Gurgel: MP investigará Israel independentemente da eleição

Notícias envolvendo filho de Erenice Guerra apontam para fatos graves, na avaliação do procurador-geral da República

Agêcia Estado |

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, classificou hoje como grave a revelação de um suposto esquema de tráfico de influência envolvendo o filho de Erenice Guerra, ministra-chefe da Casa Civil, Israel Guerra. "As notícias apontam para fatos graves", afirmou.

Segundo ele, o Ministério Público Federal (MPF) atuará no caso independentemente da campanha eleitoral. "O tempo do Ministério Público não é o tempo da campanha política. Nós faremos a investigação com o rigor que caracteriza a atuação do Ministério Público, mas sem preocupação com a campanha eleitoral nem para um sentido nem para o outro."

Gurgel afirmou que o MPF não servirá de instrumento de campanha. "De um lado o Ministério Público não servirá de instrumento daqueles que têm interesse em mostrar o envolvimento do governo e por outro lado não deixará de apurar o que tem para apurar para preservar qualquer posição do governo. O Ministério Público tem essa preocupação de não virar instrumento de campanha, falando bem claro, nem da campanha da ministra Dilma (Rousseff, candidata do PT à Presidência) nem da campanha do governador Serra (José Serra, presidenciável do PSDB)", afirmou.

De acordo com Gurgel, o MP ainda não tem elementos que apontem o envolvimento de Erenice. A Coordenação Geral de Polícia Fazendária da Polícia Federal (PF), especializada em investigar crimes do colarinho branco, comandará o inquérito sobre tráfico de influência. O primeiro alvo é o filho da ministra. Israel Guerra é acusado de receber propina para intermediar contratos de uma empresa aérea com os Correios.

Entre os alvos está também o empresário José Roberto Campos, marido da ministra, outro filho, dois irmãos, parentes e um grupo de amigos que Erenice teria colocado em pontos chave da máquina estatal. O delegado que comandará a investigação já foi designado, mas o nome não foi revelado porque ele pediu um prazo para trabalhar longe do assédio e estabelecer pontos cruciais, como a linha da investigação, o rol de testemunhas e as hipóteses de crime, além de analisar os primeiros elementos sobre o caso.

Porém, o primeiro passo já está definido: a PF vai pedir à revista Veja a entrega das gravações em que o empresário Fábio Baracat, que conforme a revista é dono da Via Net Express e sócio da MTA Linhas Aéreas, alega ter cedido ao lobby e pago uma "taxa de sucesso" a Israel para aumentar a participação de suas empresas nos Correios. Se houver indícios fortes de que a ministra contribuiu para o negócio, a PF só continuará o inquérito com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), já que ela goza de foro especial.

CGU
Além do lobby, Israel já foi alvo de outra investigação. A Controladoria-Geral da União (CGU), em auditoria, apontou como um dos responsáveis pelo desvio de R$ 5,8 milhões da editora da Universidade de Brasília (UnB) em contratos fantasmas. De acordo com o órgão, os pagamentos suspeitos da editora indicam pelo menos R$ 134 mil destinados a José Euricélio e a Israel Guerra entre os anos de 2005 e 2008.

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