mudar", afirmou. Acusando o governo e a campanha petista de "mentir" e inflar dados de programas sociais, o deputado disse que não a contrataria para gerenciar sua empresa. "O PAC ( Programa de Aceleração do Crescimento ) não andou. O Minha Casa Minha Vida também não andou", justificou.

O candidato atribuiu o distanciamento em relação à campanha tucana manifestado por parte das lideranças do DEM - como o presidente da legenda e candidato a deputado, Rodrigo Maia (RJ), e seu pai, o ex-prefeito Cesar Maia, também candidato e padrinho político de Indio -, ao comprometimento deles com suas próprias campanhas. Ele negou haver qualquer rusga entre Serra e as líderes da legenda.

Indio negou, ainda, que esteja sendo usado na campanha tucana para atacar o PT. “Essa versão foram vocês ( da imprensa ) que criaram. Eu nunca tive combinação nenhuma de que eu sou o cara que bate, ele ( Serra ) o cara que faz carinho”, afirmou. “Minha função é visitar serviços públicos. Vou ser um contribuidor, é mais que fiscalizador”, explicou.

Flávio Torres/Fotomídia
Indio faz anotações durante entrevista ao iG
'PMDB nunca é oposição'

Caso Serra seja eleito, Indio da Costa acredita que o PMDB, partido do vice de Dilma, o presidente da Câmara, Michel Temer, não permaneceria na oposição. "O PMDB não é oposição nunca", afirmou.

Segundo ele, a legenda sempre trabalhou negociando cargos nos governos, mas defendeu que o fisiologismo não se repetiria em um eventual governo tucano. "Serra não viverá isso (...) O PMDB virá com qualquer governo e no caso do Serra o que será trabalhado com os parlamentares serão as emendas parlamentares", disse.

Como exemplo de gestão sem fisiologismo, Indio citou sua experiência como secretário de Administração Municipal do Rio de Janeiro na gestão de Cesar Maia. "Quando fui secretário, a ocupação de cargos em gerência e superintendência foi feita por indicação dos próprios servidores", conta. Ao falar sobre sua passagem pela pasta, Indio ressaltou que conseguiu reduzir tempo de processos internos que antes chegavam a demorar 14 meses para serem concluídos e agora se encerram em cerca de 4 meses.

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