Improviso marca início da campanha de Marina

Um desencontro com a agenda do candidato ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, cancelou a campanha na capital fluminense

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A campanha da candidata do PV à Presidência, Marina Silva, começou na tarde desta terça-feira com a inauguração da primeira “Casa de Marina”, espécie de comitê eleitoral doméstico e voluntário, no Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo.

O promotor de vendas Adriano Prado Costa Silva, militante do PV, só foi avisado que sua casa seria transformada em comitê às 8h30. A definição sobre a abertura da campanha de Marina aconteceu poucas horas antes do evento.

Até a noite de segunda-feira a coordenação da campanha trabalhava com a possibilidade de que o início da campanha fosse no Rio de Janeiro com a participação do candidato ao governo do Estado, o deputado Fernando Gabeira (PV). Mas Gabeira cancelou seus compromissos de campanha alegando que precisava ir a Brasília para votar a regulamentação do Pré-Sal, colocada em pauta na tarde de segunda-feira pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), candidato a vice da petista Dilma Rousseff.

AE
De última hora, Marina inaugurou comitê domiciliar
Às 15h, enquanto um grupo de 20 militantes aguardava Marina na casa do promotor de vendas, Gabeira estava em um avião rumo a Brasília, segundo funcionários do gabinete. De acordo com as assessorias de Gabeira e Marina o evento no Rio era apenas uma das alternativas. No lançamento de sua candidatura, em abril, Gabeira proibiu faixas com o nome da candidata do PV. Ele é apoiado pelo PSDB, cujo candidato a presidente é José Serra.

Marina minimizou o desencontro. “A ideia da agenda do Gabeira surgiu mas o Movimento Marina Silva já estava planejando esta agenda (a inauguração da ‘Casa de Marina’) há muito tempo. Obviamente o Gabeira é deputado e tem que cumprir com suas responsabilidades”, disse ela.

A candidata chegou à casa de Adriano com meia hora de atraso a bordo de um Honda Accord V6 com bancos de couro natural que faz, em média, cinco quilômetros por litro de gasolina. “A Honda ainda não utiliza a tecnologia flex power”, justificou o motorista.

Ela ficou 20 minutos na casa, cujo dono é o avô de Adriano, o frentista aposentado Manuel Prado, que não se incomodou em ver a residência invadida por um batalhão de assessores de campanha e jornalistas. O objetivo das “Casas de Marina” é formar comitês voluntários de propagação das idéias e projetos da candidata entre a vizinhança.

Na rua onde mora Adriano (que até 2008 era militante do PT) a ideia ainda não teve resultado. Ao ser questionado se conhecia Marina, o vizinho David Teixeira, que mora há 30 anos na região, respondeu: “sim senhor, conheço muito bem o PT”.

Teixeira ficou surpreso quando foi informado que Marina deixou o partido no ano passado para concorrer à Presidência pelo PV.

Marina negou que exista desorganização na campanha. “Vocês viram, pelo envolvimento dele (Adriano), que não tem nada improvisado. Tem várias pessoas que gostariam de receber o que o Adriano está recebendo”, disse ela.

Segundo a candidata, o evento tinha poucos militantes porque o objetivo era chamar atenção para a inauguração da “Casa de Marina”. Demonstrando otimismo, ela disse que ao atingir 10% das intenções de voto cumpriu o principal objetivo na pré-campanha, que era quebrar o caráter plebiscitário da eleição. “O jogo está mudando. Já quebramos o plebiscito. Temos três candidatos e isso já é uma primeira conquista”, disse Marina.

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