Hélio Costa sofre o terceiro grande revés nas urnas

Derrota para Anastasia é a mais expressiva da carreira do ex-ministro das Comunicações de Lula

Eduardo Ferrari, iG Minas Gerais |

Quando as pesquisas de intenção de votos foram feitas no início do ano, o ex-apresentador de televisão Hélio Costa estava bem à frente. Quando a disputa eleitoral começou, ele continuava firme na dianteira. Mas o horário eleitoral e a entrada do ex-governador Aécio Neves na campanha de seu oponente, o governador Antonio Anastasia, viraram o jogo. Termina a eleição com pouco mais da metade dos votos do adversário eleito.

Depois de disputar e perder sua terceira e última eleição para o governo de Minas Gerais, o senador Hélio Costa deve retornar ao cargo no Congresso Nacional até o fim deste ano. Em janeiro de 2011, o político abre uma das duas vagas que estavam em disputa nessa eleição e que serão ocupadas justamente pelos adversários da chapa que enfrentou – com o ex-governador Aécio Neves (PSDB) e o ex-presidente Itamar Franco (PPS).

Hélio Costa se tornou candidato ao governo de Minas num acerto entre PMDB e PT que contou com a participação do próprio presidente Lula. Foi Lula quem o convenceu o petista Patrus Ananias a ser vice na chapa da coligação. A tarefa não foi simples: a base do PT em Minas queria uma candidatura própria e Patrus era o nome natural do partido para a disputa. As pesquisas de intenção de votos, que davam Hélio com larga margem à frente do governador Antonio Anastasia (PSDB), e a “vontade” do presidente Lula pesaram na decisão e o PT, mesmo dividido, virou a base de apoio para o peemedebista.

Segundo fontes ligadas à campanha do candidato, foi durante essa reunião, que aconteceu em janeiro deste ano em Brasília entre o ex-ministro e os petistas Patrus Ananias e Fernando Pimentel com o presidente Lula, que teria vindo a promessa de que caso o peemedebista fosse derrotado na disputa ao governo de Minas poderia retornar ao Governo Federal num eventual mandato do partido. Patrus seguiria o mesmo caminho e Pimentel, mesmo se eleito ao Senado, também seria convidado por Dilma Rousseff.

Até assumir a candidatura, Hélio Costa foi o ministro das Comunicações de Lula. Costa tomo posse no ministério em agosto de 2005, bem no meio da maior crise política do governo petista que ficou conhecida como “escândalo do mensalão”. Como ministro, Hélio Costa foi responsável pela escolha do padrão para o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) e pela ampliação do acesso à internet para escolas públicas. Mas também teve seu nome envolvido no escândalo de corrupção nos Correios, empresa ligada ao seu ministério, que levou a demissão do presidente da entidade, Carlos Henrique Custódio, que havia sido indicado por ele.

Apesar da derrota em Minas, Costa deve continuar como um dos nomes fortes da política no estado. Para o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) Ruda Ricci, o enfretamento do peemedebista com os tucanos durante a campanha ao governo de Minas foi apenas retórica. “O relacionamento de Hélio Costa com Aécio Neves e Anastasia era bom antes e deve retornar a normalidade após a eleição. Eles são os políticos mais importantes do estado e a disputa acirrada não irá prejudicar a interlocução entre eles”, afirma.

Hélio Costa iniciou sua carreira política em 1986 quando foi deputado federal constituinte. Em 1990 se candidatou pela primeira vez ao governo de Minas e perdeu a disputa por menos de 1% dos votos válidos, no segundo turno, para Hélio Garcia (então no PP). Candidatou-se novamente ao governo em 1994, quando perdeu a disputa para o tucano Eduardo Azeredo. Naquela eleição, Costa ficou em primeiro lugar no primeiro turno com 48,8% dos votos válidos, com quase o dobro de votos do tucano que o ultrapassou no segundo turno.

Em 1998, voltou a ser eleito deputado federal quando foi vice-líder do PMDB na Câmara e coordenador da bancada do PMDB mineiro. Em 2002, foi eleito para o Senado com mais de 3,5 milhões de votos, onde também foi vice-líder do PMDB e vice-líder do governo Lula.

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