Humoristas comemoram autorização de piadas em período eleitoral

Veto existia há 13 anos para rádio e TV. Suspensão ainda será votada em plenário

iG Rio de Janeiro |

Com a decisão do ministro Ayres Brito, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender parte da Lei Eleitoral que vedava em rádio e TV o  “uso de trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato” durante o período eleitoral, os humoristas voltaram a sorrir sem censura.

A decisão de suspender parte do artigo 28 da lei 9504/1997 foi tomada na noite desta quinta-feira (26), a partir de uma ação proposta pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Caberá ao plenário da Corte manter ou derrubar a decisão de Britto.

O iG procurou alguns dos principais comediantes do País para repercutir a suspensão do veto que afetava os programas humorísticos no período eleitoral há 13 anos.

O comediante Hélio de La Peña, do Casseta & Planeta, disse que as mudanças já serão observadas no próximo programa. “Personagens como a Dilmandona, o José Careca e a Magrina Silva vão aparecer. Isso é uma beleza, é uma maravilha".

Em tom de brincadeira afirmou que já pensa em formar um partido para as próximas eleições chamado “PH do B” (Partido dos Humoristas do Brasil). O presidente seria Fábio Porchat, idealizador da passeata de humorista que ocorreu na orla de Copacabana no último domingo (22) e mobilizou cerca de 500 pessoas que fizeram um abaixo-assinado enviado ao STF.

Porchat disse que “a mobilização e a consequente rapidez com que parte da lei foi derrubada demonstra que no Brasil há democracia e o quanto a norma era inconstitucional”.

Em relação à proposta de formação do partido sugerido por La Peña, afirmou, em meio a risos, que aceitaria o convite desde que “Hélio fosse a Dilmandona e o Sérgio Malandro o ministro da Inteligência”.

O jornalista e humorista Rafael Cortez, do Pânico da TV, afirmou que a lei restringia o trabalho e a proposta de abordar assuntos sérios através do humor. “Com a lei a gente não usava os efeitos de ‘soquinho’, por exemplo, quando o entrevistado era mais sério. Acredito que a lei era um temor dos políticos que se sentiam ridicularizados. Mas tem uma molecada que fala para mim que passou a ler o caderno de política depois que viu o CQC”.

Wellington Muniz, mais conhecido como o humorista Ceará, do Pânico na TV, disse que essa “foi uma decisão sensata”. O programa havia praticamente suspendido qualquer alusão a políticos durante o período eleitoral.

De acordo com Ceará, as mudanças no programa poderão ser observadas em duas semanas.

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