Hélio Costa será candidato em Minas Gerais

Com reunião em andamento em Brasília, Fernando Pimentel já admitia no Twitter que prevaleceu acordo nacional firmado com o PMDB

Andréia Sadi, iG Brasília |

Após dois dias de negociação intensa, o ex-ministro das Comunicações Hélio Costa foi confirmado nesta tarde como o nome que disputará o governo de Minas Gerais pela aliança PMDB-PT. Reunidos em Brasília, os comandos nacionais dos dois partidos decidiram enquadrar o PT mineiro e alocar o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel na disputa para o Senado.

O anúncio foi feito logo após o encontro, pelo presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra. "Essa é uma chapa com perspectiva de vitória real. Sabemos que não será uma eleição fácil em Minas Gerais, mas uma chapa com condições de eleger governador, senador e dar uma vitória expressiva em Minas para Dilma Rousseff", disse.

Michel Temer disse que o anúncio tem uma "simbologia importante" porque, explicou, Minas Gerais representava a questão chave entre a parceria das legendas. " A tendência mais ou menos era esta: se a aliança em Minas Gerais se concretizasse, haverá tanto uma vitória em MG como aumenta possibilidade de vitória na área nacional. Se não concretizasse, a tendência era dizer 'agora não vai dar a aliança entre o PT e o PMDB", afirmou.

A questão da vice de Costa, no entanto, ainda não foi definida. O nome mais cotado é o do também ex-ministro Patrus Ananias, mas as conversas ainda estão em aberto, segundo os líderes. Patrus não participou da reunião. "O vice deverá indicado pelo PT, mas vamos iniciar as conversas com os companheiros de Minas Gerais", ponderou Dutra.

Antes de encerrada a reunião,  Pimentel já admitia no Twitter que teria de ceder a cabeça de chapa ao peemedebista. Prevaleceu o acordo firmado pelos comandos nacionais do PT e do PMDB, sob orientação do Palácio do Planalto. Com base na tese de que a prioridade é eleger a ex-ministra Dilma Rousseff presidente, a ordem foi sacrificar a candidatura petista no Estado.

"Prevalece o acordo nacional PMDB-PT. Agora é unidade na campanha e energia pra ganhar em Minas e o Brasil. Vamos em frente!!!", escreveu Pimentel, no microblog. "Amigos, agradeço a todos q me apoiaram na pré-campanha. Vamos anunciar a chapa Helio governador, Pimentel senador. E Dilma presidente!!", emendou.

Logo antes, aliados de Pimentel já faziam as primeiras manifestações de pesar, também pelo Twitter. O deputado federal Miguel Correa Júnior (PT), aliado de Pimentel, foi um deles: “Com muito pesar, eu anuncio: Nós perdemos!”, anotou Correa. Hélio Costa foi menos explícito no seu Twitter, mas comemorou: “Reunião com pres Zé Dutra/PT um sucesso. Chapa base aliada MG será anunciada às 17h na sala do pres do PMDB, Temer, na Câmara.Viva a Aliança”, escreveu.

Impasse

A solução imposta na reunião de hoje põe fim a uma negociação que durou mais de um mês e acabou em impasse ontem, num encontro em um hotel de Belo Horizonte, entre dirigentes mineiros do PMDB e do PT. Mesmo assim, a avaliação que predomina no PT mineiro é a de que Costa venceu, mas pode não levar. É explícito o movimento de militantes da sigla contra sua candidatura. Isso abriria a possibilidade de se repetir a cena das eleições de 2006, quando petistas não pediram votos para o candidato a senador da chapa, Newton Cardoso. O PMDB, por sua vez, tampouco se esforçou para buscar votos para o candidato a governador, Nilmário Miranda (PT).

A reunião de hoje, em Brasília, estava prevista para ter início às 10 horas, mas acabou sendo adiada mais de uma vez, dirigentes dos dois partidos trocavam versões confusas sobre o encontro. Por volta do meio-dia, o deputado Antonio Andrade (PMDB-MG) e Costa estiveram no hotel Brasil Imperial, para supostamente encontrar líderes petistas, que não apareceram. Enquanto isso, o presidente do PT mineiro, Reginaldo Lopes (PT-MG) dizia que, antes de se encontrar com o PMDB, conversaria com José Eduardo Dutra, presidente do PT nacional.

Os presidentes Temer e Dutra se encontraram mais cedo com a ex-ministra Dilma. O líder Henrique Eduardo Alves (PMDB) também esteve presente.

Após muitos desencontros, a reunião foi remarcada para às 17 horas, mas acabou tendo início antes disso. Com a resistência do PT mineiro, o comando nacional da legenda avaliou que seria melhor adiar a reunião para o final da tarde, para dar tempo de “enquadrar” a instância regional.

Segundo maior colégio eleitoral do País, Minas Gerais tem sido classificado como fiel da balança na eleição deste ano. Para garantir apoio a Dilma, o PMDB chegou a condicionar a cabeça de chapa de Minas a Costa.

*Com informações de Bernardino Furtado, iG BH

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