Governo Lula não tem foco no meio ambiente

Marido de Marina Silva diz que senadora não vai se colocar na campanha como vítima de Dilma, apesar dos embates no ministério

Raphael Gomide, enviado especial ao Acre |

nullFoi a concepção do governo Lula de focar no crescimento e no desenvolvimento, deixando o meio ambiente em segundo plano, que fez Marina Silva sair do cargo, e não polêmicas internas com outros ministros como Dilma Rousseff (Casa Civil) e Reinhold Stephanes (Agricultura). É a opinião do marido da pré-candidata verde à Presidência, Fábio Vaz, ele mesmo secretário de governo da gestão do PT no Acre. “Marina não vai se colocar na campanha como vítima de Dilma. Poderia até ser bom eleitoralmente, mas ela não é assim”, disse Fábio.

Marina Silva deixou a pasta em maio de 2008, após se envolver em crises com outros ministros e ser acusada de lentidão na liberação de licenças ambientais para obras públicas. Houve muitas divergências com Dilma, disse ao iG um ex-integrante do ministério. Ela chegou a ser criticada em eventos públicos pelo presidente Lula e saiu quando soube que o Programa da Amazônia Sustentável (PAS) seria comandado pelo então ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger – embora o plano tenha sido concebido por ela. O detalhe é que Marina foi informada que não coordenaria sua implantação durante o anúncio do programa. Na ocasião, Marina disse que sua permanência “não estava mais agregando” e que o trabalho estava “estagnado” devido às resistências ao seu nome.

Preocupação em não ‘fulanizar’

“Não gostamos de fulanizar. Pessoalmente ela se dá bem com Dilma. É uma concepção de governo, prevalece o desenvolvimento, mais do que isso, o crescimento, tem de dar resultado econômico. O desenvolvimento é o resultado humano, o desenvolvimento sustentável é o econômico, humano e ambiental como um todo”, disse Fábio ao iG.

Para ele, “o governo não demonstrou a profundidade e o carinho necessários ao tema; prevaleceu o pragmatismo”. “Boa parte do governo Lula apoiou as medidas, o presidente muitas vezes bancou, mas o tema nunca foi muito forte no PT. Antes de entrar (no poder) é bonito falar, todos são a favor do meio ambiente, no quintal do outro. Ao entrar no poder, não há dedicação ou os resultados têm de ser rápidos.”

No ministério, havia a crítica de que Marina “só queria saber da Amazônia”, numa espécie de “samba de uma nota só” e se descuidava de outras áreas da pasta.

nullO ex-governador do Acre Jorge Viana (PT), companheiro histórico de Marina, mas hoje defensor ferrenho da candidatura Dilma, opinou que Marina “deu conta do recado” como ministra. “O desempenho não foi decepcionante, foi acima de qualquer expectativa, ela teve o apoio incondicional de Lula, que lhe deu oportunidades e condições. Ela teve carta branca. Haver embates em qualquer lugar é normal, ela não teve facilidade. O Congresso Nacional é conservador na questão ambiental e trouxe dificuldades ao tema. O governo também é muito conservador”, disse.

Na opinião de Viana, Marina saiu do PT, em agosto do ano passado, para ser candidata à Presidência pelo PV. “Ela tinha projeto de colaborar com o país em outra esfera. Prefiro ver a saída dela do PT como a busca de outra contribuição”

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